Noite das Bruxas


Noite das Bruxas

À volta do Mundo

Samhain

Samhain (Festa de Todos os Santos, All Hallows, Mischief Night, Hallowmas, Noite de Saman, Samaine, Halloween, All Hallows Eve)

Samhain (pronuncia-se Sou-ein) é festejado a 31 de Outubro, celebrando a última das colheitas. Popularizada como a Noite das Bruxas, ou Halloween, nos países anglo-saxónicos, esta noite é também aquela em que o véu que separa o mundo material do espiritual é mais fino, facilitando o contacto com os nossos antepassados. Os Portões das Sidhe, que dividem os dois mundos, estão abertos e nem os humanos nem as fadas precisam de senhas para entrar e sair. O Outro Mundo concilia-se com o nosso à medida que a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega.

Entre os diversos rituais associados a este festival está a realização de uma ceia em silêncio, através da qual se tenta contactar com aqueles que já cruzaram os portais entre os dois mundos. De igual forma, é tradicional deixar um lugar à mesa destinado aos antepassados, servindo os respectivos pratos como se eles estivessem fisicamente presentes na ceia.

Para aqueles que não têm família para celebrar seus ancestrais, é comum deixarem-se alimentos no exterior da casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados.

Nesta época do ano, o pico do Outono no hemisfério Norte, o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol enfraquece rapidamente, enquanto a sombra cresce e as folhas das árvores caem, anunciando a chegada do Inverno. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, segundo as medições feitas na antiga na Britânia e na Irlanda, razão pela qual os celtas escolheram esta celebração, em lugar do Yule, o Solstício de Inverno, para representar o Ano Novo.

Na Antiguidade, os europeus assinalavam esta época das últimas colheitas com o sacrifício dos seus gados, uma forma de aproveitar a carne dos animais que não conseguiriam sobreviver aos rigores do Inverno. Deste modo, apenas os mais fortes seriam mantidos para o ano seguinte.

No sentido mais espiritual, a noite de Samhain marca o momento em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. Apesar da morte do Deus, que se torna no Senhor da Morte e das Sombras, a sua alma permanece viva na criança ainda por nascer que crescer na Deusa e que simboliza a nova vida. Este momento simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais.

O Halloween é também um festival do fogo, facto que é assinalado com o acender de fogueiras que servirão para iluminar o caminho dos espíritos para o Outro Mundo, também chamado País de Verão.

Para que os espíritos encontrem o caminho para o nosso mundo, bem como sejam guiados na sua jornada de regresso, é habitual colocar uma vela acesa na janela da casa.

Sendo esta considerada como a noite mais mágica do ano, o Samhain é igualmente tido como sendo um momento muito favorável para as práticas divinatórias, nomeadamente, no que concerne a fortunas e casamentos futuros. Para tal, colocavam-se várias maçãs num grande barril de água, em redor do qual as mulheres se reuniam. A primeira que conseguisse apanhar uma das maçãs seria a primeira a casar no ano seguinte.

Contudo, a prática do Samhain que maior fama granjeou foi a das máscaras de abóbora, chamadas Jack O’Lantern  e que mantém até aos dias de hoje, integrando as actuais celebrações do Halloween.

A sua origem não é clara, sendo atribuída tanto aos escoceses como aos irlandeses. Sabe-se que as máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair durante a noite de Samhain, uma vez que as sombras provocadas pelas faces esculpidas nas abóboras afastavam os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. As mesmas máscaras eram também colocadas nos batentes das janelas e em frente à porta de entrada para proteger toda a casa.

Já a tradição de percorrer as casas da vizinhança pedindo doçuras ou travessuras tem origem celta. Contudo, era um ritual praticado pelos adultos e não pelas crianças, como sucede actualmente, que se deslocavam de casa em casa, cantando, e que eram presenteados pelos habitantes.

O Samhain é um tempo para a reflexão, no qual olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.

O Dia das Bruxas (também conhecido pela sua denominação em inglês Halloween) tem origem em celebrações associadas a momentos marcantes da natureza e da agricultura datadas da Antiguidade. Refira-se que a designação de Dia das Bruxas apenas existe para os povos de língua (oficial) portuguesa.

As celebrações originais reportavam a uma festa pagã, o Samhain. Com o surgimento do cristianismo, a igreja procurou restringir estas celebrações, instituindo as cerimónias dedicadas à véspera e ao Dia de Todos os Santos, a 1 de Novembro. Inicialmente, a festa de Todos os Santos era celebrada no dia 13 de Maio.

Assim, a origem do Halloween remonta às tradições dos povos que habitavam a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre 600 a.C. e 800 d.C., embora de forma bastante diferente das actuais abóboras ou da conhecida frase “gostosuras ou travessuras“, uma exportação norte-americana.

O festival de Samhain (o fim do Verão) fazia parte do calendário celta da Irlanda e era celebrado entre finais de Outubro e os primeiros dias de Novembro e marcava o final do período estival, bem como a última das colheitas.

