Tubarão pré-histórico no Algarve


Tubarão pré-histórico no Algarve

No passado mês de agosto, durante um embarque, na costa algarvia, a bordo de um arrastão comercial, no âmbito do projeto MINOUW – ‘Iniciativa para a minimização de capturas das capturas indesejadas nas pescarias europeias’ (http://minouw-project.eu/), investigadores do IPMA e do CCMAR, registaram a captura de um tubarão com características pouco comuns.

©IPMA/CCMAR

©IPMA/CCMAR

Imagem relacionada

©IPMA/CCMAR

Verificou-se ser um macho da espécie tubarão-cobra (nome latino, Chlamydoselachus anguineus) (foto 1), com cerca de 1,5 metros. Este tubarão, um verdadeiro ‘fóssil vivo’, possui um corpo longo e esguio e uma cabeça que lembra a de uma cobra. Apresenta também uma dentição muito particular (foto 2), sendo a sua biologia e ecologia pouco conhecidas. Não obstante ter uma vasta distribuição geográfica, ao longo de todo o atlântico, desde a costa norueguesa, passando por águas escocesas, da Galiza, Açores, Madeira e Canárias, descendo a costa africana até ao Índico, atingindo, ainda, o Japão, Austrália e Nova Zelândia, não é muito frequentemente capturado devido às profundidades a que vive. O presente exemplar foi capturado aos 700 metros de profundidade.

In IPMA

https://www.ipma.pt/pt/media/noticias/news.detail.jspf=/pt/media/noticias/textos/tubarao-pre-historico.html

O tubarão-cobra (Chlamydoselachus anguineus) ou tubarão-enguia é uma espécie da família Chlamydoselachidae.

Esta espécie, que era considerada extinta, tem cerca de 2 m de comprimento e habita águas em profundidades que vão desde 600 a 1000 m. Tem uma importância económica reduzida (pesca).

O tubarão-cobra é uma das criaturas mais antigas que subsistem até aos dias de hoje. Já foram encontrados fósseis deste animal com cerca de 80 milhões de anos.

Um exemplar fêmea foi filmado em 24 de janeiro de 2007 numa rara aparição em águas pouco profundas do litoral do Japão, próximo da cidade de Shizuoka. No entanto, a espécie encontrava-se em péssimo estado físico e morreu apenas algumas horas após a captura.

A 21 de janeiro de 2015 foi capturado um exemplar nas águas de Victória, Austrália.

A 18 de Agosto de 2017 foi encontrado um destes tubarões no Algarve, a uma profundidade de 1200 m.

Chlamydoselachidae é uma família de tubarões que contém apenas o tubarão-cobra como espécie não-extinta.

Estado de conservação: Quase ameaçada

Classificação científica

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Chondrichthyes

Subclasse: Elasmobranchii

Superordem: Selachimorpha

Ordem: Hexanchiformes

Família: Chlamydoselachidae

Género: Chlamydoselachus

Espécie: C. anguineus

Nome binomial Chlamydoselachus anguineus (Garman, 1884)

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Joel Sartore no Zoo de Lisboa


Joel Sartore no Zoo de Lisboa

Joel Sartore fotografa no Jardim Zoológico para o projeto Photo Ark

18 de outubro de 2017

Projeto tem como objetivo construir a maior “arca fotográfica” do mundo

Após marcar presença na inauguração do Projeto Photo Ark na Galeria da Biodiversidade, Porto, Joel Sartore viajou até Lisboa para fotografar 11 espécies no Jardim Zoológico.

No dia 18 de outubro o Jardim Zoológico recebeu Joel Sartore para a realização de uma sessão fotográfica no âmbito do Projeto Photo Ark. O objectivo; fotografar 11 espécies diferentes, com os mais variados estatutos de conservação. As fotografias conseguidas vão integrar o projeto na exposição mundial, que abriu ao público no dia 18 de outubro e que terá uma duração de 6 meses, até dia 29 de abril.

O projeto Photo Ark nasceu pelas mãos de Joel Sartore com a missão de fotografar as espécies ameaçadas ou em perigo de extinção do mundo, sublinhando as características que as tornam únicas e irrepetíveis, sensibilizando deste modo para a sua extinção.

O objetivo de Joel Sartore é reunir no Photo Ark 12 mil fotografias de diferentes espécies oriundas de todo o mundo. Para o fotógrafo este é o momento de agir: “Esta é a melhor altura para salvarmos espécies porque são tantas as que precisam da nossa ajuda”

LISTAGEM DE ANIMAIS FOTOGRAFADOS NO JARDIM ZOOLÓGICO

MAMÍFEROS
Girafa-de-angola (Giraffa camelopardalis angolensis)
Impala-de-face-negra (Aepyceros melampus petersi)
Leopardo-da-pérsia (Panthera pardus saxicolor)
Leão-africano (Panthera leo)
Lobo-ibérico (Canis lupus signatus)
Macaco-de-nariz-branco (Cercopithecus ascanius ascanius)

REPTÉIS
Tartaruga-da-lama-de-adanson (Pelusios adansonii)

Serpente-rei-oriental (Lampropeltis getula getula)
Caimão-anão (Paleosuchus palpebrosus)

AVES
Gralha-preta (Corvus corone)

Milhafre-preto (Milvus migrans)

http://www.natgeo.pt/photoark

https://www.zoo.pt/site/novidades_detalhe.php?novidade=195

As minhas “estórias” do meu bairro VII


As minhas “estórias” do meu bairro VII

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

In

http://blx.cm-lisboa.pt/vidasmemoriasbairro

 

As minhas “estórias” do meu bairro VII – De volta aos colegas de escola

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Cá estou de volta aos colegas de escola. Da primária, sobretudo, porque o resto do meu percurso escolar é uma grande mancha distorcida. Um ou outro ficaram, mas nada de muito significativo.

Bom, na escola do Vale Escuro a minha colega de carteira era a C.C. que era, também, vizinha próxima, para aí uma ou duas ruas para além da minha. Menina docinha, de risco ao lado com um gancho a segurar a franja, companheira de brincadeiras mais femininas, como vestir e despir bonecas e admirar os modelos da revista Burda que sonhávamos em  transformar em roupas para as nossas “filhas” de plástico e borracha.

A C.C. tinha uma casa que me parecia fantástica. À primeira vista, era um apartamento como todos os outros, mas guardava um enorme segredo no sótão: os quartos dela e da irmã mais nova. Era o sonho de qualquer criança, dormir no sótão. E elas podiam.

Da C.C. e da irmã vou sabendo que estão bem e recomendam-se, notícias que recebo com frequência – felizmente – pelos pais.

Havia também o P.A., o miúdo sardento que era o mais alto de todos, ou talvez não fosse, mas é assim que a minha memória o guarda. A sua franja traquina estava de acordo com a sua personalidade irrequieta mas amável e mais amigo do seu amigo.

E o L., o sempre atinadinho que sabia a lição na ponta da língua mas que não conseguia controlar o cabelo lisinho como as folhas das árvores por mais que se esforçasse. Ao longo dos anos conseguiu domar o cabelo, mas, quando voltou a ser meu colega na secundária, continuava a ser o mesmo atinadinho de sempre. Tratava-me então pelo apelido como se estivéssemos na tropa e embirrava comigo por eu gostar de séries policiais britânicas. E eu embirrava com ele por ser tão atinadinho.

Sem esquecer a E., que morava num prédio enorme no cruzamento da grande artéria da freguesia com a maior praça cá do sítio. Com um certo ar de menina saída de uma adaptação dos anos 70 de uma personagem de Enid Blyton, dava umas ótimas festas de aniversário. Se bem que as melhores memórias não eram propriamente das festas, mas sim dos livros de aventuras dos 5 e dos 7 que emprestávamos uma à outra.

Mais tarde ou mais cedo, os colegas de escola estarão de volta.

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix
Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

“Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas

Edições Fénix

Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

À venda em todas as livrarias e online

 

Ross 128


Space Today

FEATURE:

Ladies and gentlemen, it has a temperature that could possibly sustain life and it’s in our backyard.

Please, meet Ross 128, the planet a team of astronomers (with a Portuguese contribution, by C. Santos, from the Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, say could have potential to be a new Earth.

