Litha, o Solstício de Verão


Litha, o Solstício de Verão

Litha, o Solstício de Verão

O solstício de Verão marca o início da estação estival no hemisfério Norte, bem como o dia em que o grego Eratóstenes, utilizando as sombras projectadas pelo Sol em dois locais do actual Egipto e diversos cálculos geométricos simples, determinou o raio da Terra com uma extrema precisão. A palavra solstício provém do latim solstitium, que significa “o Sol está parado”.

Trata-se do maior dia do ano e da noite mais pequena e é, segundo a tradição pagã, a época do festival de Litha.

Neste dia, o Deus Sol (o Pai, que representa o fogo) atinge o seu poder máximo antes de iniciar o caminho que vai levar à morte, enquanto a Deusa (a Mãe, que representa a água), grávida, se assemelha à terra verde e pronta para boas colheitas.

A altura do solstício de Verão é a época em que o indivíduo centra a sua atenção no mundo fora de si mesmo, em particular, na natureza e em todo o seu esplendor, uma fase que desperta uma atmosfera de paixão. Este ambiente deu origem às tradições das festas juninas associadas aos namoros e aos noivados

As festas de S. João, embora não coincidam com o solstício de Verão, mantêm algumas reminiscências das celebrações pagãs.

Nesta altura, diz-se que todas as plantas e todas as águas são sagradas e que é o momento para fazer rituais divinatórios: as sementes as plantas expostas ao orvalho podem indicar aos interessados o que eles procuram saber.

As propriedades do orvalho são, de facto, outro dos pontos a reter nesta época do ano: no Porto, são famosas as Orvalhadas, acreditando-se que o orvalho caído depois da meia-noite de S. João é bento e cura todas as enfermidades. O mesmo sucede com a água, que se colhida na meia-noite de S. João, livra de feitiços, um acto que está associado aos chamados banhos santos na madrugada deste dia.

A tradição das fogueiras, que ainda hoje se podem encontrar nas regiões do Porto e de Braga, é igualmente oriunda das religiões pré-cristãs.

As fogueiras evocam o poder simbólico do fogo, usado para afugentar os demónios que apareciam no solstício de Verão. Na tradição cristã diz-se que na noite de S. João os ares estão povoados por seres benéficos e maléficos, pelo que é necessário pô-los em fuga acendendo as fogueiras.

Já a tradição de saltar as fogueiras de S. João está associada a uma purificação do corpo pelo fogo. Se a fogueira for de rosmaninho ou de outras plantas balsâmicas, livrará de bruxedos, feitiçarias e outras maleitas.

Registe-se ainda uma outra tradição do Norte do País, as chamadas Vacas-de-Fogo da região do Sousa, que consiste numa caixa pirotécnica em forma de vaca, colocada nas costas de um homem que percorre a principal artéria das localidades, num acto de purificação.

Anúncios