Por esta altura de celebração, os celtas celebravam um conjunto de datas, entre as quais o culto aos mortos (a festa dos mortos), já que se acreditavam que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Durante esta festa, os sacerdotes actuavam como médiuns, procurando estabelecer uma ligação entre as pessoas e os seus antepassados que haviam deixado o mundo dos vivos e habitavam já um lugar que se acreditava ser de felicidade perfeita, sem fome nem dor.

Nesta noite o véu que separa o mundo material do mundo espiritual torna-  -se mais fino e facilitando o contacto com ancestrais torna-se mais fácil. Neste momento, o chamado Outro Mundo aproxima-se do nosso à medida que a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. As fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (ou País de Verão).

É comum realizar uma ceia em total silêncio e deixar um lugar à mesa destinado aos ancestrais, aos quais são servidos pratos como se eles fossem uma presença viva.

Para aqueles que não têm família, é tradição deixar alguns alimentos na porta de entrada, em homenagem aos amigos que já abandonaram este mundo.

De igual forma, é também tradicional deixar uma vela acesa na janela para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo.

Este é também o tempo do ano em que o frio aumenta e a morte vagueia pela Terra, enquanto o Sol enfraquece rapidamente, numa clara preparação para a chegada do Inverno.

Por esta altura, os antigos povos da Europa sacrificavam as suas cabeças de gado como forma de preservar a carne para o Inverno, já que os animais dificilmente poderiam sobreviver ao frio crescente. Apenas um pequeno número de animais era mantido para o ano seguinte.

No Samhain, o Deus morre, (tornando-se no Senhor da Morte e das Sombras) mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa, um simbolismo para a morte das plantas e a hibernação dos animais

Entre algumas das tradições mais conhecidas do Samhain está o famoso Jack O’Lantern, que deu origem às actuais abóboras.

Originalmente, as pessoas usavam abóboras esculpidas como máscaras, sendo que as sombras por elas provocadas afastavam os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Estas máscaras eram também colocadas nas janelas e nas portas de entrada com o objectivo de proteger toda a casa.

Da mesma forma, também o costume norte-americano de mascarar as crianças e deixá-las correr de casa pedindo gostosuras ou oferecendo travessuras tem origem celta. Na Antiguidade, eram os adultos quem passava de casa em casa, entoando cânticos, sendo presenteados com agrados pelos seus habitantes.

Associação com as bruxas

A relação da comemoração desta data com as bruxas terá começado na Idade Média como consequência das perseguições encetadas por líderes políticos e religiosos aos que eram pagãos. Designados por bruxos ou bruxas, com um carregado sentido pejorativo, eram julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.

Em Portugal

Ao contrário do que se diz por aí, a tradição de celebrar a noite do 31 de Outubro também existe em Portugal desde tempos imemoriais. Claro que não envolve abóboras recortadas ou chapéus de bruxa, mas muitas assentam em antigos ritos pagãos aos quais se associaram, mais tarde, as celebrações de inspiração cristã, como o Dia de Todos-os-Santos.

As celebrações próprias do paganismo associam este período do ano a uma renovação, grosso modo, a uma passagem de ano. Em Portugal, existem duas tradições que se assinalam a 31 de Outubro e a 1 de Novembro: a mais conhecida, o Pão por Deus, e a mais antiga, a Festa da Cabra e do Canhoto.

Considerada como uma das festas mais genuínas de Portugal, a Festa da Cabra e do Canhoto, que se realiza na noite de 31 de Outubro na aldeia de Cidões (concelho de Vinhais), tem origens remotas mas continua a celebrar-se hoje tal como se fazia no tempo em que os celta-iberos caminhavam pelo território da Península.

Na noite de 31 de Outubro, a população de Cidões esconjura os demónios confeccionando uma refeição festiva com a mais tradicional representação do demo: a cabra. O animal, velhas e boas cabras às quais a população chama de machorras por serem estéreis, é cozinhado em potes de grandes dimensões, sobre o fogo intenso do chamado canhoto, um tronco, e acompanhado por pão de lenha, castanha assada, maçãs, figos e nozes. O canhoto é queimado junto a um cruzamento, que a mística popular associa às práticas de bruxaria.

Tudo bem regado a vinho e a aguardente queimada.

A noite é também assinalada com o relato de histórias antigas destinadas a arrepiar a provocar arrepios na espinha e das tropelias dos rapazes que, após o repasto, percorrem a aldeia roubando vasos de flores e outros objectos, montados num carro de bois cujo chiar se prolonga na noite para não deixar ninguém dormir. A atitude dos mancebos reproduz o caos próprio do fim de um ciclo e do princípio de outro, trazendo assim ao presente o rito pagão da mudança de ano.

Ou seja:

UM POUCO DE HISTÓRIA – Cidões e a Festa da Cabra e do Canhoto

A propósito da Festa da Cabra e do Canhoto, aqui fica um pouco de história que ajuda a explicar a origem desta tradição transmontana.

