Hallow’s Eve à portuguesa/Portuguese Hallow’s Eve


 

Máscaros de Vila Boa, Vinhais

 

Hallow’s Eve à Portuguesa

Ao contrário do que se diz por aí, a tradição de celebrar a noite do 31 de Outubro também existe em Portugal desde tempos imemoriais. Claro que não envolve abóboras recortadas ou chapéus de bruxa, mas muitas assentam em antigos ritos pagãos aos quais se associaram, mais tarde, as celebrações de inspiração cristã, como o Dia de Todos-os-Santos.

As celebrações próprias do paganismo associam este período do ano a uma renovação, grosso modo, a uma passagem de ano. Em Portugal, existem duas tradições que se assinalam a 31 de Outubro e a 1 de Novembro: a mais conhecida, o Pão por Deus, e a mais antiga, a Festa da Cabra e do Canhoto.

Considerada como uma das festas mais genuínas de Portugal, a Festa da Cabra e do Canhoto, que se realiza na noite de 31 de Outubro na aldeia de Cidões (concelho de Vinhais), tem origens remotas mas continua a celebrar-se hoje tal como se fazia no tempo em que os celta-iberos caminhavam pelo território da Península.

Na noite de 31 de Outubro, a população de Cidões esconjura os demónios confeccionando uma refeição festiva com a mais tradicional representação do demo: a cabra. O animal, velhas e boas cabras às quais a população chama de machorras por serem estéreis, é cozinhado em potes de grandes dimensões, sobre o fogo intenso do chamado canhoto, um tronco, e acompanhado por pão de lenha, castanha assada, maçãs, figos e nozes. O canhoto é queimado junto a um cruzamento, que a mística popular associa às práticas de bruxaria.

Tudo bem regado a vinho e a aguardente queimada.

A noite é também assinalada com o relato de histórias antigas destinadas a arrepiar a provocar arrepios na espinha e das tropelias dos rapazes que, após o repasto, percorrem a aldeia roubando vasos de flores e outros objectos, montados num carro de bois cujo chiar se prolonga na noite para não deixar ninguém dormir. A atitude dos mancebos reproduz o caos próprio do fim de um ciclo e do princípio de outro, trazendo assim ao presente o rito pagão da mudança de ano.

Várias são as localidades portuguesas onde, na manhã de 1 de Novembro, dia de Todos os Santos, logo as crianças vão para a rua em pequenos grupos para pedir o “Pão por Deus”. Batendo de porta em porta, vão enchendo os seus sacos de pano com pequenas delícias que vão desde a fruta, da época – romãs, maçãs, castanhas – e seca – nozes, passas de figo -, até às guloseimas como os rebuçados, bolachas e chocolates. Nalguns casos, há mesmo quem dê pequenas quantias de dinheiro.

Até há alguns anos atrás, os sacos, de chita, eram feitos pelas mães e pelas avós, enquanto algumas das mulheres confeccionavam biscoitos de erva-doce com o formato de uma ferradura para darem às crianças.

As crianças pediam as guloseimas com cantilenas que caíram já em desuso:
“Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Que estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz

Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de se levantar
P´ra vir dar um tostãozinho.”

Agradeciam os presentes com mais quadras:

“Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.”

E manifestavam o seu desagradado da mesma forma sempre que alguém se negava a ofertar-lhes as ambicionadas delícias:

“Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.”

Esta tradição tem origem em épocas em que a pobreza dominava e existia a real necessidade de pedir. Os de maiores posses recheavam as mesas com comida e bebida e recebiam os mais necessitados que comiam e bebiam à-vontade, trazendo consigo o que restava.

 

Os Máscaros de Vila Boa, Vinhais

Portuguese Hallow’s Eve

Unlike what people say, the tradition of celebrating the night of October 31 also exists in Portugal since immemorial times. Of course that does not involve carved pumpkins or witch hats, but many of this traditions are based on ancient pagan rites together with inspired Christian celebrations, like the Day of All Saints.
The pagan celebrations associate this time of the year to a renewal period, roughly, to a new year. In Portugal, there are two traditions that mark the 31of October and the November 1st: the best known, the “Pão por Deus” (Bread for God), and the oldest, the Festa da Cabra e do Canhoto (Feast of the Goat and the Bulk).

Considered one of the most authentic Portugal’s festivities, the Festa da Cabra e do Canhoto, to be held on the evening of the 31th of October in the village of Cidões (municipality of Vinhais), has ancient origins but continues to be celebrated today as it was when the Celtic-Iberians walked through the territory of the Peninsula.
On the night of the 31th of October, the population of Cidões averts demons with a festive meal with the more traditional representation of the demon: the goat. The animal, good old goats to which the population calls Machorro for being barren, is cooked in large pots on a intense fire called left-handed, a trunk, and accompanied by bread, roast chestnuts, apples, figs and nuts. The trunk is burned at a crossing, a place that people’s mystique associate with the practice of witchcraft.

All washed down with wine and burned brandy.
The night is also marked with the narration of ancient stories told to send shivers down the spine and with pranks from young men who, after a meal, walk the village stealing flower vases and other objects, mounted on a oxcart that sizzle the night away keeping everyone awake. The attitude of the young men represents the chaos of the end of an era and the beginning of another, bringing to mind the pagan rite of a new year.

There are several places in Portugal where, on the morning of November the 1st, All Saints Day, children run the streets in small groups to ask for the “Pão por Deus.”Knocking on doors, they will fill their cloth bags with small delights ranging from season’s fruits – pomegranates, apples, chestnuts – and dry fruits – nuts, dried figs – until goodies like sweets, biscuits and chocolates. In some cases there are even those who give small amounts of money.
Until a few years ago, the bags, made of calico fabric, were made by mothers and grandmothers, while some of the women made fennel biscuits shaped like a horseshoe to give to the children.
Children ask for the goodies with chants that have fallen into disuse:

“Cakes and Cookies
For me and for you
To give the deceased
Who are dead, buried
At the door of the cross

Knock! Knock! Knock!
The lady in there
Seated on a stool
Please stand up
To give me a penny.”

They thanked the present with more verses:

“This house smells of bread
Here lives a good people.
This house smells of wine
Here lives a holy saint. ”

And expressed their displeasure in the same way every time someone refused to offer them the coveted delicacies:

“This house smells like garlic
Here lives a scarecrow
This house smells like lard
Here lives a dead man. ”

This tradition has its origins in a time when poverty reigned and there was a real need to ask for food. The wealthier ones filled their tables with food and drink and the most needy ate and drank as they pleased, taking home what was left.

 

 

 

 


Centenário da República/Centenary of the Republic/Centenaire de la République/Centenario de la República II


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