As minhas “estórias” do meu bairro II


As minhas “estórias” do meu bairro II 

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

In

http://blx.cm-lisboa.pt/vidasmemoriasbairro

 

Biblioteca Municipal da Penha de França

As idas à Biblioteca Municipal da Penha de França são, provavelmente, das mais simpáticas memórias da minha infância.
A Rua Cesário Verde, gigantesca aos meus olhos de criança, era a montanha a escalar no topo da qual estava aquele mundo enorme, quase infinito que cabia todo dentro de uma sala: a biblioteca.

Às portas daquele mundo estava um senhor que me intrigava. Ou melhor, a perna dele era um mistério. Mais tarde percebi tratar-se de uma malformação congénita mas naquela altura era muito estranho que ele coxeasse sempre. Mas aquela perna nunca ficaria boa? De cada vez que me aproximava da porta, naquele antigo palacete onde hoje se mantém apenas a sede da Junta de Freguesia, enchia-me de ansiedade: será que o senhor já não coxeia?
Lá dentro, naquela sala cheia de mesas e cadeiras e de gente muito compenetrada, envolvida num silêncio reconfortante, estava o mundo todo e mais além guardado em arquivadores de metal.

Abria uma gaveta, com todo o cuidado para que o barulho dos rolamentos não perturbasse o silêncio, desfilava os dedos por entre os cartões inscritos com nomes e códigos e perdia-me. Bom, se estivesse disponível um álbum do Astérix que ainda não me tivesse passado pelas mãos ou que precisasse urgentemente de reler – como era o caso de O Adivinho – não me perdia.

 

 

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Já se fosse um dia de aventura, corria uma e outra e outra gaveta até descobrir um título que me cativasse ou um nome que me soasse a alguém de confiança. Foi assim que descobri Alberto Morávia, entre outros. O nome inspirava-me confiança. Não me enganei.
Guardava os livros requisitados debaixo do braço, com a convicção de um pirata guardando o seu tesouro, e descia a Césario Verde, então já mais curta. A pressa de voltar a casa, ao meu castelo, e começar a devorar aqueles objetos mágicos encurtava a distância.

Tive pena de nunca me ter esquecido de devolver um livro. Seria uma bela recordação, aquele carimbo em cima das páginas amareladas, aquele cheiro tão próprio que só os livros de biblioteca têm. Mas nunca me esqueci de nenhum, até porque era preciso ir buscar outros e outros e outros até já não haver mais nenhum. Ai Almada, como tinhas razão.

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

“Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas 

Edições Fénix

Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

À venda em todas as livrarias e online

 

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100 anos de Carmen Miranda


 

100 anos de Carmen Miranda

http://www.averdade.com/2017/02/07/marco-de-canaveses-exposicao-de-homenagem-a-carmen-miranda-conta-com-29-trabalhos-de-alunos/

Google homenageia Carmen Miranda

Desenhado pelo artista Sophie Diao, o Doodle do Google faz homenagem a cantora e atriz luso-brasileira Carmen Miranda que hoje completaria 108 anos.

“Carmen Miranda é um raro exemplo de uma tripla ameaça: talentosa em agir, cantar e dançar. Nascida em Portugal e criada no Brasil, Miranda se apresentou às artes do espetáculo em tenra idade. O amor de seu pai pela ópera e o apoio de sua mãe levaram-na a prosseguir uma carreira no mundo do espetáculo. Inspirada por baianas, vendedores de frutas afro-brasileiros, Miranda vestiu um ‘chapéu de frutas’ ao ela se apresentar. Isso se tornaria sua assinatura à medida que sua estrela se elevava, primeiro no Brasil e depois, no mundo inteiro” publicou o Google.

“A grande momento de Miranda aconteceu depois de seu desempenho no Instituto Nacional de Música. Ela conseguiu uma audição em um estúdio de gravação onde ela foi imediatamente contratada para lançar um single. O primeiro álbum de Miranda foi lançado em 1929, e foi imensamente popular entre os brasileiros. Seu estilo de atuação ajudou o samba a ganhar respeito e um lugar no destaque brasileiro (e mais tarde, do mundo)”.

“Quando ela se mudou para os Estados Unidos em 1939, Miranda era uma estrela nacional no Brasil e tinha o poder de garantir que sua banda pudesse viajar com ela. O famoso Teatro Chinês de Garuman, em Hollywood, convidou-a a deixar suas impressões de mão no cimento em 1941, o primeiro latino-americano a fazê-lo”.

“Hoje, nós comemoramos Carmen Miranda e seu 108º aniversário”.