Textos de Luís C., cedidos pela Associação Raízes Aldeia de Cidões. Um grande bem-haja!

UM POUCO DE HISTÓRIA

Em muitas aldeias de Trás-os-Montes há muitas tradições que se perdem no tempo o seu significado. Realizam-se por sempre se realizarem sem terem explicações para elas, pois sempre se fizeram.

O Halloween é uma celebração anual muito comum em vários países. Mas que celebração é essa? E onde esse evento tão peculiar teve origem? Será um tipo de culto às coisas do mal? Ou será somente a continuidade de um rito pagão antigo?
Apesar de ser um acontecimento tradicional em países como os Estados Unidos, o Reino Unido, dentre outro, em Portugal sempre se realizou mas não com esse nome. Temos também em cima de nós as tradições de muitos povos que passaram pela Península entre eles o povo Celta que na noite de 31 de Outubro acendiam grandes fogueiras na parte mais alta da sua povoação.

Esta noite tem a sua origem no milenar festival Celta de Shamhain. O Celtas, que viveram há 3000 anos e que tinham apenas 2 estações do ano: a Estação escura e a estação Clara. Ora a estação escura começa precisamente neste dia.
Este dia marcava o final do verão e das colheitas, que era seguido pelo período de Inverno extremamente frio e com dias sem sol, pequenos e longas noites. Um longo período de escuridão.

À meia-noite do dia 31 de Outubro, a celebração do Shamhain tinha início, quando se acreditava que os espíritos dos mortos voltavam para reviver na Terra. Esse espíritos causavam, além de outros danos, prejuízos nas plantações; o espantalho para afastar os espíritos das plantações tem características do Judas malhado na Semana Santa dos cristãos. Outros espíritos que vinham, ajudavam aos Druidas, sacerdotes Celtas, à premonição e leitura do futuro. Para o povo, era um grande conforto, acompanhar as profecias e orientações religiosas dos sacerdotes, pois isso os ajudava a proteger-se contra a escuridão e os perigos das trevas do Inverno.

Uma interminável lista de tipos de celebrações é atribuída ao Festival do Shamhain.

Pelo ano 43, A.C., os Romanos conquistaram a maioria dos territórios celtas. No curso de 400 anos, os Romanos impuseram regras e lei nas terras celtas; dois festivais de origem Romana foram combinados com a tradição celta da celebração do Shamhain. A primeira foi a Feralia, um dia no final de Outubro quando os Romanos tradicionalmente comemoravam a passagem da morte. O segundo festival era um dia em honra de Pomona, a Deusa das frutas e das árvores. O símbolo de pomona é a maçã e, possivelmente tenha sido absorvida pelo Festival de Shamhain o que explica a introdução da maçã, nos dias de hoje.

Por volta do ano 800 D.C., por influência do Cristianismo, isto foi ampliado para todos os mais distantes territórios celtas. No século XVII, o papa Bonifácio IV, designou o mês de Novembro, no dia 1º, como o Dia de Todos os Santos e mártires. Acredita-se que tal iniciativa teria sido a de neutralizar o sentido do Shamhain; tanto que este dia foi considerado um Dia Santo.

Esta celebração, em inglês, passou a ser chamada de All-hallows ou All-hallowmas que em inglês antigo, Alholwemesse, significava Dia de Todos os Santos; seguindo no tempo, em inglês, provavelmente, o All-hallows Eve, tenha composto a corruptela Halloween. Mais tarde, por volta de 1000 D.C., foi instituído o Dia de Finados, celebrado em alguns territórios da Gália, onde hoje estão Portugal, Espanha, Itália etc. Em alguns desses países, principalmente a Espanha e muitos países latinos de língua espanhola, celebram O Dia dos Mortos com muitas festas, espectáculos pirotécnicos, desfiles de fantasias. Na verdade o Shamhain foi desmembrado em três festas.

Após a conquista das Gálias, pelos Romanos, os vencedores cuidaram de trabalhar para apagar a cultura preexistente, como forma de desestruturar e impor a nova ordem, do dominador. Isso assegura ao vencedor, o afastamento do risco de reorganização do vencido.

A festa de Halloween, na verdade, equivale ao Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados, como foi absorvido pela Igreja Católica para apagar os vínculos pagãos, origem da festa. O dia da comemoração dos mortos para os Cristãos, era o Ano Novo, para os Celtas. Exactamente à meia-noite, hora fechada aos vivos e única hora de passagem para os seres (os mortos) que habitam noutro plano astral em busca de pedido de perdão aos vivos para, assim, alcançarem a paz.

Exactamente, como aconteceu aos druidas, proibidos das manifestações da sua cultura mas, que foi absorvida por transformações ao longo da História, na medida dos interesses de outras culturas e religiões. Mesmo hoje, nos nossos dias, distanciados dos factos Históricos ela permanece oculta por camadas de aculturações. Mas, ainda assim, resiste.