A temperate exo-Earth around a quiet M dwarf at 3.4 parsecs?

Bonfils , N. Astudillo-Defru, R. Díaz, J.-M. Almenara, T. Forveille, F. Bouchy, X. Delfosse, C. Lovis , M. Mayor, F. Murgas, F. Pepe , N. C. Santos, D. S´egransan , S. Udry, and A. Wunsche

In  Journal Astronomy and Astrophysics

https://www.eso.org/public/archives/releases/sciencepapers/eso1736/eso1736a.pdf

Five Things You Should Know About Ross 128, A New (Potentially Habitable) Planet

If we screw up this Earth, we may have found a backup.

Scientists say they’ve discovered a new planet called Ross 128 b that could possibly sustain life. And…

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“É claro que é um grande romance, fui eu que o escrevi!”


ENTREVISTA ANTÓNIO LOBO ANTUNES

NUNO FERREIRA SANTOS/Público

 

“É claro que é um grande romance, fui eu que o escrevi!”

Sentiu “a mão muito feliz” ao escrever o romance, mergulho profundo em memórias para indagar sobre o amor, a morte, a vida. É a relação entre um pai e um filho, a guerra de África em fundo. Eis António Lobo Antunes, agora, a não encontrar o rapaz que foi.

In Público

https://www.publico.pt/2017/11/10/culturaipsilon/entrevista/e-claro-que-e-um-grande-romance-fui-eu-que-o-escrevi-1791615

Capelinhos, 60 anos depois


Capelinhos, 60 anos depois

capelinhos

O Vulcão dos Capelinhos é reconhecidamente um marco na vulcanologia mundial. O episódio mais recente de vulcanologia ativa de dimensão relevante em Portugal, iniciou-se no dia 27 de setembro de 1957 localizado na Ponta dos Capelinhos, ilha do Faial. 
Esta erupção durou 13 meses e aumentou a área territorial de Portugal . A RTP Açores associa-se às comemorações dos sessenta anos com a transmissão em direto de um programa para assinalar o acontecimento.

In RTP

https://www.rtp.pt/play/p3910/vulcaodoscapelinhos60anos

O vulcão dos Capelinhos teve origem numa erupção submarina a 27 de Setembro de 1957 e esteve em actividade durante 13 meses. É um dos vulcões mais paradigmáticos do mundo da vulcanologia, apresentando ainda hoje uma paisagem inóspita. Está integrado no Parque Natural do Faial como Area Protegida para Gestão de Habitats ou Espécies dado o seu elevado interesse geológico, biológico e paisagístico.

A visita ao Centro de Interpretação é fundamental para conhecermos a génese e evolução do vulcão dos Capelinhos assim como a história geológica da formação do arquipélago dos Açores.

ERUPÇÃO DO VULCÃO DOS CAPELINHOS

Na madrugada do dia 27 de Setembro de 1957, com a terra balançando continuadamente, os “vigias da baleia” do Costado da Nau, a escassos metros acima do Farol dos Capelinhos, notaram o oceano revolto a meia milha da costa, para os lados de oeste. Assustados, desceram ao farol, alertaram os faroleiros e os seus companheiros de baleação no porto do Comprido. Não era baleia, nem cachalote nem outro bicho qualquer – o mar entrava em ebulição e havia cheiros fétidos! – é assim que descreve  o início do vulcão dos Capelinhos, o vulcanólogo açoriano, Vitor Hugo Forjaz. 

Do ponto de vista científico, o vulcão dos Capelinhos é uma jóia da vulcanologia por ser o único no mundo a ser fotografado, filmado, observado, estudado e interpretado desde o início até ao seu adormecimento, período que durou 13 meses.

O impacto deste fenómeno foi tão grande que chegaram à ilha jornalistas, fotógrafos, cientistas e vulcanólogos nacionais e estrangeiros, entre eles Haroun Tazief. 

A então jovem Rádio Televisão Portuguesa faz, nos Capelinhos, a primeira reportagem de exterior da sua história e a “Paris Match” e a “ National Geographic Magazine” entre outras publicações, enchem páginas e divulgam pelo mundo o nome dos Açores, da ilha do Faial e do vulcão dos capelinhos. 

Do ponto de vista humano e social, este incrível fenómeno da natureza veio mudar a vida da população. Para além dos sismos constantes, que se fizeram sentir durante mais de um ano, os campos agrícolas ficaram soterrados pelas areias e cinzas expelidas e as habitações das imediações ruíram com o seu peso. Famílias inteiras perderam os seus bens e o seu sustento. Este episódio da vida faialense irá provocar a breve trecho, um êxodo migratório para os Estados Unidos da América facilitado pela proposta de lei do então senador John Fitgerald Kennedy no Congresso Norte Americano, conhecida como “ 1958 Azorean Refugee Act” e através da qual se autorizava a imigração de todas as famílias afetadas. Emigraram então cerca de 15.000 pessoas, ficando a população reduzida a quase metade. 

Mas para muitos foi o virar de uma página de vida dura e pouco auspiciosa. A emigração proporcionou-lhes um novo mundo a explorar, novas profissões e outra qualidade de vida. As gerações mais novas cresceram e estudaram vindo muitos deles a ocupar cargos com distinção na vida social, académica e politica neste país de acolhimento. 

Mais de 50 anos passados, o Vulcão dos Capelinhos, que fez surgir o “pedaço” de terra mais jovem de Portugal é um verdadeiro ex-libris dos Açores, mencionado em todos os guias turísticos como local a visitar não só pela impressionante paisagem que proporciona como pela importância cultural e cientifica do Centro de Interpretação ali edificado.

In Câmara Municipal da Horta

http://turismo.cmhorta.pt/index.php/pt/oquevisitar/vulcao-dos-capelinhos

No dia 27 de Setembro de 1957, pelas 6:45 da madrugada, uma erupção vulcânica iniciou-se junto aos ilhéus dos Capelinhos, na Ilha do Faial – Arquipélago dos Açores, depois de 12 dias de abalos sísmicos. O fenómeno surgiu no mar, a 20-60 metros de profundidade, com a emissão de vapor de água e gases. A erupção, do tipo surtseiano, prolongou-se por 7 meses e meio. Durante esta fase sucediam-se grandes explosões, com a emissão de jactos pontiagudos de cinzas negras e densas nuvens de vapor de água, devido ao contacto da lava incandescente com a água fria do mar. Logo no início, formou-se uma pequena ilhota, baptizada de Ilha Nova, que atingiu 100 metros de altitude. O vulcão era incerto e os períodos de maior actividade alternavam com outros de acalmia. Durante os abrandamentos da erupção, ocorriam afundamentos das vertentes do cone, levando mesmo à submersão da Ilha Nova. No entanto, as frequentes emissões de cinzas criaram novas ilhas que acabaram por se ligar à costa antiga da ilha do Faial através de um istmo.

A meados de Dezembro ocorreu uma efémera fase subaérea efusiva. Na parte Leste do cone abriu-se uma fractura onde surgiram 7 repuxos de lava incandescentes que subiam até 10 ou 15 metros de altura, passando depois a concentrar-se em 3 chaminés onde as explosões estrombolianas se sucediam com intervalos de alguns segundos, acabando por voltar a apresentar características submarinas até Maio de 1958.

De Maio a Outubro de 1958, o vulcão tornou-se exclusivamente subaéreo (terrestre), com características estrombolianas. A passagem da fase submarina para a terrestre foi marcada por uma forte crise sísmica em que ocorreram cerca de 450 abalos na noite de 12 para 13 de Maio. A erupção apresentava períodos de grande explosividade, com projecção de fragmentos de lava incandescente a mais de 500 metros de altura, acompanhada por um forte ruído, intercalados por outros episódios de carácter efusivo, emitindo escoadas de lava de viscosidade variável.

Em Setembro de 1958, a erupção começou a perder força e a actividade diminuiu consideravelmente. A 24 de Outubro desse ano, assistiu-se à última emissão de lavas. Após treze meses, o vulcão adormeceu. No final da erupção, o cone principal tinha 160 metros de altura, o volume de materiais emitidos tinha sido de cerca de 174 milhões m3 e a ilha do Faial tinha crescido 2.4Km2. Esta erupção provoca avultados prejuízos materiais em habitações das freguesias limítrofes, Capelo, Praia do Norte e Cedros, bem como a inutilização dos campos de cultivo, cobertos por um espesso manto de cinza, no entanto não houve vítimas.

