Vasco da Gama Heróis – Populares Portugueses (10)


Vasco da Gama

Heróis Populares Portugueses (10)

Vasco da Gama

 

Vasco da Gama, filho do fidalgo Estevão da Gama, terá nascido em 1468 em Sines, sendo que nem a data nem o local estão claramente documentados.  Sendo o segundo filho (Paulo da Gama era o primogénito), o futuro vice-rei da Índia não tem direito a brasão, nem a título ou fortuna, pelo que a carreira eclesiástica se lhe apresenta como a alternativa mais viável. Vasco da Gama chega a ser tonsurado, mas acaba por abandonar a vida na Igreja.

Em Julho de 1497, Vasco da Gama parte de Lisboa ao comando da frota que irá descobrir o caminho marítimo para a Índia e que, em Novembro desse mesmo ano, dobra o Cabo da Boa Esperança. Inicialmente, D. Manuel I propusera o comando da viagem a Paulo da Gama, mas a saúde débil deste leva-o a declinar o convite em favor do seu irmão. No entanto, assume o comando de uma das naus, como forma de apoio ao irmão mais novo.

A frota era composta pela nau Gabriel,  de 90 tonéis, a S. Rafael, de igual capacidade e comandada por Paulo da Gama, a Bérrio, de 50 tonéis, nas mãos de Nicolau Coelho e ainda por um velho navio de carga, de 110 tonéis, liderado por Gonçalo Nunes.

 

 

A frota de Vasco da Gama chega a Calecute em Maio de 1498 e é recebida com hostilidade pelo Samorim local. Contudo, apenas inicia a viagem de regresso em Outubro seguinte, chegando a Lisboa em finais de Agosto de 1499, onde é recebido em triunfo.

Entre 1502 e 1504, Vasco da Gama realiza uma nova viagem à Índia, enfrentando, uma vez mais, as represálias do Samorim de Calecute. No entanto, consegue estabelecer uma aliança com os reis de Cochim e Cananor, onde instala feitorias, o que lhe permite regressar a Lisboa com os navios carregados de especiarias.

Em 1524, o navegador, então já titulado de Conde da Vidigueira, faz a sua terceira viagem à Índia, onde chega na qualidade de vice-rei daquele território, enfrentando a difícil tarefa de controlar e por fim a diversos desmandos e abusos.

Governa apenas por um período de três meses e adoece, acabando por morrer a 25 de Dezembro, em Cochim. O seu corpo seria depois enviado para Lisboa.

 

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Equinócio de Outono – Mabon


 

Equinócio de Outono – Mabon

O Equinócio de Outono, Mabon, é a época do fim das colheitas, um momento dedicado a agradecer aquilo que temos.

Este período é o do equilíbrio entre a luz e a escuridão. O calor ficou para trás e o frio aproxima-se.

A tradição de celebrar o Equinócio de Outono é transversal e data de vários milhares de anos.

De entre as celebrações mais conhecidas contam-se as festas portuguesas a propósito das vindimas, bem como a famosa Oktoberfest, na Bavária alemã, enquanto na China se festeja a Lua da Colheita, em honra da unidade familiar. Saliente-se ainda que, na sua forma original, o feriado norte-americano da Acção de Graças era no início de Outubro, tendo por objectivo agradecer as colheitas.

Os meus verdadeiros heróis


Os Meus Heróis

Numa época em que em Portugal praticamente ninguém falava na importância da conservação da Natureza (com excepção do Jardim Zoológico de Lisboa), é espantoso que a infância da minha geração tenha sido tão profundamente marcada por três figuras mundiais para as quais a Terra era (e é) o verdadeiro lar.

Numa próxima ocasião, colocarei as minhas impressões pessoais sobre estas figuras maiores. Quero ouvir as vossas.

Sem qualquer ordem de importância, seguem pequenas biografias daqueles que são, muito provavelmente, os meus verdadeiros heróis: Jacques Cousteau, David Attenbourough e Félix Rodriguez de la Fuente.

Jacques Cousteau

Jacques Cousteau

Jacques Cousteau nasceu a 11 de Junho de 1910 na pequena localidade francesa de Saint André de Cubzac.