Durante três dias, os Celtas acendiam velas dentro de cabeça de abóbora para indicar o caminhos àqueles que eles acreditavam serem visitados por seus parentes e receber o perdão daqueles a quem eles haviam feito sofrer. Fica
esclarecido o significado da cabeça de abóbora iluminada por uma vela, além do significado de sabedoria (pela humildade para saber pedir perdão e como prova de vida além da vida).

Freguesia de Vilar de Peregrinos: Vilar de Peregrinos e Cidões

HISTORIAL DA FREGUESIA DE Vilar de Peregrinos- Cidões

Orago: S. Salvador

População: 340 Habitantes

Actividades económicas: Agricultura e pecuária, construção civil, exploração florestal e pequeno comércio.

Festas e Romarias:

Cidões: – Festa da Cabra e do Canhoto ( 31 de Outubro) e N.S. da Assunção (15 de Agosto);

Vilar e Peregrinos: S. Jorge (último domingo de Agosto) e S. Salvador (6 de Agosto).

Património cultural e edificado:

Vilar dos Peregrinos – Igreja paroquial, Capela de S. Jorge, fonte de mergulho, moinho de água, cruzeiro, nicho;

Cidões- Igreja de Cidões, Fonte de Mergulho, moinho de água, nicho, ruínas de convento no monte de São Namédio, mina de água.

Outros locais de interesse turístico: Margens do rio Tuela (truta, barbo, escalo, boga, enguia, lontra, cágado) e zona de caça (Javali, Coelho, lebre e perdiz).

Gastronomia: Presunto bísaro, fumeiro (enchidos), leitão cabrito e cordeiro assados no forno, Cabra no pote, arroz doce, pão-de-ló e pudim de ovos.

Artesanato: Cestaria em verga e piorno, rendas, bordados e trabalhos em lã.

Colectividades: Comissão Fabriqueira da Igreja.

A freguesia de Vilar de Peregrinos dista 6 quilómetros da sede do Concelho e está situada na margem esquerda do rio Tuela. Ocupando uma área de12,54 quilómetros quadrados, agrega a aldeia de Cidões. No seu termo há uma mina de manganês, hoje desactivada, denominada sobral.

Quanto ao topónimo principal desta freguesia, o elemento Vilar indica um “Vilar” (fracção de uma “vila” agrária que pode ser a de Cidões, que deve ter uma existência anterior á designação actual) que será em origem um “Vilar”, dos chamados “velhos”, mas repovoado nos princípios da Nacionalidade, o que significa o mesmo que se fosse novo um tal “Vilar”, por se tratar de um núcleo de povoadores sobre si. O determinativo Peregrinos é muito posterior, indicando claramente que a povoação era local de passagem das peregrinações a Santiago de Compostela.

No “Portugal Antigo e Moderno”, o abade de Miragaia registou uma importante informação histórica sobre o assunto e sobre a freguesia: “ A igreja de Cidões, que foi freguesia, é uma humilde capela de uma só nave e com um só altar, dedicado à assunção da Virgem. Nela se vê uma formosa pia baptismal antiquíssima, de belo mármore. Foi de um convento que em tempos muito remotos existiu no monte do Franco, termo desta paróquia de Cidões, e do qual apenas restam hoje algumas paredes desmanteladas no sítio de S. Mamede, titular do pobre Convento, segundo se supõe, pois não há memória de tal convento, nem se sabe a que ordem pertencia. Os mais idosos referem que na sua mocidade ouviram dizer a diferentes anciãos que o dito Convento foi de Templários, que daqui
passaram para Valhadolid. Também consta que o dito Convento foi matriz deste povo e dos circunvizinhos, como prova a pia baptismal que se guarda nesta igreja de Cidões. Também nela há um cálice de prata e uma cruz paroquial que pela sua singeleza revelam muita antiguidade e consta terem pertencido ao mesmo convento, do qual muito provavelmente esta freguesia tomou o nome de Vilar de Peregrinos, pois os Templários costumavam ter nos seus conventos hospitais ou albergarias para os pobres e os peregrinos”.

Templo digno de nota nesta freguesia, para além da igreja matriz e da Igreja de Cidões, é a vetusta capela dedicada remotamente a S. Jorge. A sua antiguidade deve remontar à época da introdução daquele culto entre nós (século XIII). A festa em honra do mártir continua a realizar-se anualmente, sendo mesmo de grandes tradições. Em 1885, o Abade de Miragaia dizia que a festa era em 4 de Abril, “havendo por essa ocasião também feira de gado, principalmente lanígero”.

Freguesia de Vilar de Peregrinos.

Vilar de Peregrinos é uma freguesia toponimicamente muito curiosa. A actual teve origem numa outra, mais antiga, dita S. Cipriano (diminutivo de S. Cibrão, hagiotopónimo que por sua vez é corrupção de S. Cipriano). De facto, na área desta freguesia, há um lugar designado com aquele nome, onde existia uma capela hoje dita de S. Jorge. Não nos custa crer que esta capela tenha sido a paroquial primitiva, embora se trate de uma capela de S. Jorge, uma das devoções substitutas de Santiago, implantada em Portugal no tempo de Guerra da Independência. Recordamos que, aqui muito perto, em Vilarinho de Agrochão, há uma situação igual.