Perante a gravidade da situação emergente, muitos e das mais variadas proveniências, foram os auxílios encaminhados para o Faial de molde a amenizar a aflitiva situação das populações atingidas resultando numa imigração bastante significativa da população entre 1957 e 1960.

Andrea Porteiro – Geóloga
Parque Natural do Faial

In Governo dos Açores, Direção Regional do Ambiente

http://siaram.azores.gov.pt/vulcanismo/vulcao-capelinhos/_texto.html

IMAGENS

In Governo dos Açores, Direção Regional do Ambiente

http://siaram.azores.gov.pt/vulcanismo/vulcao-capelinhos/erupcao/1.html

Documentário da Delegação da Horta da RTP, sobre o Vulcão dos Capelinhos, no Faial, Açores, que ocorreu em 1957.

In RTP, Delegação da Horta

 

 

No dia 27 de Setembro de 1957, pelas 6:45 da madrugada, uma erupção vulcânica iniciou-se junto aos ilhéus dos Capelinhos, na Ilha do Faial — Arquipélago dos Açores, depois de 12 dias de abalos sísmicos. O fenómeno surgiu no mar, a 20-60 metros de profundidade, com a emissão de vapor de água e gases. A erupção, do tipo surtseiano, prolongou-se por 7 meses e meio. Durante esta fase sucediam-se grandes explosões, com a emissão de jactos pontiagudos de cinzas negras e densas nuvens de vapor de água, devido ao contacto da lava incandescente com a água fria do mar. Logo no início, formou-se uma pequena ilhota, baptizada de Ilha Nova, que atingiu 100 metros de altitude. O vulcão era incerto e os períodos de maior actividade alternavam com outros de acalmia. Durante os abrandamentos da erupção, ocorriam afundamentos das vertentes do cone, levando mesmo à submersão da Ilha Nova. No entanto, as frequentes emissões de cinzas criaram novas ilhas que acabaram por se ligar à costa antiga da ilha do Faial através de um istmo.

A meados de Dezembro ocorreu uma efémera fase subaérea efusiva. Na parte Leste do cone abriu-se uma fractura onde surgiram 7 repuxos de lava incandescentes que subiam até 10 ou 15 metros de altura, passando depois a concentrar-se em 3 chaminés onde as explosões estrombolianas se sucediam com intervalos de alguns segundos, acabando por voltar a apresentar características submarinas até Maio de 1958.

De Maio a Outubro de 1958, o vulcão tornou-se exclusivamente subaéreo (terrestre), com características estrombolianas. A passagem da fase submarina para a terrestre foi marcada por uma forte crise sísmica em que ocorreram cerca de 450 abalos na noite de 12 para 13 de Maio. A erupção apresentava períodos de grande explosividade, com projecção de fragmentos de lava incandescente a mais de 500 metros de altura, acompanhada por um forte ruído, intercalados por outros episódios de carácter efusivo, emitindo escoadas de lava de viscosidade variável.

Em Setembro de 1958, a erupção começou a perder força e a actividade diminuiu consideravelmente. A 24 de Outubro desse ano, assistiu-se à última emissão de lavas. Após treze meses, o vulcão adormeceu. No final da erupção, o cone principal tinha 160 metros de altura, o volume de materiais emitidos tinha sido de cerca de 174 milhões m3 e a ilha do Faial tinha crescido 2.4Km2. Esta erupção provoca avultados prejuízos materiais em habitações das freguesias limítrofes, Capelo, Praia do Norte e Cedros, bem como a inutilização dos campos de cultivo, cobertos por um espesso manto de cinza, no entanto não houve vítimas.

Perante a gravidade da situação emergente, muitos e das mais variadas proveniências, foram os auxílios encaminhados para o Faial de molde a amenizar a aflitiva situação das populações atingidas resultando numa imigração bastante significativa da população entre 1957 e 1960.

In Ricardo M, Youtube

 

 

Um dia depois de começar a erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial, Açores, o jornal O Telégrafo trazia à primeira página as “horas de ansiedade”, porque “no mar, a 100 metros dos Capelinhos”, tinha rebentado um “vulcão submarino”. “Como noticiámos, desde há dois dias, quase ininterruptamente, nas freguesias do Capelo e Praia do Norte, a terra tem tremido, pondo em sobressalto as respetivas populações que, assustadas, abandonaram as suas casas, percorrendo as ruas com o emblema do Divino Espírito Santo a implorar a Misericórdia Divina”, relatou o jornal na edição de 28 de setembro de 1957. O jornal, com sede na Horta, Faial, contava que no dia anterior, pelas 06:45, “essa ansiedade aumentou, ao ser avistado a 100 metros a nordeste dos ilhéus dos Capelinhos o mar em ebulição expelindo escórias que eram projetadas a alguns metros de altura”. “O mar no ponto da erupção tem cerca de 50 braças de profundidade”, lia-se no matutino, acrescentando que “o facto, como era de prever, causou grande pânico na população daquelas freguesias e sobressalto na cidade e em toda a ilha”. Segundo O Telégrafo, “os baleeiros, que [estacionavam] no Comprido, e suas famílias, abandonaram imediatamente aquela estação”, enquanto a torre do farol “oscilava de uma forma assustadora”. A erupção do vulcão dos Capelinhos começou a 27 de setembro de 1957 e, um ano depois, começou a perder força. A 24 de outubro de 1958 ocorreu a última emissão de lavas e o vulcão adormeceu. Em entrevista à agência Lusa, o docente da Universidade dos Açores Rui Coutinho referiu que na sequência da erupção houve a evacuação de alguns lugares, tendo sido retiradas 1.712 pessoas e meio milhar de cabeças de gado, do Norte Pequeno, Canto e Capelo. Citando um texto que elaborou para o Núcleo Cultural da Horta, a propósito dos 60 anos da erupção, Rui Coutinho explicou que, então, o governador civil do distrito da Horta, Freitas Pimentel, manifestou numa reunião com várias entidades a “intenção de criar um plano de intervenção” que “evitasse surpresas” e “garantisse estarem preparadas para situações futuras. Num testemunho que Rui Coutinho recolheu de Norberto Fraião, à data da erupção funcionário da Federação de Municípios, este assinalou que “as areias é que eram o grande problema, porque destruíam as estradas e quando se acumulavam nos telhados faziam com que estes se abatessem”. Rui Coutinho, doutorado em Vulcanologia, lembrou que, a 17 de dezembro de 1957, emigrantes portugueses residentes na Califórnia doaram dinheiro para o Natal dos sinistrados, tendo, na resposta de agradecimento, o governador civil transmitido que “nada faltava” àqueles – “os que podiam trabalhar tinham obras do Estado em curso” e, apesar de a oferta ter chegado após o Natal, este foi devidamente comemorado no Capelo. O investigador referiu que, na noite de 12 para 13 de maio de 1958, quando ocorreram cerca de 450 eventos, o pároco da Praia do Norte “absolveu coletivamente os pecados do povo”, uma ação que “causou pânico generalizado”, mas a imprensa local e a afixação de avisos de parede foram utilizados para acalmar a população. A 15 de maio de 1958 chegou à Horta o ministro das Obras Públicas, Arantes e Oliveira, que anunciou “um exaustivo plano de recuperação e reconstrução”, ao mesmo tempo que continuou a doação de alimentos a vestuário, tendo ainda o cônsul dos Estados Unidos da América visitado os Açores nesse mês para “discutir a emigração para o país”. Rui Coutinho adiantou que “cerca de 40% da população ativa emigrou do Faial em consequência da erupção”, estimando os “custos quantificáveis” da erupção em dois milhões de dólares americanos à data, o que seriam hoje 15,4 milhões de dólares. Porém, “muitos outros custos indiretos ou não quantificados ficaram por contabilizar”, como a perda de receitas fiscais, de rendimentos, as verbas atribuídas à população para limpezas de vias e casas, entre outros, além dos “custos suportados pelos cidadãos”, seus familiares ou famílias de acolhimento. Rui Coutinho considerou que “no contexto austero do Estado Novo a resposta do Governo foi generosa”, para considerar como “absolutamente espantoso” que não tenha havido uma única vítima mortal num acontecimento que marcou os Açores e no qual considera que se destacaram duas personalidades: Frederico Machado, pelos contributos técnico-científicos”, e Freitas Pimentel, o governador civil responsável pela “gestão da crise”. 