Pioneiro em diferentes áreas no que respeita à exploração dos territórios submarinos, há um equipamento em cujo desenvolvimento colaborou que se destaca, quer pela surpresa que provocou na época, quer pela sua utilidade, o aqualung. Cousteau tinha 33 anos quando, em conjunto com outros exploradores, criou o aqualung, que permitiu aos investigadores descer às profundezas do mar por longos períodos e mostrar ao mundo um mundo até então praticamente desconhecido.

Facilmente reconhecido pela sua figura esguia encimada por um gorro de lã vermelha, as viagens de Cousteau a bordo do Calypso ofereceram-nos a possibilidade de, através dos seus inúmeros documentários e séries televisivas, conhecer e contactar com factos que pareciam, até então, pertencer ao domínio dos livros de Júlio Verne. Saliente-se a extensa investigação que desenvolveu sobre as capacidades do sonar dos golfinhos, bem como os trabalhos sobre a necessidade de proteger os oceanos dos lixos radioactivos e da sua exploração excessiva pelo Homem.

Em 1996, Cousteau e a sua equipa sofreu um enorme revês, quando o histórico Calypso afundou na sequência de uma colisão acidental em Singapura. Actualmente, o mais reconhecido navio do mundo está a ser recuperado na costa francesa, fruto de um projecto coordenado pela viúva do investigador, Francine Cousteau, e desenvolvido pela Sociedade Cosuteau.
O Calypso foi construído em Seattle, nos Estados Unidos, durante a II Guerra Mundial. Em 1950, e depois de ter servido a Marinha britânica em 1943 e de ter funcionado como ferry no pós-guerra, foi comprador por um milionário irlandês que o alugaria a Cousteau por um preço simbólico: um franco por ano.

Cousteau morreu em 1997.

Tal como relembra o director da Sociedade Cousteau para a Ciência e Ambiente, Tarik Chekchak, “os oceanos ocupam cerca de 72 por cento da superfície do nosso planeta e contêm mais de 97 por cento da água existente na Terra. Foi neles que a vida surgiu há cerca de 3.8 mil milhões de anos e permanece hoje como o maior espaço com vida no universo conhecido. Contudo, o Homem conhece menos de 20 por cento da sua totalidade e já danificou a maior parte.”

http://www.cousteau.org/

David Attenborough

David Attenborough

David Frederick Attenborough nasceu em Londres a 8de Maio de 1926 e formou-se em Ciências Naturais em Cambridge e em Antropologia na London School of Economics.

Em 1950 aceitou um estágio na jovem estação de televisão BBC, embora ele próprio não possuísse um televisor e tivesse assistido apenas a um único programa. Começava assim uma longa carreira que se mantém até aos dias de hoje.

Os trabalhos dedicados ao planeta Terra e às suas mais diversas formas de vida que produziu e/ou apresentou são inúmeros. Contudo, há uma que se destaca na memória de todos: “A Vida na Terra”, de 1979.

O seu trabalho mais recente está em exibição um pouco por todo o mundo: “A Vida a Sangue Frio”, um conjunto de programas dedicado aos répteis. Para 2011 espera-se a estreia de uma série de seis episódios, intitulada “The Frozen Planet”.

“O futuro da vida na Terra depende da nossa habilidade de reagir a problemas. São muitos os indivíduos que fazem o que podem, mas o sucesso real só pode acontecer se existir uma mudança na nossa sociedade, economia e política. Eu fui afortunado por poder ver, ao longo da minha vida, alguns dos maiores espectáculos que a Natureza tem para oferecer. Nós temos a responsabilidade de deixar para as gerações futuras um planeta que seja saudável e habitável para todas as espécies”.

http://www.davidattenborough.co.uk/

 

Félix Rodríguez de la Fuente

Rodriguez de la Fuente

Félix Samuel Rodríguez de la Fuente nasceu em Poza de la Sal, na provincia de Burgos, em Espanha, a 14 de Março de 1928.

Licenciado em medicina, foi um autodidacta em biologia, tendo desenvolvido diversos estudos que se revelaram fundamentais para o conhecimento do comportamento de determinadas, em particular das autócnes da Península Ibérica, como foi o caso do desenvolvimento de relações entre os elementos de uma alcateia.