Chama-se hoje a freguesia Vilar de Peregrinos. Vilar, porque fragmentação de uma “villa” matriz, certamente a de S. Cibrainho; “de Peregrinos”, pois “por esta região bragançana, …, passava uma das vias mais favoráveis às
peregrinações constantes e ongínquas a Santiago de Compostela” (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira). O nome primitivo da paróquia, “Villa Sancti Cipriani”, terá sido substituído pelo actual no séc. XIII.

 

 

Pedir o pão por Deus

A tradição de pedir doçuras ou travessuras tem a sua “versão” bem portuguesa.

Trata-se de “pedir o pão por Deus”, ainda hoje celebrada no Centro e na Estremadura, bem como nalgumas regiões dos Açores, de onde rumou para o Brasil através dos emigrantes.

Nos arredores da Grande Lisboa, esta tradição ganhou força depois do terramoto de 1 de Novembro de 1755, quando as pessoas que perderam todos os seus bens na catástrofe se viram obrigadas a Pão por Deus nas localidades que não tinham sofrido danos.

Celebrada no dia 1 de Novembro, esta tradição leva as crianças de porta em porta pedindo o Pão por Deus. Na origem deste ritual as pessoas ofereciam socas de milho, batata doce, castanhas, bolos de massa doce, rebuçados, figos passados, etc. Actualmente, enquanto recitam versos, recebem guloseimas diversas, como rebuçados e chocolates, pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, tremoços e amêndoas ou castanhas que colocam dentro de sacos de pano, de retalhos ou de borlas. Nalgumas regiões do País, os padrinhos oferecem também um bolo confeccionado especialmente para o efeito, o Santoro.

Aqueles que nada entregam às crianças, recebem em troca versos maldosos:

Soca vermelha, soca rajada tranca no cú a quem não dá nada

Ou

O gorgulho gorgulhote,

lhe dê no pote,

e lhe não deixe,

farelo nem farelote.

ou

Esta casa cheira a alho

Aqui mora um espantalho

Esta casa cheira a unto

Aqui mora algum defunto.

 

Quem não dá, desculpa-se assim:

Olha foram-me os ratos ao pote e não me deixaram farelo nem farelote!

 

Entre os versos recitados pelas crianças para pedir o Pão por Deus, contam-se:

Bolinhos e bolinhós

Para mim e para vós

Para dar aos finados

Qu’estão mortos, enterrados

À porta daquela cruz

Pão, pão por deus à mangarola,

encham-me o saco,

e vou-me embora.

ou

Pão por Deus,

Fiel de Deus,

Bolinho no saco,

Andai com Deus.

ou

Truz! Truz! Truz!

A senhora que está lá dentro

Assentada num banquinho

Faz favor de s’alevantar

Para vir dar um tostãozinho.

Quando recebem as oferendas, as crianças agradecem:

 

Esta casa cheira a broa

Aqui mora gente boa.

Esta casa cheira a vinho

Aqui mora algum santinho

 

 

 

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FESTA DA CABRA E DO CANHOTO


FESTA DA CABRA E DO CANHOTO – Dia 31 de Outubro

Festa da Cabra e do Canhoto 2012 – Foto Associação Raízes Aldeia de Cidões

Reza a lenda que: “numa noite de folia e transgressão, generosidade e alegria, canhotos hão-de criar uma fogueira que ainda se faz numa encruzilhada e ai daquele que não se aqueça nessa fogueira ou que não coma do banquete que ali se preparará” já que a “quem no canhoto não se aquecer e da cabra não comer, um ano de azar vai ter”.

 
Ao contrário do que muitos defendem, Portugal tem as suas tradições bem enraizadas no que respeita à Noite das Bruxas.

Embora de características muito diversas das celebrações feitas nos países anglo-saxónicos, são bastante peculiares os festejos portugueses.

Um desses casos é a Festa da Cabra e do Canhoto, também conhecida como a Lenda das Almas, realizada na aldeia de Cidões, no concelho de Vinhais.

No lugar do Cimo do Povo, em Cidões, os mordomos têm a responsabilidade de reunir grossos troncos – chamados canhotos de madeira – que devem ser roubados ou não arderão, diz a tradição, e que, uma vez colocados numa pilha que atinge alguns metros de altura, darão lugar a uma fogueira de grandes dimensões. Ao lado, é feita outra fogueira, mais pequena, na qual serão cozinhadas as cabras, “velhas e boas cabras, machorras” (estéreis) em potes de ferro.

O canhoto e a cabra machorra são a representação do Diabo, que é queimado na fogueira, e da sua mulher infértil, que serve de refeição a todo o público que esteja presente na festa.