In Correio da Manhã

http://www.cmjornal.pt/mais-cm/memoria-cm/detalhe/erupcao-do-vulcao-dos-capelinhos-foi-ha-60-anos

Erupção do vulcão dos Capelinhos foi há 60 anos

26 DE SETEMBRO DE 2017 – 10:51

Um dia depois de começar a erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial, Açores, o jornal O Telégrafo dizia que “no mar, a 100 metros dos Capelinhos”, tinha rebentado um “vulcão submarino”.

“Como noticiámos, desde há dois dias, quase ininterruptamente, nas freguesias do Capelo e Praia do Norte, a terra tem tremido, pondo em sobressalto as respetivas populações que, assustadas, abandonaram as suas casas, percorrendo as ruas com o emblema do Divino Espírito Santo a implorar a Misericórdia Divina”, relatou O Telégrafo, na edição de 28 de setembro de 1957.

O jornal, com sede na Horta, Faial, contava que no dia anterior, pelas 6h45, “a ansiedade aumentou, ao ser avistado a 100 metros a nordeste dos ilhéus dos Capelinhos o mar em ebulição expelindo escórias que eram projetadas a alguns metros de altura”.

A erupção do vulcão dos Capelinhos começou a 27 de setembro de 1957 e, um ano depois, começou a perder força. A 24 de outubro de 1958 ocorreu a última emissão de lavas e o vulcão adormeceu.

Em entrevista à agência Lusa, o docente da Universidade dos Açores Rui Coutinho referiu que na sequência da erupção houve a evacuação de alguns lugares, tendo sido retiradas 1.712 pessoas e meio milhar de cabeças de gado, do Norte Pequeno, Canto e Capelo.

Rui Coutinho adiantou que “cerca de 40% da população ativa emigrou do Faial em consequência da erupção”, estimando os “custos quantificáveis” da erupção em dois milhões de dólares americanos à data, o que seriam hoje 15,4 milhões de dólares.

In TSF

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/foi-ha-60-anos-a-erupcao-do-vulcao-dos-capelinhos-8798755.html

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC) tem caráter informativo, didático e científico, dispondo de um conjunto de exposições, com especial destaque para a erupção do Vulcão dos Capelinhos e a formação do arquipélago dos Açores, mas também nos diversos tipos de atividade vulcânica no mundo e a história dos faróis açorianos.

Foi nomeado pelo European Museum Forum, para melhor museu da Europa no ano de 2012.

O edifício encontra-se soterrado, de modo a não interferir com a paisagem pré-existente, permitindo desfrutar desta recente paisagem vulcânica originada pela erupção de 1957/58. Para além de um conjunto de exposições, o Centro dispõe de um auditório e de uma exposição temporária de amostras de rochas e minerais.
No final da visita, suba ao Farol, onde é possível desfrutar desta paisagem singular.

In Câmara Municipal da Horta

http://turismo.cmhorta.pt/index.php/pt/oquevisitar/vulcao-dos-capelinhos

Vulcão dos Capelinhos

O vulcão dos Capelinhos é o resultado de erupções vulcânicas que ocorreram em meados do século XX. As estruturas predominantes são os blocos de rocha, existindo também manchas dominadas por sedimento. Os trechos de leito rochoso apresentam lajes, estruturas irregulares e fendas e as paredes associadas ao vulcão possuem grutas semisubmersas. Situado na ponta W da Ilha do Faial, o vulcão dos Capelinhos resulta de erupções vulcânicas que ocorreram entre Setembro de 1957 e Outubro de 1958. O vulcão em si é formado por um cone de escórias orlado por alguns veios de rocha vulcânica (basaltos).

Crise Sismo-Vulcânica e Erupção

 Setembro a Dezembro de 1957

De 16 a 27 de Setembro de 1957, sentiu-se uma crise sísmica na ilha com mais de 200 sismos, de intensidade não superior a 5º da Escala de Mercalli. No dia 21 de Setembro de 1957, a água do mar começou a fervilhar. Três dias depois, a actividade aumentou intensamente havendo emissão de jactos negros de cinzas vulcânicas de cerca de 1 000 m de altura (atingindo a altitude máxima de 1 400 m) e uma nuvem de vapor de água que subia por vezes a mais de 4 000 m.

A 27 de Setembro, iniciou-se uma erupção submarina a 300 m da Ponta dos Capelinhos. A partir de 3 de Outubro, as explosões de piroclastos e a erupção, evoluiu formando primeiro uma ilha a 10 de Outubro, chamada de “Ilha Nova” (e ainda, por “Ilha do Espirito Santo” ou “Ilha dos Capelinhos”), com 800 m de diâmetro e 99 m de altura, ficando com a cratera aberta ao mar. Com o aparecimento de um istmo (uma porção de terra estreita cercada por água em dois lados e que conecta duas grandes extensões de terra), ao fim de poucos meses, a ilha liga-se à Ilha do Faial.

Em Novembro de 1957, aumentou progressivamente a actividade atingindo o seu máximo na primeira quinzena de Dezembro, surgindo um segundo cone vulcânico. A 16 de Dezembro, depois de uma noite de chuvas torrenciais e abundante queda de cinza, cessou a actividade explosiva tendo começado a efusão de lava.

Janeiro a Maio de 1958

Nestes meses, as erupções assumiram ora o aspecto de repuxos e torrentes de lamas, ora o aspecto de fortes explosões acompanhadas da formação de nuvens de cinzas e da emissão de algumas toneladas de bombas, projectadas a alturas que variam entre os 300 e os 1500 metros.

Maio a Outubro de 1958

A 12 de Maio de 1958 deu-se novo aumento da actividade do vulcão que expeliu jactos de lava com cerca de 50 m de altura. De seguida o vulcão entrou  num período de acalmia. Em resultado da erupção, a área da ilha aumentou em 2,40 km².

 Actualmente  

Actualmente, essa área ficou reduzida em cerca de metade devido a natureza pouco consolidada das rochas e à acção das ondas. No Cabeço Norte, existe uma pequena fenda que é um respiradouro do vulcão.  Hoje em dia, o vulcão dos Capelinhos encontra-se inactivo.

Todo o arquipélago dos Açores tem origem vulcânica, sendo a Ponta dos Capelinhos um dos locais onde, actualmente, é possível observar o que resta das últimas manifestações da actividade vulcânica no Faial. Toda esta área foi constituída como área de paisagem protegida de elevado interesse geológico e faz parte da Rede Natura 2000.

O Farol dos Capelinhos, foi transformado num miradouro, e junto deste, instalou-se o Centro Interpretativo do Vulcão.

Foi criada uma Associação dos Amigos do Farol dos Capelinhos, com o propósito da criação do Museu Geológico do Vulcão dos Capelinhos, que documenta toda a sua actividade eruptiva.

O Casal do Vulcão nasce de uma das ruínas provocadas pelo Vulcão dos Capelinhos. O nome “Casal do Vulcão “, surge devido à posição das casas e do prédio, localizados no lugar do Canto, próximo do Vulcão dos Capelinhos, advindo o nome do lugar provavelmente do Cabeço sobranceiro ao prédio, o Cabeço do Canto. Este local disponibiliza um conjunto de quatro edificações e uma cisterna para utilização turística, no âmbito do Turismo em Espaço Rural, na modalidade de Casas de Campo, integrados num espaço total de cerca de 1.000 m2 

Consequências

Entre Setembro de 1957 e Outubro de 1958, a crise sísmica associada à erupção vulcânica e à queda de cinzas e materiais de projecção, provocou a destruição generalizada das habitações, soterramento do farol e campos das freguesias do Capelo, da Praia do Norte e Cedros. Após esta catástrofe natural, as consequências que se fizeram sentir foi no campo demográfico, pois as pessoas abandonaram o seu próprio país e emigraram, o que contribuiu para uma diminuição da população do Faial em aproximadamente 17 mil pessoas. Não se registaram vítimas mortais, devido à intensidade sísmica ter aumentado gradualmente.