 

https://googlediscovery.com/2017/02/09/carmen-miranda-ganha-homenagem-do-google/

 

 

In English

http://www.imdb.com/name/nm0000544/

 

A zona de Sapadores


A zona de Sapadores

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Rua dos Sapadores 1953-07 Foto Eduardo Portugal Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

A Rua dos Sapadores (dividida administrativamente pelas freguesias da Penha de França e de Santa Engrácia) foi instituída a partir da antiga Rua do Abarracamento da Cruz dos Quatro Caminhos (mais tarde Rua dos Quatro Caminhos e dos Sapadores) pelo Edital de 8 de junho de 1889.

A Cruz dos Quatro Caminhos era, nos finais do século XIX, uma zona natural de confluência de quatro diferentes áreas, sendo que o bairro da Graça era a única claramente urbanizada. Por aqui se fazia o acesso à Penha de França e ao Poço dos Mouros.

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Rua dos Sapadores 1969 Foto Artue Inácio Bastos – Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Já no século XX, esta zona contava com diversas habitações de traça simples e cércea baixa, pertencentes às classes sociais mais desfavorecidas, desenvolvendo-se junto à Rua Angelina Vidal. Do lado contrário, e à semelhança do que sucede atualmente, existia já um quartel, do então Regimento de Telegrafistas.

Saliente-se que a presença de um aquartelamento nesta zona remonta ao século XVIII, embora menos imponente e que seria a sede do Regimento de Engenharia.

Um ano após a implementação da República, aquando da reorganização do Exército, este quartel passou a albergar os Sapadores Mineiros, cuja presença deu origem ao nome da Rua. Após as Revoltas de 1927, o aquartelamento voltou a ficar entregue aos Telegrafistas. Atualmente, pertence ao seu “sucessor”, o Regimento de Transmissões.

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Rua dos Sapadores (Quartel) Foto Arnaldo Madureira Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Com o desenvolvimento urbano das zonas em redor ao longo das primeiras décadas do século passado, nomeadamente, da Penha de França, as pequenas habitações foram sendo progressivamente substituídas por prédios menos caraterísticos. Para além dos edifícios habitacionais e do quartel, a zona de sapadores conta também com um mercado (na génesa estava uma tradicional “praça”) datado do início da década de 90 do século XX e concebido pelo arquiteto Souza Oliveira.

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Mercado de Sapadores Arquivo de Souza Oliveira

Ilhas Féroe


Ilhas Féroe

As Ilhas Féroe fazem parte do meu imaginário há muitos anos.

A minha curiosidade foi atiçada na década de noventa do século passado, quando alguém com quem convivia socialmente relatou as suas aventuras no distante arquipélago. As duas semanas de férias do meu conhecido foram tão ricas antropologicamente que dariam uma série do National Geographic. Felizmente, ele é um viajante e não apenas um turista.

Uma outra razão de peso para a minha curiosidade a respeito das Ilhas? Apenas alguns entenderão. Antes de serem um território autónomo da Dinamarca, foram norueguesas ao longo de 8 séculos. Que fique registado: não fazia ideia até à alguns minutos atrás.

Portanto, e aproveitando que Portugal e as Ilhas Féroe jogam hoje , aqui ficam alguns dados sobre o arquipélago dinamarquês.

 

Línguas  oficiais:          feroês e dinamarquês

Unificada com a Noruega    1035

Cedida à Dinamarca    14 de Janeiro de 1814

Transformação em região autónoma    1 de Abril de 1948

Área  Total:        1399 km²

População em 2010 (estimativa):                   48917 hab.

Moeda:      coroa feroesa (DKK)

A título de curiosidade, refira-se que as Ilhas não têm nenhum McDonalds e, em 2014, existiam apenas 3 semáforos, todos na capital. De igual forma, o território não tem nenhuma cadeia: Os condenados a penas de maior duração são enviados para a Dinamarca.

Ilhas Féroe  (em feroês Føroyar ou Føroyarland, em dinamarquês Færøerne e em nórdico antigo Færeyjar) são um território dependente da Dinamarca, localizado no Atlântico Norte entre a Escócia e a Islândia.

O arquipélago é formado por 18 ilhas maiores e outras menores desabitadas que acolhem, ao todo, 47.000 pessoas em uma área de 1.499 km². Na ilha maior (Streymoy), encontra-se a capital, Tórshavn, com 16.000 habitantes (1999). As terras mais próximas são as ilhas mais setentrionais da Escócia (Reino Unido), que ficam a sul-sueste, e a Islândia, situada a noroeste.