Enquanto os convivas esperam pelo repasto, são servidas castanhas assadas, figos secos e nozes acompanhados com vinho de produção local, feito com uvas que crescem nas encostas do rio Tuela, e a aguardente queimada, tudo  acompanhado por “histórias de arrepiar, de outros tempos”. Não pode faltar aos convivas o ulhaque (*), uma bebida tradicional de Cidões. À volta da fogueira maior juntam-se tocadores de concertina e cantadores espontâneos cantando canções populares.

Ao longo da noite, os rapazes mais jovens roubam os vasos de flores que enfeitam as varandas e colocam-nos ao longo da rua, virando a aldeia do avesso e passeando um carro de bois que fazem chiar de forma a que ninguém durma. Em cima do carro de bois segue o Diabo, trajado a rigor, que protesta contra a morte da cabra, a sua esposa.

A população procura, com este ritual, evocar as energias renovadoras e propiciatórias do caos que caracteriza o fim e o princípio de um ciclo, o que realmente se celebra nesta noite.

No dia 1 de Novembro, após a realização da missa pelos finados e ida ao cemitério, é feito o leilão da lenha roubada, no largo da aldeia, cujos proveitos irão contribuir para a realização das próximas missas em honra dos falecidos.

A Festa da Cabra e do Canhoto tem origem na tradição celta, segundo a qual se deve acender uma grande fogueira numa clareira, na parte mais alta da localidade, para celebrar neste dia o Samhain, o fim de um ano e inicio de um novo, um ritual relacionado com a actividade agrícola, a época das colheitas. Os cristãos transformaram a data no Dia de Todos os Santos e no Dia de Finados, numa alusão supersticiosa a essa ligação.
Ainda em Trás-os-Montes, a noite é também assinalada com a presença do fogo em Argozelo, concelho de Vimioso, onde é tradicional os habitantes juntarem-se ao lume para rezar, assar castanhas e conviver, uma tradição secular. Entre as orações e o convívio bate-se com a moca na fogueira para espantar o mal e avivar o lume.

(*)ULHAQUE

Conforme referiu ao CastelodaSandrix a Associação Raízes Aldeia de Cidões, a bebida tradicional local, denominada Ulhaque é:

“Bebida celta.
Aprecie a nossa qualidade com moderação. Bebida pura e autentica, feita em Pote de aguardente, à base de bagaço e chá d`ervas, Beze dó cubo e medronhos dó rigueiral. Duplamente filtrada e armazenada em tonéis de madeira. Receita CELTA ancestral que deve ser bebida gelada. Desde a tira do bagaço do lagar até à coleta das ervas, passando pela destilação controlada no pote d`aguardente tradicional, até ao processo de armazenamento e posterior engarrafamento, todo o cuidado é pouco para produzir a melhor bebida Ulhaque, preservando a sua
inconfundível qualidade.

Receita recuperada de bebida preferida dos Celtas e mantida até aos dias de hoje. Pela sua excelente qualidade e fino sabor, é usada como esplêndido aperitivo e delicioso digestivo. Com gelo torna-se um apreciado refresco. Agora no Outono e Inverno não precisa de gelo.

Das encostas do Rio Tuela em Cidões sai este puro e delicioso néctar.”

 

Sexta-Feira 13


Sexta-Feira 13

As sextas-feiras 13 estão associadas, segundo a cultura popular, ao azar, fruto de diversos factos.

Esta data está também presente na mitologia nórdica. Numa das lendas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, o espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e iniciou uma escaramuça que terminaria com a morte de Balder, o favorito dos deuses.

De acordo com outra lenda nórdica está relacionada com a deusa do amor e da beleza, Friga (que deu origem a frigadag, sexta-feira). Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou reunir-se todas as sextas com outras 11 bruxas e o demónio para que os 13 rogassem pragas aos humanos.

No judaísmo, o 13 corresponde à letra Mem, que simboliza o renascimento e a liberdade. As superstições dia 13 estão também associadas ao dia em que o rei de França, Filipe o Belo, ordenou prender e matar todos os Templários sob a acusação de feitiçaria.

O cristianismo levou à superstição de evitar ter 13 convivas à mesa, numa reminiscência da Última Ceia, na qual um dos 12 apóstolos, traiu o 13. º comensal, Jesus Cristo.

Contudo, a superstição respeitante às Sextas-feiras 13 surgiu com os romanos, embora nada tivesse a ver com o azar mas sim com uma sucessão de acontecimentos que acabariam por marcar este dia e que levariam os cidadãos a acreditar que deveriam ter mais cuidado.

De acordo com algumas crenças europeias, as bruxas andam à solta nas Sextas-feiras 13.

Em Portugal, são algumas as localidades que assinalam as sextas-feiras 13. Entre estas, refira-se a vila de Montalegre, que dedica diversos dias a esta data, numa celebração relacionada com o oculto e com o singular que se transformou já numa tradição e que atrai visitantes de todo o país.

Este ano, o programa das festas inclui um jantar excomungado em diversos restaurantes do concelho, devendo os participantes trajar de acordo com a ocasião e uma concentração de trastos e bruxas na Praça do Município, seguido de um desfile endiabrado pelas ruas da vila.