A sua produção televisiva mais conhecida, “O Homem e a Terra”, que contava também com a sua apresentação, foi para o ar entre 1974 e 1980.

Para além do seu trabalho sobre a fauna e a flora da Península, Rodríguez de la Fuente explorou também outros cantos do planeta, tendo sido guia de safaris fotográficos em África. Morreria em 1980, no Alasca, nos Estados Unidos, enquanto realizava uma filmagem aérea para um documentário.

http://www.felixrodriguezdelafuente.com/

Onde estavam no 11 de Setembro de 2001


Onde estavam no 11 de Setembro de 2001

Tal como pergunta a estação televisiva SIC, “onde estava no 11 de Setembro de 2001?”

Eu sei claramente onde estava, apesar de a memória ter enfraquecido ao longo dos anos mais recentes, fruto das rasteiras próprias do envelhecimento (leia-se maturidade) e dos caminhos inesperados da saúde ou da ausência dela, é curioso como se recordo de pormenores insignificantes. Curiosamente, não tinha qualquer ideia da existência das Tlim Towers, pese embora, como viria a descobrir mais tarde, alguém de visita à Big Apple me tenha enviado fotografias do Hudson captadas de um dos andares-miradouro das gigantes de aço…

Passavam poucos minutos das duas da tarde quando regressei ao trabalho depois de um almoço com um familiar que me oferecera bilhetes para a ópera de Donizetti,  “O Elixir do Amor”.

Ao chegar, uma colega comentou, quase em jeito de fait-divers, que acabara de ouvir na rádio que um avião embatera no Empire State Building.

Entre a surpresa de tal acidente e os comentários em fase de rápida evolução para teoria, ocorreu-nos ligar o televisor.

O espanto cresceu quando percebemos que não tinha sido o Empire State Building o atingido, mas sim uma gigantesca torre de aço que nenhum de nós identificaria se não fosse o pivô de serviço que, tão surpreendido como os espectadores, fazia aquilo que é conhecido como “encher chouriços”.

Elaborámos teorias diversas sobre o que poderia ter provocado tal inusitado incidente e o que seriam as equipas de emergência capazes de fazer para ajudar as vítimas.

Procurando racionalizar a questão, percebi que nenhuma equipa de emergência teria os recursos e os métodos necessários para resgatar as pessoas que estavam nos pisos acima da abertura provocada pela aeronave que, pensávamos então, ter ficado descontrolada.

Pelas leis da física, o fumo sobe, o que impediria qualquer evacuação para o topo do edifício. E nenhum helicóptero conseguiria aproximar-se o suficiente para retirar quem quer que fosse. E mesmo que conseguisse, a estrutura do gigante de aço não se aguentaria erguida o tempo necessário para salvar todas as pessoas que ascenderiam ao topo.

Evitei verbalizar a ideia por saber quão aflitiva era a evidência e como seria profundamente perturbadora para alguns dos que comigo assistiam.

Cautelosamente, olhei em redor e percebi, numa breve troca de olhares, que mais alguém chegara à mesma dura realidade que eu.

Alguém também percebera que os bombeiros não tinham forma de combater um incêndio provocado por combustível de avião a uma altura daquelas. Igualmente, parecia ter poucas dúvidas – e as que subsistiam resultavam, no meu caso, da terminante recusa do consciente em admitir o horror do inevitável, que o edifício não se conseguiria manter de pé.

Contudo, por esta altura, tudo aquilo nada mais era que um tenebroso acidente.

Subitamente, o tapete por baixo do nosso racional foi violentamente puxado pelo embate do segundo avião na segunda torre, a meio, quase tão preciso como um exercício de geometria.

O silêncio instalou-se na sala e também no televisor. O pivô fora tão apanhado de surpresa como nós.

De repente, tudo ficou claro na minha mente: não havia aviões descontrolados, não havia acidentes, nem sequer um trágico acaso.

Seguiram-se o Pentágono e a Pensilvânia e já todos nos deitávamos a adivinhar qual seria o próximo alvo. E como poderia uma nação tão poderosa como os Estados Unidos ser tão facilmente atacada em tão diferentes frentes.

