25 de Abril 40 Anos


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“E esse cravo de Abril

renasce todos os anos

com o aroma dos afectos

para fazer novos planos

E no fundo para lembrar

que Abril não acabou

pois não é só uma data

mas o futuro que começou

O que trago na lapela

é filho de um outro cravo

que no peito de um soldado

foi de todos o mais bravo”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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“E neste álbum antigo

na velha fotografia

é a flor que soletra

o nome da poesia

Era uma vez um cravo

num história sem idade

e eu ao lembrá-lo em verso

escrevo sempre Liberdade”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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25 de Abril 40 Anos


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“E sendo cravo de Abril

no bico de um verde-gaio

voou de praça em praça

até ao Primeiro de Maio

Era uma vez um cravo

nascido no mês mais puro

com pétalas de esperança

e perfume de futuro

E uma pétala que eu guardo

dentro de um livro antigo

é a lembrança viva desse tempo tão amigo”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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“Amigo das coisas boas,

dos sonhos com vozes de ouro

das estrelas que amanhecem

com um brilho de tesouro

E a D. Floripes

que deu cravos na cidade

ainda chora se lhe lembram

o Dia da Liberdade

O cravo murchou, morreu

porque um cravo não se ilude

e sabe que é só exemplo

para acordar a juventude”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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25 de Abril 40 Anos


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“E o cravo desta história 

em vez de morrer cedo

durou ainda uns dias

sem revelar o segredo

Mas o segredo era um

e bem fácil de contar:

a água que o conservava

era a fonte do olhar

E esse dia vinte e cinco

eterno no calendário

lá fez entrar na história

um cravo solitário”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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“Solitário mas cercado

de irmãos muito fiéis

que entraram a seu lado

nas paradas dos quartéis

E esse cravo de Abril

de uma loja de Lisboa

lá passou de mão em mão

como uma notícia boa

Não murchou nas espingardas

nem tão pouco nas lapelas

e enfeitou os sorrisos

das crianças às janelas”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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25 de Abril 40 Anos


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“Trouxe do mesmo molho

outros cravos bem garridos

um por cada chaga

de tantos anos sofridos

E a loja ficou vazia

de cravos nessa manhã

que se encheu com aromas

de alecrim e romã

E a D.Floripes

foi à Praça da Ribeira

encomendar muitas dúzias

sempre à mesma vendedeira”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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“Queria alguns de reserva

para entregar à chegada

aos filhos que iam voltar

num data anunciada

Queria também alguns

para pôr na sepultura

do pai sempre lembrado

com saudade e com ternura

“Este dia festejado

era o seu afinal

chegado com muito atraso

às praças de Portugal”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

Diapositivo6

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“E de tanto viajar

de umas mãos para outras mãos

o nosso cravo de Abril

fez dos amigos irmãos

Irmãos num sonho antigo

vivido com muitas cores

e agora a guerra de África

era batalha de flores

Já não era a preto e branco

este país renascido

coloria-se em festa

por tudo fazer sentido”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

Diapositivo2

“E o cravo desta história

lá ficou de atalaia

até chegar à lapela

do capitão Salgueiro Maia

Era o homem dos tanques

que vinha de Santarém

e fez render o terror

que andava num vaivém

O cravo de praça em praça

foi tingindo de alegria

o rosto de uma cidade

com asas de poesia”

José Jorge Letria in Era uma vez um cravo

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