Para além do espectáculo intitulado “Encenação da Queimada” os visitantes poderão ainda contar com tendas no Pelourinho e no Largo do Gato, sendo as ruas animadas por fogueiras. As celebrações encerrarão com o esconjuro comunitário pelo Bruxo-Mor, encarnado pelo Padre Fontes, com a distribuição da Queimada e com um espectáculo de fogo de artifício.

Já em em Cavalinhos, no concelho de Leiria, as mulheres juntam-se num encontro onde os homens não podem participar.

Refira-se ainda as celebrações na localidade transmontana de Cidões, na região de Vinhais, onde se realizam banquetes e fogueiras populares.

Samhain, a noite mágica


Samhain (Halloween)

Samhain

O Dia das Bruxas (também conhecido pela sua denominação em inglês Halloween) tem origem em celebrações associadas a momentos marcantes da natureza e da agricultura datadas da Antiguidade. Refira-se que a designação de Dia das Bruxas apenas existe para os povos de língua (oficial) portuguesa.

As celebrações originais reportavam a uma festa pagã, o Samhain. Com o surgimento do cristianismo, a igreja procurou restringir estas celebrações, instituindo as cerimónias dedicadas à véspera e ao Dia de Todos os Santos, a 1 de Novembro. Inicialmente, a festa de Todos os Santos era celebrada no dia 13 de Maio.

Assim, a origem do Halloween remonta às tradições dos povos que habitavam a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre 600 a.C. e 800 d.C., embora de forma bastante diferente das actuais abóboras ou da conhecida frase “gostosuras ou travessuras“, uma exportação norte-americana.

O festival de Samhain (o fim do Verão) fazia parte do calendário celta da Irlanda e era celebrado entre finais de Outubro e os primeiros dias de Novembro e marcava o final do período estival, bem como a última das colheitas.

Por esta altura de celebração, os celtas celebravam um conjunto de datas, entre as quais o culto aos mortos (a festa dos mortos), já que se acreditavam que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Durante esta festa, os sacerdotes actuavam como médiuns, procurando estabelecer uma ligação entre as pessoas e os seus antepassados que haviam deixado o mundo dos vivos e habitavam já um lugar que se acreditava ser de felicidade perfeita, sem fome nem dor.

Nesta noite o véu que separa o mundo material do mundo espiritual torna-  -se mais fino e facilitando o contacto com ancestrais torna-se mais fácil. Neste momento, o chamado Outro Mundo aproxima-se do nosso à medida que a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. As fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (ou País de Verão).

É comum realizar uma ceia em total silêncio e deixar um lugar à mesa destinado aos ancestrais, aos quais são servidos pratos como se eles fossem uma presença viva.

Para aqueles que não têm família, é tradição deixar alguns alimentos na porta de entrada, em homenagem aos amigos que já abandonaram este mundo.

De igual forma, é também tradicional deixar uma vela acesa na janela para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo.

Este é também o tempo do ano em que o frio aumenta e a morte vagueia pela Terra, enquanto o Sol enfraquece rapidamente, numa clara preparação para a chegada do Inverno.

Por esta altura, os antigos povos da Europa sacrificavam as suas cabeças de gado como forma de preservar a carne para o Inverno, já que os animais dificilmente poderiam sobreviver ao frio crescente. Apenas um pequeno número de animais era mantido para o ano seguinte.

No Samhain, o Deus morre, (tornando-se no Senhor da Morte e das Sombras) mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa, um simbolismo para a morte das plantas e a hibernação dos animais

Entre algumas das tradições mais conhecidas do Samhain está o famoso Jack O’Lantern, que deu origem às actuais abóboras.

Originalmente, as pessoas usavam abóboras esculpidas como máscaras, sendo que as sombras por elas provocadas afastavam os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Estas máscaras eram também colocadas nas janelas e nas portas de entrada com o objectivo de proteger toda a casa.

Da mesma forma, também o costume norte-americano de mascarar as crianças e deixá-las correr de casa pedindo gostosuras ou oferecendo travessuras tem origem celta. Na Antiguidade, eram os adultos quem passava de casa em casa, entoando cânticos, sendo presenteados com agrados pelos seus habitantes.

Associação com as bruxas

A relação da comemoração desta data com as bruxas terá começado na Idade Média como consequência das perseguições encetadas por líderes políticos e religiosos aos que eram pagãos. Designados por bruxos ou bruxas, com um carregado sentido pejorativo, eram julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.

Em Portugal

A celebração do Halloween em Portugal, na sua forma norte-americana, é recente. Contudo, existem no País algumas tradições associadas a esta noite, como é o caso do conhecido Pão por Deus, em que as crianças iam de casa em casa pedindo o “Pão por Deus” e recebendo em troca não apenas pães mas também doces regionais que eram confeccionados propositadamente para o momento.

Em Cidões, na região de Vinhais, em Trás-osMontes, é habitual celebrar-se também a Festa da Cabra e do Canhoto, uma ocasião em se esconjuram os demónios comendo, literalmente, a mais tradicional representação do Diabo: a cabra. O animal é cozinhado em grandes potes, sobre o fogo intenso do canhoto (tronco).