Contudo também existiram consequências vantajosas para a Ilha do Faial, pois ocorreu um aumento do turismo, principalmente na região de Capelo, contribuindo assim para o sector económico.

Portugal passou assim a ter um aumento de alguns quilómetros quadrados na sua área.

 http://w3.ualg.pt/~jdias/GEOLAMB/GAn_CasosAlunos/Capelinhos/Capelinhos.htm

Leve lava – Vulcão dos Capelinhos sessenta anos depois

Mais que ninguém, Victor Hugo Forjaz conhece o Capelinhos como a palma da sua mão e tem a história do seu desenvolvimento na ponta da língua – além de ser seu acérrimo defensor: “Na realidade, este tipo de erupção submarina deveria ser conhecida como de tipo capeliniano e não de tipo surtseyano, como é designada entre a comunidade científica. A questão é que, apesar de o Capelinhos ter aparecido primeiro, os islandeses registaram a patente antes que nós tivéssemos feito diligências nesse sentido. Foram eles que ficaram com os louros.” O Surtsey, ao largo da costa sul da Islândia, só emergiu em 1963, mas quem ficou para a nomenclatura científica foi mesmo este “primo” islandês do Capelinhos. O aparecimento do Capelinhos marcou profundamente a ilha do Faial no aspecto físico e a população local no estado de alma. Terrenos agrícolas estéreis, colheitas perdidas, campos de pasto inutilizados, casas destruídas e um certo medo do desconhecido, tudo isso aportou à ilha através do vulcão – felizmente, não ceifou uma única vida humana. Mas todos estes factores contribuíram para que os sinistrados do vulcão – aqueles que sofreram mesmo na pele as consequências e aqueles que aproveitaram a “onda” – tivessem razões para embalar a trouxa e zarpar. Os Estados Unidos e até o Canadá passaram a ser um objectivo, tanto mais que os Açores são quase a meio caminho entre a Europa e a América.

“Na realidade, este tipo de erupção submarina deveria ser conhecida como de tipo capeliniano e não de tipo surtseyano, como é designada entre a comunidade científica”.

Num curto espaço de tempo, a demografia do Faial caiu para mais de metade, cerca de 12mil habitantes. Os restantes aproveitaram as condições favoráveis de emigração ao abrigo de um decreto do então senador John Fitzgerald Kennedy, que se preparava para assumir a candidatura à presidência. O estado da Califórnia, particularmente, acolheu os açorianos de braços abertos, ao ponto de estes terem, ao fim de pouco tempo, direito a voto. Curiosamente, John Kennedy foi eleito presidente dos Estados Unidos por ter vencido, à tangente, as eleições no estado da Califórnia… Não surpreende, assim, que seja numeroso o contingente açoriano na América do Norte. Por lá criaram raízes e família mas muitos nunca deixaram de sonhar com o regresso. Foi o caso de Maria Humberta Dutra Matos, a primeira bebé a nascer dos sinistrados que emigraram. Nasceu em Rhode Island a 15 de Fevereiro de 1960 mas, hoje, está à frente do café que abriu no Capelo – com o sugestivo nome de “O Vulcão”. Quando o Capelinhos caiu num sono profundo, alguns voltaram, mas não deixam de se mostrar agradecidos ao que os Estados Unidos lhes ofereceram. Basta olhar para o orgulho com que exibem, nos cafés e nas ruas do Faial, as camisolas com o nome de cidades e de estados norte-americanos. Hoje, o Faial, a bem da verdade, não se mostra muito diferente do que era há 60 anos.

A vida pacata tão bem descrita por Vitorino Nemésio está bem presente no espírito dos ilhéus, mas a cidade da Horta alindou-se, o afamado “Peter” galgou fronteiras, a marina cresceu, o aeroporto tem ligações directas ao continente e a rede viária está um “brinco”. O que está diferente, mesmo, é o vulcão dos Capelinhos. Primeiro, acrescentou território à ilha, depois entrou em coma profundo e, entretanto, encolhe à medida que o tempo passa. Em média, o mar comeu 20 metros por ano ao cone e às lavas por ele derramadas, ainda que o processo tenha diminuído nos últimos tempos. Mas o edifício vulcânico mostra como a erosão o afecta: basta subi-lo para ver como muito material basáltico derrocou, algumas vertentes já cobertas de verde ameaçam ruir e mais de metade da cratera principal sucumbiu. O ilhéu Grande dos Capelinhos, tragado aquando da erupção, está novamente a descoberto. É em redor do vulcão, numa paisagem lunar, que acontecem grandes movimentações. Ainda lá está a rampa de acesso dos botes dos baleeiros ao mar, ainda lá estão casas soterradas pelas cinzas e o farol, mas uma nova edificação foi erguida em Agosto de 2008:  o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, da Secretaria Regional do Ambiente, ganhou corpo e ostenta, como marca mais visível, a cúpula de vidro que coroa o farol, entretanto desentulhado das cinzas que o envolviam até meio.

Mas o edifício vulcânico mostra como a erosão o afecta: basta subi-lo para ver como muito material basáltico derrocou, algumas vertentes já cobertas de verde ameaçam ruir e mais de metade da cratera principal sucumbiu.

O arquitecto Nuno Lopes, responsável pelo projecto, defende que “o centro procura que o visitante sinta o fenómeno do Capelinhos, até porque grande parte do percurso é feito subterraneamente para que se tenham as noções de claustrofobia e soterramento provocadas pela erupção. Felizmente, a sensação não é angustiante, porque não passam de maquetas, hologramas, filmes e projecções”. A ideia de arrancar como complexo partiu da comemoração dos 100 anos do farol. À época, as estruturas estavam soterradas, danificadas, votadas ao abandono e até vandalizadas. “Apareceu o projecto para recuperação e para dotar a paisagem de informações preciosas que possam explicar tudo o que se relaciona com a erupção de 1957. Mais que isso, pretende-se dar uma visão geral da geologia e da vulcanologia, como um museu vivo e interactivo”, explica NunoLopes. As entidades esperam que o centro traga dignidade a um fenómeno geológico praticamente único em Portugal e que comporte uma mais-valia turística e pedagógica de modo a que mais visitantes aportem ao Faial.  E a verdade é que, em 2012, foi nomeado pelo European Museum Forum para melhor museu da Europa. Apesar de não ter entrado propriamente para a nomenclatura da vulcanologia, o vulcão dos Capelinhos trouxe até ao Faial um sem-número de especialistas e jornalistas. Por lá passaram repórteres portugueses e estrangeiros, além das visitas de estudo do geógrafo Orlando Ribeiro e do “pai” da vulcanologia moderna, Haroun Tazieff.

Quem igualmente ficou marcado pelos acontecimentos de 1957 foi Victor Hugo Forjaz: “Nunca me hei-de esquecer. Vim pela mão do meu pai, que era vice-presidente em exercício da Junta Geral do Distrito da Horta e, mesmo tendo 16anos, fiquei maravilhado. De tal forma que, hoje, posso garantir que foi o Capelinhos que me orientou a vida e me entusiasmou a seguir esta via – se não fosse a sua existência, não seria seguramente vulcanólogo. Nem eu, nem a vaga de geólogos e interessados que formaram uma nova geração de investigadores portugueses.” No miradouro que dá para a Caldeira, a visão é estonteante: as nuvens a rasar os rebordos, a vegetação com laivos tropicais a subir pelas veredas a pique e lá em baixo, bem no fundo da cratera, lagoas e cones liliputianos. “Quando o Capelinhos entrou em erupção, também houve emissões de gases aqui na Caldeira”, explica o professor Forjaz, mas, felizmente, o vulcão lá do Capelo funcionou como escape da pressão existente lá em baixo”, diz, enquanto aponta para o solo e para fendas bem visíveis. “Se tudo se tivesse concentrado aqui na Caldeira, poderia ter sido trágico.” No miradouro junto ao farol dos Capelinhos, Victor Hugo Forjaz olha para o vulcão avermelhado e diz, emocionado: “Sabe, já vi muitos vulcões, percorri o mundo com colegas só para os contemplar, mas este será, sempre, o ‘meu’ vulcão.” É natural que, mais cedo ou mais tarde, surja “outro” Capelinhos no mar, em frente a este agora silencioso – só não se sabe quando. “Espero viver para assistir a nova erupção. Era o maior gosto que podia ter, desde que não houvesse baixas humanas. Algo belo e inofensivo.” Nós também – e os amantes dos vulcões agradeciam.