Um estado de inacção avançou sobre todos nós, uns por medo, outros por surpresa, outros pelas duas coisas e prolongou-se pelos dias seguintes, alimentado pelas imagens que invadiram a imprensa, as televisões e a internet, pelos constantes directos e edições extra aos quais, por mais que desejássemos, não éramos capazes de fugir. Todos nós sentíamos a necessidade quase inexplicável de saber mais, como se conhecêssemos aquelas pessoas. Ou como se a tão desejada explicação que não existe para tal acto fosse surgir em rodapé no ecrã do televisor.

A confusão dos dias seguintes originou situações que, se até ali me irritavam, passaram a meter-me nojo e, nalguns casos, até a levar-me ao ódio no sentido mais literal. E sem quaisquer pesos na consciência ou sombra de remorso por tal, posso assegurar-vos.

A primeira tem a ver com aquelas criaturas que, aparentando ser humanas, nada mais são que aglomerados de células e que consideraram um perfeito exagero as manifestações de sofrimento dos familiares das vítimas dos ataques do 11 de Setembro (e não serão elas próprias igualmente vítimas?).

Como aquele boçal psicopata que, assistindo a um episódio de uma irmã de uma das vítimas que caíra num estado catatónico, me brindou com uma pérola de sabedoria médica, garantindo que a mulher estava apenas a fingir porque a catatonia não é reconhecida pela medicina. Com a veemência de um fundamentalista, assegurou que um ser humano que se preze “atira com o sofrimento para trás das costas” – ou seja, fica com ele no peito o que, no sentido figurado, faz sentido – e não faz “aquele espectáculo”, a não ser para “chamar as atenções sobre si”.

Sempre associados a personalidades psicóticas como esta vêm os grandes sabedores da vida e detentores de todo o conhecimento, como se uns não pudessem viver sem os outros – sorte mesmo era, pelo menos para nós, a maioria, que não vivessem de todo…  – e que se apressaram a condenar a actuação da polícia e dos bombeiros nova-iorquinos. Segundo estas cabeças que se auto-denominam de iluminadas, as autoridades actuaram da forma contrária ao que deveria ter sido feito. Naturalmente, quando questionados sobre qual seria o modus operandi mais correcto numa situação até então inédita, nenhum soube responder.

Depois, a estupidez, ou total ausência de QI associada a evidentes e profundas dificuldades de aprendizagem daqueles que se dedicaram a criar teorias da conspiração a propósito de tudo o que rodeou o 11 de Setembro. Até ali achava alguma graça a estes pobres coitados que acreditam ser tão importantes que um governo se incomodaria com eles e que não entendem – devido ao reduzido número de neurónios funcionais – que a Administração nem sequer toma conhecimento da sua existência.

No entanto, na época, a profusão de disparates foi de tal forma avassaladora – desconhecia a existência de tão grande número de gente asinina e desocupada no planeta (o próximo Censos deverá incluir uma perguntar sobre isto) – que a graça passou a desgraça e actualmente apetece-me apenas regurgitar sobre essas “pessoas”. Em particular, quando se julgam no direito, e na posse das capacidades necessárias, para me fazerem uma lavagem cerebral ao ponto de descer ao nível rastejante deles.

De repente, como se nada fosse, pestanejamos por uns momentos e passaram-se dez anos.  Várias guerras, inúmeros atentados e nenhuma explicação que eu – bem como tantos de vocês que estão aí desse lado – possa aceitar como plausível.

E vocês, onde estavam no 11 de Setembro de 2001?


Feira da Luz, há 501 anos a animar Lisboa


Feira da Luz, a mais antiga de Lisboa

 

“Ligada à tradicional romaria que se realiza anualmente, em Setembro, no Santuário de Nossa Senhora da Luz, a feira era complemento das festividades religiosas que duravam vários dias, atraindo numerosos forasteiros da capital e arredores. Embora se possa considerar tão antiga como o próprio culto e remonte, certamente, à Idade Média, foi durante os séculos XVI e XVII que começou a adquirir maior projecção.