Depois do repasto, os mancebos viram a “aldeia do avesso”, roubando vasos de flores das varandas e voltam carros de bois e carroças, nos quais se deslocam pela localidade, de forma a que o chiar das rodas impeça a população de dormir.

 

Festival Internacional da Máscara Ibérica (3)


Los Mazcaras y los Lardeiros_Manzaneda_Galiza

Los Mazcaras y los Lardeiros_Manzaneda_Galiza

Los Sidros y La Comedia de Val de Soto

Los Sidros y La Comedia de Val de Soto

Los Sidros y La Comedia de Val de Soto

Máscaros de Vila Boa_Vinhais_PORTUGAL

Máscaros de Vila Boa_Vinhais_PORTUGAL

Máscaros de Vila Boa_Vinhais_PORTUGAL

Máscaros de Vila Boa_Vinhais_PORTUGAL

Mummers_Irlanda

Mummers_Irlanda

Mummers_Irlanda

O Chocalheiro da Bemposta_Mogadouro_PORTUGAL

O Farandulo de Tó_Mogadouro_PORTUGAL

Os Velhos de Bruçó_Mogadouro_PORTUGAL

Torros y Guirrios_Velilla de la Reina

Torros y Guirrios_Velilla de la Reina

Torros y Guirrios_Velilla de la Reina

Torros y Guirrios_Velilla de la Reina

Torros y Guirrios_Velilla de la Reina

Festival Internacional da Máscara Ibérica 2011 (2)


La Vaquilla y Los Cencerros de Palacios del Pan_Zamora

La Vaquilla y Los Cencerros de Palacios del Pan_Zamora

La Vaquilla y Los Cencerros de Palacios del Pan_Zamora

La Vaquilla y Los Cencerros de Palacios del Pan_Zamora

La Vijanera de Siló_Cantábria

La Vijanera de Siló_Cantábria

La Vijanera de Siló_Cantábria

La Vijanera de Siló_Cantábria

Las Pantallas de Xinzo de Lilia_Galiza

Las Pantallas de Xinzo de Lilia_Galiza

Los Boteiros de Viana de Bolo_Galiza

Los Boteiros de Viana de Bolo_Galiza

Los Carnavales de Villanueva de Valrojo_Zamora

Vinhais


Seguem mais dois contos da tradição popular portuguesa da região de Bragança. Para os que não sabem ou preferem achar que se trata de outra coisa, pertencem à rica tradição oral do nosso País. Eu acredito que é importante divulgá-los. Os meus avós sabem muitas como estas e eu sempre entendi isso como uma herança que, um dia, nos deixarão e não como algo mais. E já não é pouco. Claro que há quem veja nestas tradições segundos e terceiros sentidos, camuflados sabe-se lá de quê. Mas esses, e “pardon my French” podem ir à merda.

 

A alma da jovem pastora

Os antigos acreditavam que os fogos-fátuos que, em certas noites, apareciam nos cemitérios eram as almas dos defuntos que saíam a penar. E conta-se no concelho de Vinhais uma lenda sugestiva.
Próximo do lugar de Santa Cruz, era costume ver-se durante a noite, na margem do rio Tuela, uma luz a pairar, o que muito amedrontava os habitantes, levando-os a recolherem-se nas suas casas antes do anoitecer.
Diz o povo que um frade, ao passar por aqueles lados, não resistiu aos encantos de uma jovem pastora que encontrou a guardar as vacas num lameiro, e que, após abusar da sua inocência, resolveu matá-la por recear que ela o denunciasse na povoação. Acontece que, ao tentar sepultá-la na margem do rio, o corpo recusou-se a entrar na terra e desapareceu.
Por isso, o povo passou a acreditar que a luz que era vista a pairar na zona fosse a alma da jovem que andava a penar. (Santa Cruz, Vinhais, Bragança)

“O Maravilhoso Popular – Lendas, contos,mitos”, Alexandre PARAFITA, Plátano Editora, 2000

 

A alma do abade

Houve noutros tempos na aldeia de Agrochão um padre que andava sempre a dizer “ai vida, vida!”, lamentando-se por tudo e por nada. Chamavam-lhe, por isso, o “Abade vida-vida”.
Um dia morreu. E daí a algum tempo, segundo diz o povo, quem passasse à meia noite junto à sua casa, ouvia a voz do padre lá dentro, que continuava a exclamar: “Ai vida, vida!”
Esta foi razão bastante para que ninguém mais quisesse morar naquela casa. E, mesmo hoje, as pessoas evitam passar perto dela, sobretudo durante a noite. É conhecida como a “casa do abade”, e encontra-se em ruínas. O povo acredita ainda que a alma do padre continua a habitá-la. (Agrochão, Vinhais, Bragança)

“O Maravilhoso Popular – Lendas, contos,mitos”, Alexandre PARAFITA, Plátano Editora, 2000