Fly me to the Moon


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http://www.spacex.com/news/2017/02/27/spacex-send-privately-crewed-dragon-spacecraft-beyond-moon-next-year

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15 empresas portuguesas no espaço


15 empresas portuguesas no espaço

Elon Musk, CEO da SpaceX, quer começar a enviar o seu sistema interplanetário de transporte para Marte em 2022. Jeff Bezos, CEO da Blue Origin, quer lançar as fundações para viagens turísticas à Lua, e também a Marte. As duas empresas norte-americanas são pequenas, arrojadas e muito ambiciosas. Estão a fazer história com lançadores e foguetões reutilizáveis, desafiando uma indústria de 295 mil milhões de euros em que a inovação é lenta e a aversão ao risco enorme. Musk e Bezos querem revolucionar o espaço e o futuro da humanidade. E Portugal? Terá capacidade para participar nesta nova era? É possível que a nova economia do espaço chegue às (poucas) empresas portuguesas do setor espacial?

Sim e não, diz quem está por dentro deste nicho altamente especializado. Portugal tem cerca de 15 empresas a trabalhar ativamente em projetos espaciais internacionais, sobretudo da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla inglesa), não contando com o envolvimento de institutos e universidades. “Neste novo mercado new space é difícil as empresas portuguesas terem uma fatia. Nós em Portugal vamos tipicamente continuar a trabalhar com as grandes missões científicas da ESA”, diz ao Dinheiro Vivo Ricardo Patrício, CEO da Active Space Technologies. Esta é uma das mais avançadas empresas portuguesas do setor. Patrício esteve em Guadalajara, no Congresso Internacional de Aeronáutica onde Elon Musk revelou o seu arrojado plano de colonização de Marte, e ficou surpreendido pela positiva com o tamanho e energia da conferência. Portugal tem cerca de 15 empresas a trabalhar ativamente em projetos espaciais internacionais, sobretudo da Agência Espacial Europeia O intuito: sentir o pulso ao mercado para poder aproveitar a dinamização que Musk e Bezos estão a dar à indústria. “Estamos muito presos ainda aos projetos da Agência Espacial Europeia e estamos a olhar para estas questões do new space e do mercado que vai abrir na indústria espacial”, refere. O CEO acredita que a Active Space é uma das empresas que está mais bem preparada para isso, embora tenha “um trabalho pela frente.”

A questão é que nenhuma empresa portuguesa do setor irá ser beneficiada diretamente. Tanto a SpaceX como a Blue Origin usam apenas tecnologias e engenharia norte-americanas, pelo que não haverá espaço para contratação noutros países. “Na SpaceX, não há oportunidades para Portugal”, declara Patrício. No entanto, o impulso que as duas empresas estão a dar ao mercado irá ter um efeito multiplicador com hipótese de chegar cá. É o que explica António Neto da Silva, presidente da associação Proespaço, que congrega as empresas do setor. “A indústria portuguesa está bem posicionada para participar em qualquer explosão da indústria do espaço. Seria muito conveniente que tivéssemos clientes que não fossem apenas a ESA”, adianta. “Temos conhecimento que outras empresas não têm. Nalguns nichos, se essa explosão acontecer, eles têm que vir cá.” O responsável refere-se a tecnologias em que Portugal é perito, nomeadamente os sistemas de aterragem das naves nos planetas, que fazem que a nave não aterre numa zona muito inclinada ou dentro de um buraco. “A indústria portuguesa está bem posicionada para participar em qualquer explosão da indústria do espaço. Seria muito conveniente que tivéssemos clientes que não fossem apenas a ESA” Para haver essa expansão do mercado, é preciso que outras empresas reajam à investida da SpaceX, e é precisamente o que parece estar a acontecer. Esta semana, o CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, disse que iria chegar a Marte primeiro que Elon Musk. Numa conferência em Chicago, o executivo afirmou estar convencido de que “a primeira pessoa a pôr os pés em Marte vai chegar lá num foguetão Boeing.” Boas notícias, diz António Neto da Silva. “Se a Boeing e a Airbus decidirem entrar nesta competição, é evidente que haverá trabalho para cá, fundamentalmente na área da aeronáutica e também no espaço.” Bruno Carvalho, diretor de desenvolvimento de negócio da Critical Software, concorda. “Estes investidores estão a exercer pressão no status quo. Podem correr riscos e isso tem obrigado empresas que estão no mercado há anos, como a ULA [United Launch Alliance] a repensar a forma como estão a desenvolver o negócio e a inovar.” –

No entanto, o responsável da Critical – cujo primeiro cliente foi a NASA – avisa que as empresas portuguesas do setor terão de se internacionalizar para poderem beneficiar do “efeito multiplicador” que isto terá. “Portugal tem as suas limitações em termos de investimento nacional, mas ao mesmo tempo não é limitado pela engenharia que faz e a qualidade que tem”, sublinha. O governo português tem cerca de 20 milhões de euros investidos em programas opcionais da ESA, o que garante a participação das empresas portuguesas nas missões europeias. Esse investimento será revisto na próxima reunião interministerial da agência, que acontece em dezembro. A Proespaço está a trabalhar para garantir que o nível de investimento se mantém ou aumenta, dado o enorme retorno que tem. Mas trata-se de uma entidade institucional, diferente destes novos players privados e de outros já no mercado, como a Lockheed Martin, Airbus, Boeing e Arianespace. O governo português tem cerca de 20 milhões de euros investidos em programas opcionais da ESA “A estratégia da indústria nacional tem de passar por um processo sistematizado de internacionalização e de uma abordagem de transferência de tecnologia desses mercados institucionais, que financiam a inovação, com algum investimento privado para conseguir dar um passo mais à frente”, diz Bruno Carvalho. É o que a Critical está a fazer, com presença nos Estados Unidos e Reino Unido. O executivo revela que a empresa está já envolvida nalguns projetos espaciais privados, um dos quais conta com investimento próprio. E para o cidadão comum, o que é que isto interessa? Muito. “Tipicamente não passa para o público em geral, mas tudo o que tenha que ver com a navegação, tecnologias médicas, internet, tudo isto vem muito da exploração espacial”, sublinha Ricardo Patrício. “Vejo tudo o que é exploração espacial como um meio de nós inovarmos como espécie humana”, acrescenta. “Tecnologicamente, isto dá um empurrão muito forte.”

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