São autónomas desde 1948, tendo decidido não aderir à União Europeia. Gradualmente têm alcançado maior autonomia e para o futuro tem-se descortinado a possibilidade de tornarem-se independentes da Dinamarca.

Como território autónomo da Dinamarca, as Ilhas contam com um Alto Comissário – representante da Rainha da Dinamarca, com um parlamento unicameral formado por 32 membros (Lagting) e com um primeiro-ministro chefe de governo.

Em dinamarquês atual, o nome das ilhas é Færøerne, e na língua local (feroês), Føroyar. O nome tradicional em português, “Féroe”, provém do nórdico antigo Færeyjar, que significa literalmente “ilhas das ovelhas” ou “ilhas dos carneiros”, e chegou à nossa língua proveniente do francês Féroé.

Credits: Stig Nygaard

Tórshavn, a capital, situada na Ilha Streymoy Credits: Stig Nygaard

HISTÓRIA

A história conhecida do arquipélago inicia em 600 d.c. com sua colonização por irlandeses. A primeira menção conhecida das Ilhas Féroe foi feita pelo monge irlandês Dicuil em 82

Segundo a Saga dos Feroeses (de cerca de 1200), o primeiro colonizador foi um viking chamado Grímur Kamban, que aportou às ilhas em data incerta, pelos finais do séc. IX.

600 – 800 d.c. – Estabelecimento de monges eremitas irlandeses

825 – Conquista e colonização por vikings noruegueses

970 – 1280 – República

1135 – Torna-se país tributário à Coroa Norueguesa

1380 – Dinamarca e Noruega (incluindo as ilhas Féroe) realizam uma união monárquica

1655 – 1709 – O Rei da Dinamarca confia as ilhas à família von Gabel como um estado feudal

1709 – A coroa dinamarquesa novamente toma posse

1720 – Administrada como parte da Islândia

1776 – Administrada como parte do condado dinamarquês de Sjælland (Sealand – Zelândia)

24 de janeiro de 1814 – Reconhecida como possessão dinamarquesa pelo Tratado de Kiel

1816 – Recebe o grau de condado

12 de abril de 1940 — 16 de Setembro de 1945 – Ocupação britânica durante a II Guerra Mundial

14 de setembro de 1946 – Referendo aprova a independência (48,7% a 47%). A independência é declarada em 18 de Setembro de 1946. É anulada pela Dinamarca dois dias depois.

30 de março de 1948 – Governo autónomo é permitido.

GEOGRAFIA

As Ilhas têm uma morfologia muito acidentada, rochosa, com costas alcantiladas recortadas por profundos fiordes. Nenhum ponto das ilhas está a mais de 5 km do mar. O ponto mais alto é o Slættaratindur, na ilha Eysturoy, com 882 metros de altitude.

O clima é oceânico, marcado pela influência moderadora da Corrente do Golfo, o que, tendo em conta a elevada latitude, suaviza as temperaturas invernais. Em Tórshavn não se registam temperaturas médias mensais negativas, oscilando estas entre os 0,3 °C em janeiro e os 11,1 °C em Agosto. A média anual é de 6,7 °C. A amplitude térmica é assim muito reduzida, com verões frescos e invernos suaves. A precipitação aproxima-se dos 1400 mm por ano, com um mínimo relativo na primavera e verão. O céu é em geral nublado, com frequentes nevoeiros. São frequentes os ventos fortes.

POPULAÇÃO E CULTURA

Grande maioria da população das Ilhas Féroe é de ascendência norueguesa e escocesa. Análises recentes de DNA revelaram que os cromossomos Y da população das ilhas, que traça a descendência masculina, são 87% escandinavos. Estudos mostram que o DNA mitocondrial, que traça a descendência feminina, é 84% escocês.

As Ilhas Féroe tem pessoas de 77 nacionalidades diferentes.

Os recursos naturais são escassos. A vegetação – gramíneas – dos morros é utilizada para a criação de ovelhas. Em algumas partes da ilha de Suðuroy, existem alguns depósitos de lignito, úteis como combustível.

No mar – nos peixes – é que está a grande riqueza da nação feroesa. A pesca é responsável por 96 a 98% das exportações realizadas e praticamente todo o comércio deriva dos produtos capturados no mar. Dentro do limite de 200 milhas marítimas são encontradas espécies como bacalhau, arinca, argentina-dourada, faneca da Noruega, alabote, tamboril, peixe vermelho, pechelim, salmão e arenque. A piscicultura de salmão e truta é um setor que tem crescido e contribuído para o crescimento da balança comercial

O aeroporto Vagar (EKVG) é o único na ilha. Foi construído na segunda guerra mundial pelos militares ingleses, mas hoje é um aeroporto civil. Perto do aeroporto, existem 7 heliportos.