In National Geographic

https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/grandes-reportagens/1554-capelinhos-setembro2007?showall=&start=5

“A lava parecia um rio de ouro”. 60 anos depois, as memórias da erupção que fez tremer o Faial

Um dia depois de começar a erupção do vulcão dos Capelinhos, no Faial, Açores, o jornal O Telégrafo trazia à primeira página as “horas de ansiedade”, porque “no mar, a 100 metros dos Capelinhos”, tinha rebentado um “vulcão submarino”. Passaram 60 anos.

“Desde há dois dias, quase ininterruptamente, nas freguesias do Capelo e Praia do Norte, a terra tem tremido, pondo em sobressalto as respetivas populações que, assustadas, abandonaram as suas casas, percorrendo as ruas com o emblema do Divino Espírito Santo a implorar a Misericórdia Divina”, relata O Telégrafo na edição de 28 de setembro de 1957.

O jornal, com sede na Horta, Faial, contava que no dia anterior, pelas 06:45, “essa ansiedade aumentou, ao ser avistado a 100 metros a nordeste dos ilhéus dos Capelinhos o mar em ebulição expelindo escórias que eram projetadas a alguns metros de altura”.

“O mar no ponto da erupção tem cerca de 50 braças de profundidade”, lia-se no matutino, acrescentando que “o facto, como era de prever, causou grande pânico na população daquelas freguesias e sobressalto na cidade e em toda a ilha”.

Segundo o jornal, “os baleeiros, que [estacionavam] no Comprido, e suas famílias, abandonaram imediatamente aquela estação”, enquanto a torre do farol “oscilava de uma forma assustadora”.

A erupção do vulcão dos Capelinhos começou a 27 de setembro de 1957 e, um ano depois, começou a perder força. A 24 de outubro de 1958 ocorreu a última emissão de lavas e o vulcão adormeceu.

“De 26 para 27 de setembro, todo o dia a terra tremeu”, conta Manuel Rodrigues Vargas, de 78 anos, que era “vizinho do vulcão”. O idoso recorda depois o momento em que “pararam os abalos de terra”, mas “uma mancha negra apareceu no mar”. Presumiu na ocasião que uma qualquer embarcação tivesse lavado os tanques, até que um colega o informou que estava “um vulcão a rebentar fora dos Capelinhos”, conta, revisitando as memórias desse dia. “O mar estava amarelo e a água a ferver e as explosões aumentavam cada vez mais”, diz. “Todos tínhamos medo”, relata o morador que, após as primeiras explosões, foi obrigado a ir “cinco semanas para a cidade mais a família” (Horta), para depois voltar a casa.

As explosões eram recorrentes, assim como os dias transformados em noite devido às cinzas vulcânicas. “Não se via nada verde, estava tudo negro”, diz, lembrando em particular a noite de 12 para 13 de maio de 1958, quando sentiu “o primeiro abalo de terra” e depois outro, mais outro e muitos outros.

Foram 450 nessa noite, na qual, diz-se, não se conseguia rezar um Pai Nosso completo que não fosse interrompido por um sismo.

Manuel Vargas prosseguiu a narrativa, quase atropelando as palavras na ânsia de que nada ficasse esquecido no acontecimento que mudou a ilha: “Eram casas a cair, cães a uivar, vacas a mugir”. “[Na fuga], houve um tremor de terra que abriu uma fenda no caminho, caímos para cima das hortênsias e uma camioneta ficou lá enterrada”, reviveu, recordando também uma ilha rodeada de barcos na eventualidade de ser necessária a sua evacuação. Parentes de Manuel Vargas “embarcaram” – o que, por estes lados, é sinónimo de emigrar -, mas quando o jovem tentou a sua sorte disseram-lhe: “Já não há mais vistos”.

“A lava parecia um rio de ouro”, acrescentou Conceição Silveira. O vulcão surpreendeu-a quando tinha dez anos, com os quais se passeou nos Capelinhos sem medir perigos, mas a sentir medo quando a terra “dava de si”.

A evacuação

Rui Coutinho, docente da Universidade dos Açores, conta que na sequência da erupção houve a evacuação de alguns lugares, tendo sido retiradas 1.712 pessoas e meio milhar de cabeças de gado, do Norte Pequeno, Canto e Capelo.

Num testemunho que recolheu de Norberto Fraião, à data da erupção funcionário da Federação de Municípios, é referido “que as areias eram o grande problema, porque destruíam as estradas e quando se acumulavam nos telhados faziam com que estes se abatessem”.

Segundo o investigador, na noite de 12 para 13 de maio de 1958, quando ocorreram cerca de 450 eventos, o pároco da Praia do Norte “absolveu coletivamente os pecados do povo”, uma ação que “causou pânico generalizado”.

A 15 de maio de 1958 chegou à Horta o ministro das Obras Públicas, Arantes e Oliveira, que anunciou “um exaustivo plano de recuperação e reconstrução”, ao mesmo tempo que continuou a doação de alimentos a vestuário, tendo ainda o cônsul dos Estados Unidos da América visitado os Açores nesse mês para “discutir a emigração para o país”.

Rui Coutinho adiantou que “cerca de 40% da população ativa emigrou do Faial em consequência da erupção”, estimando os “custos quantificáveis” da erupção em dois milhões de dólares americanos à data, o que seriam hoje 15,4 milhões de dólares.

Porém, “muitos outros custos indiretos ou não quantificados ficaram por contabilizar”, como a perda de receitas fiscais, de rendimentos, as verbas atribuídas à população para limpezas de vias e casas, entre outros, além dos “custos suportados pelos cidadãos”, seus familiares ou famílias de acolhimento.

Rui Coutinho salienta que é “absolutamente espantoso” que não tenha havido uma única vítima mortal num acontecimento que marcou os Açores e no qual considera que se destacaram duas personalidades: Frederico Machado, pelos contributos técnico-científicos”, e Freitas Pimentel, o governador civil responsável pela “gestão da crise”.

Vulcão dos Capelinhos deu terra nova a Portugal, mas resta apenas um quarto

A erupção do vulcão dos Capelinhos levou à acumulação de 174 milhões de metros cúbicos de material e acrescentou a Portugal 2,4 quilómetros quadrados de área, que a erosão reduziu a um quarto em 60 anos.

“A acumulação dos 174 milhões de metros cúbicos de material emitido levou à criação de uma paisagem única e com características muito específicas. O cone atingia uma altura de cerca de 160 metros e tinham sido acrescentados à ilha do Faial cerca de 2,4 quilómetros de área, as Terras Novas”, explicou à agência Lusa o diretor do parque natural da ilha, João Melo.

Segundo o diretor, “quando termina a erupção dos Capelinhos, termina o processo de construção de paisagem, iniciando-se, automaticamente, um processo de destruição” por agentes externos, como “o mar, o vento e as chuvas, que têm sido os principais responsáveis pela erosão deste cenário vulcânico”.

O vulcão, assinalou, está “numa zona na ponta oeste da ilha do Faial, onde é frequente haver ventos com mais de 100 quilómetros/hora” e “grande intensidade de chuva”, além de ser um território no mar.

“As taxas de erosão para a recente paisagem do vulcão dos Capelinhos foram extremamente elevadas nos anos que se seguiram à erupção, sendo este processo mais eficiente a oeste e chegando a atingir os 300 metros por ano para este quadrante em 1959”, exemplificou.

Já “entre 1976 e 1981, as taxas de erosão eram de cerca de seis metros/ano”, referiu, observando que foram extremamente elevadas nos anos que se seguiram à erupção, mas que tenderam a diminuir ao longo dos tempos.