 

A romaria da Luz era muito concorrida e chegou a ter participação do Sírio da Senhora do Cabo que já vinha regularmente à pequena ermida do Espírito Santo desde 1437.

 

Mas, numa área essencialmente rural, os principais devotos eram os trabalhadores rurais de toda a zona norte do termo de Lisboa e até os saloios de Mafra e Sintra. Por isso, as festividades religiosas e a feira que se lhe seguia passaram a realizar-se em Setembro, no final das colheitas de verão.

 

Todos os membros da nobreza em veraneio nas quintas do Lumiar, Benfica e Carnide e muitos vindos propositadamente da capital, bem como membros da Casa Real participavam ou faziam-se representar. No cortejo, a imagem de Nossa Senhora era levada numa berlinda real e acompanhada por dois coches onde seguiam os reis. O numeroso cortejo percorria as ruas de Carnide e voltava ao Santuário.

 

No início, a feira surgiu integrada nas festividades religiosas com barracas de comes e bebes, vendedores de medalhas, registos de santos, rosários e objectos religiosos.

 

Pouco a pouco, foi-se ampliando e surgiram os louceiros, vendedores de fruta, cesteiros e, por último, os negociantes de gado.

 

Chegou a realizar-se um mercado de gado, quinzenalmente, no segundo domingo de cada mês, mas a feira anual era o grande atractivo para os negociantes de cavalos e de gado vacum. Em 1881, por regulamento camarário (Câmara de Belém), a feira passou de três para cinco dias com mercado de gado de 8 a 11 de Setembro e os restantes produtos nos seguintes.

 

As barracas agrupavam-se no Largo da Luz e havia manifestações populares como corridas de bicicletas, jogos e competições desportivas, fantoches e teatro de rua. Os petiscos eram famosos, nomeadamente as farturas.

 

Os aristocratas deslocavam-se em carruagens próprias e os populares iam de burro ou a pé. Quando se inaugurou o elevador de S. Sebastião da Pedreira, em 1899, o percurso ficou mais encurtado, através da Estrada da Luz, por Sete Rios. Em 1929, com o estabelecimento da linha de eléctricos que ligava os Restauradores a Carnide, a acesso ficou facilitado e foi estabelecido um novo calendário, prolongando-se a feira desde o primeiro sábado até ao último domingo de Setembro.”

 

in “Lisboa, freguesia de Carnide” de Maria Calado e Vitor Matias Ferreira


Periodicidade: anual, em Setembro

Horário de funcionamento: todos os dias, das 11 às 24.00 horas

Produtos comercializados

Produtos alimentares: Confecção e venda de produtos alimentares em unidades amovíveis.

Produtos não alimentares: – Olarias, roupas, vergas, louças, móveis, artesanato entre os mais diversos artigos.

Localização: no Largo da Luz, freguesia de Carnide

Anta de Pendilhe


Anta de Pendilhe

Anta de Pendilhe

A Anta de Pendilhe, conhecida entre os locais como Casa da Moura, é um dos sítios arqueológicos de relevância maior da Beira Interior, sendo considerada a maior necrópole do distrito de Viseu, merecendo como tal a classificação como Imóvel de Interesse Público (Decreto n.º 5/2002, DR, 1ª Série – B. nº 42, de 19 de Fevereiro de 2002).

Localizada na freguesia de Pendilhe, no concelho de Vila Nova de Paiva, distrito de Viseu, este monumento megalítico assume também a designação de Orca de Pendilhe ou Orca da Moira e terá sido edificada por volta do quarto milénio A. C. ou já no início do terceiro milénio.

Este dólmen é constituído por uma câmara funerária de nove esteios (apoios), de planta poligonal (o maior dos quais corresponde ao de cabeceira, onde existiram pinturas), e chapéu de cobertura composto por uma laje granítica. Ao contrário do que é mais habitual nas necrópoles suas contemporâneas, o corredor é formado por um aparelho xistoso de feição rectangular de tamanhos diversos, atingindo cerca de quatro metros. Neste caso, resistem apenas dois dos esteios primitivos.

A mamôa – ou tumulus – foi destruída fruto dos sucessivos trabalhos agrícolas desenvolvidos nas suas imediações.