“Esta diminuição nas taxas de erosão deve-se a diversos fatores, sendo dois deles mais evidentes. Em primeiro lugar, deste processo erosivo resulta a acumulação de materiais arrancados à paisagem, formando praias de calhau e de ‘areia’ [cinza] que cobrem as margens junto ao cone principal, atenuando, assim, o efeito das ondas junto à base da falésia e abrandando o processo erosivo”, declarou João Melo.

A isto acresce “o facto das cinzas vulcânicas se alterarem ao longo do tempo através de um processo denominado palagonitização, do qual resulta a sua compactação e, consequentemente, uma nova rocha, o tufo, mais resistente à erosão”, esclareceu.

João Melo informou que “nos últimos anos a erosão registada é de 1 a 1,5 metros/ano”, para concluir que, “da paisagem inicial formada por este vulcão, resta apenas 0,5654 quilómetros quadrados”.

“A intensidade da erosão tem vindo a reduzir-se e agora esperemos que ela seja tão lenta que ainda se consiga ter algum território [novo] durante muitos anos”, acrescentou.

Um ‘bunker’ da memória

Na ilha do Faial foi construído um centro de interpretação em forma de ‘bunker’, submerso nas cinzas expelidas na ocasião, que é hoje o mais visitado dos Açores.

“O centro, desenhado pelo arquiteto Nuno Ribeiro Lopes [hoje diretor regional da Cultura dos Açores], foi construído com duas principais preocupações: preservar a paisagem do vulcão e incluir o farol dos Capelinhos no processo expositivo”, afirmou à agência Lusa a coordenadora do centro, Salomé Meneses, geóloga de formação.

Cinzento, como a cor da erupção – que começou a 27 de setembro de 1957 e terminou a 24 de outubro de 1958 -, o centro tem um grande ‘hall’, onde um “cálice invertido” simboliza esta e todas as outras erupções que formaram as nove ilhas do arquipélago.

No chão, é visível o recorte do Faial e é no centro desta “ilha” – onde está o vulcão central da Caldeira – que se ergue o “cálice invertido”, representando uma coluna eruptiva.

A história da formação da Terra conta-se, depois, num filme de 12 minutos, que antecede a exposição temporária.

“Aqui temos três coleções de rochas e minerais, duas delas exclusivamente do vulcão e uma de rochas e minerais de todo o mundo”, explicou Salomé Meneses, adiantando que a primeira é originária do antigo núcleo museológico do vulcão.

A segunda coleção é do faroleiro Tomaz Pacheco da Rosa e a última do professor José Benarús, que inclui cerca de 2.600 exemplares de rochas e minerais de todo o mundo, referiu a responsável.

O visitante segue depois para a exposição interpretativa, que visa dar conhecer “o antes, o durante e o depois da erupção”, e pode descobrir os faróis do arquipélago, incluindo o dos Capelinhos e o da Ribeirinha (este último, também na ilha do Faial, encontra-se por reconstruir desde o sismo de 1998).

Há ainda uma animação holográfica da erupção dos Capelinhos, e painéis e maquetes que revelam “os diferentes comportamentos do vulcão”.

São mostradas as fases submarina, com a projeção de cinza e vapor de água, e terrestre do vulcão dos Capelinhos. Esta última foi caracterizada por períodos mais efusivos (escoadas lávicas) e explosivos (emissão de piroclastos).

“A fase terrestre foi precedida, na noite de 12 para 13 de maio de 1958, de cerca de 450 sismos de elevada intensidade, que destruíram mais de mil habitações e obrigaram à retirada de cinco mil pessoas das freguesias de Capelo e Praia do Norte”, afirmou Salomé Meneses.

Fotografias mostram depois os dois lados da mesma História: destruição de casas, tendas que albergam desalojados, bens espalhados ao longo de estradas, cientistas a recolher dados, crianças a brincarem nas cinzas do vulcão e a habitual curiosidade da população atraída pelo fenómeno.

“É o belo horrível como alguém descreveu”, realçou a coordenadora.

Na sala “Vulcões do mundo”, onde está documentada, entre outras, a última erupção nos Açores, a da Serreta (1998-2001), uma erupção submarina a cerca de nove quilómetros a norte da ilha Terceira.

Já na sala “Açores”, um documentário revela a formação das ilhas açorianas, e ecrãs, painéis e amostras de rochas exibem as particularidades geológicas de oito ilhas dos Açores, do Corvo a Santa Maria, com exceção do Faial.

“É uma história de oito milhões de anos, estando aqui retratados todos os exemplos do vulcanismo açoriano”, destacou.

Com a sala “Faial” termina a visita à área expositiva do Centro de Interpretação do Vulcão do Capelinhos, que custou cerca de sete milhões de euros, foi inaugurado em agosto de 2008 e já recebeu 230 mil visitantes.

A visita termina com a observação da paisagem e a possibilidade de subida ao farol, com 140 degraus.

Governo dos Açores vai limitar subidas diárias ao vulcão dos Capelinhos

O Governo dos Açores vai limitar as subidas diárias ao vulcão dos Capelinhos para preservar o património geológico e garantir a segurança dos visitantes, foi hoje anunciado.

“A partir do ano que vem vamos implementar uma portaria em que a subida ao vulcão dos Capelinhos será controlada pelo parque natural, à semelhança do que é no Pico. As pessoas vão ter que subir ao vulcão com visita acompanhada por um guia certificado, como sucede na caldeira do Faial”, disse à agência Lusa o diretor do parque natural da ilha, João Melo.

Segundo o responsável, “a capacidade de carga máxima de referência para o percurso é de 50 visitantes diários, podendo ser reduzida ou aumentada até 25%” em função do estado do trilho e das condições meteorológicas.

João Melo explicou que a medida se deve sobretudo à “estratégia de conservação do património, quer natural, quer geológico” da região, sendo que a preservação do património geológico passa muito pelo “controlo do visitante nas áreas nobres dos Açores”.

“Outra situação é a segurança das pessoas, que estão a subir a um território pouco consolidado, com arribas frágeis que podem facilmente cair e devem ser guiadas para fugir destes perigos”, destacou.

O diretor do Parque Natural do Faial adiantou que esta medida “irá permitir menos pisoteio, menos erosão”, ressalvando que tal “não significa estabilização completa daquele território”.

“Esta será, provavelmente, a medida que vamos conseguir implementar que melhorará a erosão, mas sobretudo melhorará o ‘saco’ que existe de material geológico dali que as pessoas trazem quando sobem”, frisou.

No combate à erosão, João Melo apontou também a recuperação da vegetação natural daquela zona, que o parque natural desenvolve, “mas que também não estabilizará de todo aquela área”.

“Na zona mais junto à estrada [que dá acesso ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos], a vegetação natural está toda a recuperar e isso, obviamente, vai estabilizar aquelas areias e aquele solo”, observou.

Contudo, “a terra nova que está mesmo próxima ao mar tem muita pouca capacidade de fixação de vegetação natural, porque são areias”, pelo que “a própria planta, ao estabilizar, leva com areia e acaba por secar e morrer”.

Centenas de sensores contribuem para vigilância sismovulcânica nos Açores

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) recebe em permanência dados de centenas de sensores espalhados pelo arquipélago, que constituem as redes de monitorização sísmica, geodésica, geoquímica e meteorológica.

Associação privada sem fins lucrativos, que em 2018 completa dez anos de existência, o CIVISA tem dois associados, a região autónoma e a Universidade dos Açores, em cujo polo de Ponta Delgada está instalada a sua sede e o seu centro de operações de emergência.

À agência Lusa, a presidente da direção do CIVISA, Teresa Ferreira, explicou hoje que este centro foi desenhado “para poder gerir todas as situações relacionadas com eventos naturais que podem ter consequências adversas para a população dos Açores”.

“Esses eventos podem ser de naturezas distintas, eventos sísmicos, vulcânicos, movimentos de vertente, emissões gasosas e, como tal, é uma sala que está equipada para se poder não só analisar a informação que é gerada por todas as redes de monitorização, e adquirida também por outros tipos de monitorização que vamos fazendo”, afirmou Teresa Ferreira.

O espaço também permite ter vários tipos de sistemas de comunicação com a Proteção Civil e para poder manter contacto com as autoridades e entidades governamentais.

A presidente do CIVISA adiantou que o arquipélago dos Açores está localizado numa região do Atlântico “propícia a ser frequentemente afetada por eventos de origem natural que podem, se tiverem magnitudes significativas, causar danos”.

“Porque estamos próximos e sobre, nalguns casos, uma zona de fronteira de placas tectónicas, obviamente que logo o primeiro tipo de evento natural que nos pode afetar é a atividade sísmica”, adiantou, referindo que os Açores estão igualmente “numa região oceânica anómala do ponto de vista de produção magmática”, pelo que, ocasionalmente, são “afetados por erupções vulcânicas”.

Acresce que o arquipélago está numa região “onde se faz uma transição na circulação de massas de ar quentes e frias”, sendo que, por vezes, é afetado “por eventos meteorológicos extremos que podem desencadear movimentos de vertente” e cheias rápidas, realçou.

“Nesse sentido, utilizamos uma rede meteorológica constituída por estações do CIVISA e do Governo Regional, não destinada a fazer previsão, mas uma rede que nos fornece dados principalmente sobre a quantidade de precipitação que ocorre e as condições nas quais essa precipitação pode vir a desencadear movimentos de vertente”, informou a docente universitária, explicando que este “é um dos perigos que mais frequentemente atingem as ilhas do arquipélago e que podem colocar as populações em risco”.

As nove ilhas dos Açores são de origem vulcânica. Existem no arquipélago 26 vulcões e sistemas vulcânicos ativos, oito dos quais submarinos. Santa Maria é a única ilha que não tem vulcões ou sistemas vulcânicos ativos.

Um vulcão ou sistema vulcânico ativo é aquele que tem potencial para entrar em erupção” ou que registou atividade nos últimos dez mil anos. “Atualmente está tudo sereno, não podemos dizer o que vai acontecer amanhã, porque não sabemos”, referiu Teresa Ferreira, quando questionada sobre se algum indicia entrar em atividade. A responsável salientou que “a ocorrência de um sismo não pode ser prevista, contudo em períodos de instabilidade sísmica pode ter-se uma atitude preventiva suplementar àquela” usada no dia a dia.

Alguns dos sismos mais significativos nos Açores, observou, ocorreram exatamente durante períodos das designadas crises sísmicas.

“Sempre que existe atividade sísmica que sai fora dos padrões normais e se essa se localiza próxima da linha da costa e, principalmente, no interior das ilhas – por isso, quer dizer que os epicentros são muito próximos de núcleos habitacionais -, emitimos comunicados à Proteção Civil, porque aí basta um sismo com uma magnitude ligeiramente superior para poder vir a ser sentido pela população ou para poder vir a ter alguns danos”, assinalou.

Quanto às erupções vulcânicas, “a instabilidade no edifício vulcânico pode ser colocada em evidência através da monitorização da sismicidade local ou da deformação crustal ou até da alteração de parâmetros químicos nas nascentes ou nas águas e nas emissões gasosas”.

As redes de monitorização podem dar a indicação de que algo está em mudança, pelo que autoridades e população podem ser alertadas para a ocorrência de uma eventual erupção para serem tomadas medidas preventivas.

In Sapo.pt

 http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/a-lava-parecia-um-rio-de-ouro-60-anos-depois-as-memorias-da-erupcao-que-fez-tremer-os-acores

Vulcão dos Capelinhos deu terra nova a Portugal, mas resta apenas um quarto

A erupção do vulcão dos Capelinhos, nos Açores, levou à acumulação de 174 milhões de metros cúbicos de material e acrescentou a Portugal 2,4 quilómetros quadrados de área, que a erosão reduziu a um quarto em 60 anos.

“A acumulação dos 174 milhões de metros cúbicos de material emitido levou à criação de uma paisagem única e com características muito específicas. O cone atingia uma altura de cerca de 160 metros e tinham sido acrescentados à ilha do Faial cerca de 2,4 quilómetros de área, as Terras Novas”, explicou à agência Lusa o diretor do parque natural da ilha, João Melo.

Segundo o diretor, “quando termina a erupção dos Capelinhos, termina o processo de construção de paisagem, iniciando-se, automaticamente, um processo de destruição” por agentes externos, como “o mar, o vento e as chuvas, que têm sido os principais responsáveis pela erosão deste cenário vulcânico”.

O vulcão, assinalou, está “numa zona na ponta oeste da ilha do Faial, onde é frequente haver ventos com mais de 100 quilómetros/hora” e “grande intensidade de chuva”, além de ser um território no mar.

“As taxas de erosão para a recente paisagem do vulcão dos Capelinhos foram extremamente elevadas nos anos que se seguiram à erupção, sendo este processo mais eficiente a oeste e chegando a atingir os 300 metros por ano para este quadrante em 1959”, exemplificou.

Já “entre 1976 e 1981, as taxas de erosão eram de cerca de seis metros/ano”, referiu, observando que foram extremamente elevadas nos anos que se seguiram à erupção, mas que tenderam a diminuir ao longo dos tempos.

“Esta diminuição nas taxas de erosão deve-se a diversos fatores, sendo dois deles mais evidentes. Em primeiro lugar, deste processo erosivo resulta a acumulação de materiais arrancados à paisagem, formando praias de calhau e de ‘areia’ [cinza] que cobrem as margens junto ao cone principal, atenuando, assim, o efeito das ondas junto à base da falésia e abrandando o processo erosivo”, declarou João Melo.

A isto acresce “o facto das cinzas vulcânicas se alterarem ao longo do tempo através de um processo denominado palagonitização, do qual resulta a sua compactação e, consequentemente, uma nova rocha, o tufo, mais resistente à erosão”, esclareceu.

João Melo informou que “nos últimos anos a erosão registada é de 1 a 1,5 metros/ano”, para concluir que, “da paisagem inicial formada por este vulcão, resta apenas 0,5654 quilómetros quadrados”.

“A intensidade da erosão tem vindo a reduzir-se e agora esperemos que ela seja tão lenta que ainda se consiga ter algum território [novo] durante muitos anos”, acrescentou.

A erupção do vulcão dos Capelinhos começou a 27 de setembro de 1957. Um ano depois começou a perder força e, a 24 de outubro de 1958, ocorreu a última emissão de lavas e o vulcão adormeceu, segundo o sítio na Internet “Sentir e interpretar o ambiente dos Açores”, da Direção Regional do Ambiente.

O mesmo ‘site’ acrescenta que a erupção provocou “avultados prejuízos materiais em habitações das freguesias limítrofes”, assim como a “inutilização dos campos de cultivo, cobertos por um espesso manto de cinza”, mas não houve uma única vítima mortal.

In Diário de Notícias

http://www.dnoticias.pt/pais/vulcao-dos-capelinhos-deu-terra-nova-a-portugal-mas-resta-apenas-um-quarto-KI2082185#

Compilação de trabalhos sobre o Vulcão dos Capelinhos

Fernando Rebelo

https://www.uc.pt/fluc/nicif/riscos/Documentacao/Territorium/T06_artg/T06_NNR05.pdf

Planetary protection


Space Today

FEATURE: Planetary protection

DUNE FIELD IN A CRATER
ESA/DLR/FU Berlin, CC BY-SA 3.0 IGO

How much can humans do on other planets and how can we prevent contamination on different worlds?

Several treats and laws have been drawn over the years.

Let’s check some opinions and build our own on planetary protection.

“We’re being overprotective of Mars.

That’s the main point Alberto Fairén of Cornell University and co-authors (including me) make in a new article published in the journal Astrobiology.”

Says Dirk Schulze-Makuch

In Air Space Mag
http://www.airspacemag.com/daily-planet/its-time-loosen-planetary-protection-rules-mars-180964845/#9z6ffZFjVrmF7pbk.99

From the same authors

Full Article on Astrobiology

Searching for Life on Mars Before It Is Too Late

http://online.liebertpub.com/doi/full/10.1089/ast.2017.1703

Full article on Nature

The overprotection of Mars

https://www.nature.com/articles/ngeo1866?foxtrotcallback=true

What is planetary protection

Planetary protection is a guiding principle in the design of an interplanetary mission, aiming to prevent biological contamination of both the target celestial body and the Earth in the case of sample-return missions. Planetary protection reflects both the unknown…

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