A sua designação mais popular, a Casa da Moura, assenta em diversas lendas da região, segundo as quais este tipo de edificação se ficaria a dever aos muçulmanos e aos seus mitos de mouras encantadas, que no imaginário nacional substituíram as fadas tradicionais noutras paragens.

Esta foi a convicção até ao último quartel do século XIX, quando o despontar da arqueologia moderna lhe atribuiu uma origem anterior às Sagradas Escrituras, nomeadamente, ao período Neo-calcolítico.

Pendilhe é uma freguesia portuguesa do concelho de Vila Nova de Paiva, com 24,21 km² de área e 648 habitantes (2001). Densidade: 26,8 hab/km².

Foi vila e sede de concelho até 1834. Era constituído apenas pela freguesia da sede e tinha, em 1801, 496 habitantes.

Área: 24,21 km2

População (2001): 648

 Densidade: 26,8/km2 

Gentílico: pendilhense

Orago: Nossa Senhora da Assunção

40° 54′ 18″ N 7° 50′ 07″ O

Marquês de Pombal – Heróis Populares Portugueses (9)


Marquês de Pombal

Heróis Populares Portugueses (9)

 

Marquês de Pombal

Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como Marquês de Pombal e Conde de Oeiras, títulos atribuídos pelo rei D. José I (em 1769 e 1759, respectivamente), nasceu em Lisboa, 13 de Maio de 1699 numa família nobre, embora pouco endinheirada. Estudou na Universidade de Coimbra e casou, aos 23 anos, com uma senhora 10 anos mais velha e viúva.

Entre 1738 e 1749, representou Portugal em Londres (Inglaterra) e em Viena (Áustria) em missões diplomáticas. Na Áustria casou, em segundas núpcias, com D. Leonor Daun.

Quando D. José subiu ao trono, depois da morte de D. João V, Sebastião José de Carvalho e Melo foi chamado de volta à corte de Lisboa para ser foi nomeado secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.

Durante o seu trabalho como ministro, o Marquês de Pombal realizou diversas reformas, algumas das quais de carácter polémico, como a decisão de expulsar os Jesuítas, recorrendo para tal através ao encerramento de vários colégios que eles tinham. Confiscou os bens da Companhia de Jesus já que considerava que a sua influência na sociedade portuguesa e as suas ligações internacionais eram um entrave ao fortalecimento do poder régio. No que à educação diz respeito, adoptou novos métodos pedagógicos e criou novas escolas, entre as quais se destaca o Real Colégio dos Nobres.

O ministro do rei granjeou diversas inimizades, quer pelas suas atitudes que retiravam poder às grandes famílias, quer pelos muitos abusos de poder que protagonizou. De facto, empenhou-se fortemente no reforço do poder régio, diminuindo em paralelo o poder de algumas casas nobres. Um dos casos mais conhecidos foi o do processo dos Távora. A 13 de Janeiro de 1759, sob a acusação de atentarem contra a vida do rei, o duque de Aveiro, o marquês de Távora e a sua mulher foram torturados e executados em acto público.
Entretanto, a interrupção na exploração do ouro brasileiro conduziram as finanças do Reino ao descalabro, levando o marquês a retomar a política de fomento industrial que fora iniciada com o conde da Ericeira.

Contudo, uma das suas maiores reformas reúne consenso ainda na actualidade: a reconstrução da cidade de Lisboa depois do terramoto de 1755. Para além de redesenhar uma traça mais funcional e mais promotora da saúde pública, o Marquês aproveitou grande parte dos destroços para reutilizar nas novas edificações e reuniu-se dos especialistas da época para chegar uma construção anti-sísmica assente em conceitos que se mantêm válidos na actualidade.

Com o falecimento de D. José I, em 1777, a oposição ao marquês tornou-se muito activa e D. Maria I mandou realizar uma sindicância aos seus actos.
O Marquês, que atribuiu todas as responsabilidades a D. José I, exilou-se então em Pombal, na sequência do degredo a que fora votado e que lhe perdoava uma ida para o estrangeiro devido à sua idade avançada (estava nos 80 anos).

Faleceu a 8 de Maio de 1782 no seu palácio de Pombal.