A cultura das Ilhas Féroe tem suas raízes na cultura nórdica. As Ilhas estiveram isoladas, durante muito tempo, dos principais movimentos culturais que surgiram em diferentes partes da Europa, o que significa que a população local conseguiu manter uma grande parte de sua cultura tradicional.

Apesar de uma rica tradição oral ter sobrevivido, a língua não foi escrita durante 300 anos, significando isto que todos os poemas e histórias foram transmitidos oralmente.

O principal festival das Ilhas é o Ólavsøka, que é realizado no dia 29 de julho e homenageia São Olavo. As celebrações são realizadas em Tórshavn, com início na noite do dia 28 e até ao dia 31.

in https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ilhas_Feroe

Mais info http://denmark.dk/pt/sociedade/groenlandia-e-ilhas-faroe/

 

 

Foto Stig Nygaard from Copenhagen, Denmark

50 anos a ligar Lisboa e Almada


A maior ponte de vão suspenso da Europa

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“No ranking das pontes rodoferroviárias relativamente ao maior vão suspenso, a Ponte 25 de Abril ocupa a 1.ª posição na Europa e a 3.ª no mundo.

A Ponte possui duas torres de cerca de 190 m de altura e um comprimento total entre ancoragens de 2.300 m, dos quais 1.013 m de vão central. Cada cabo principal tem 58,6 cm de diâmetro e é composto por 11.248 fios de aço.

A Ponte obrigou à escavação de 6,6 milhões de metros cúbicos de rocha e solos, consumiu 300.000 metros cúbicos de betão e 82.000 toneladas de peças de aço. 

Cada torre de aço demorou mais de quatro meses a ser implementada.

Os dois cabos principais pesam 8.000 toneladas e foram construídos in loco.

A viga de rigidez foi construída por secções de 300 toneladas cada, transportadas por barcaça e içadas uma a uma.

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Apesar da sua imponência, a Ponte 25 de Abril é uma estrutura dinâmica e leve, flexível e com elasticidade: não quebra; verga e resiste. É resiliente ao atrito, ao vento e aos movimentos tectónicos.

Por ação da temperatura e das cargas rodoviárias e ferroviárias atuantes, o tabuleiro rodoferroviário pode movimentar-se longitudinalmente nas extremidades até 1.50 m (± 0,75 m em relação à posição de referência) e o topo das torres pode oscilar até ao máximo de 2.0 m (± 1.0 m relativamente ao seu alinhamento vertical). Com a cessação de qualquer carga, o comportamento elástico da Ponte permite-lhe retomar as suas características iniciais (posição espacial e dimensões).”

 

In http://www.infraestruturasdeportugal.pt/centro-de-imprensa/50o-aniversario-da-ponte-25-abril

 

Martim Moniz – Heróis Populares Portugueses 8


Martim Moniz

Heróis Populares Portugueses 8

Praça Martim Moniz, Lisboa

Martim Moniz é, provavelmente, o exemplo perfeito da dificuldade que existe em separar a lenda da realidade no que concerne a muitas das figuras que fizeram a história mais remota de Portugal.

Segundo a lenda, Martim Moniz foi um nobre cavaleiro de elevado heroísmo que lutou ao lado de D. Afonso Henriques durante o cerco de Lisboa pelos mouros.

Ao aperceber-se que uma das portas do então Castelo dos Mouros (hoje Castelo de São Jorge) estava entreaberta, Martim Moniz atacou-a sozinho, sacrificando a vida ao atravessar o seu próprio corpo no vão da mesma, impedindo assim que se fechasse.

Este gesto permitiu-lhe ganhar algum tempo, o suficiente para que os seus companheiros chegassem ao Castelo e o pudessem conquistar. A porta em causa foi baptizada com o nome do nobre cavaleiro.

Em termos históricos, existem dois documentos contemporâneos da conquista de Lisboa aos mouros que relatam que relatam o acontecimento, as cartas saídas das mãos dos cruzados Osberno e Arnulfo. Contudo, nenhum dos relatos menciona um personagem como Martim Moniz. No século XIX, Alexandre Herculano considerou este episódio como lendário.

Controvérsias à parte, algumas pesquisas genealógicas levaram diversos autores a considerarem que a personagem de Martim Moniz seria filho de D. Mónio Osores de Cabreira e de Maria Nunes de Grijó e teria casado com Teresa Afonso. Segundo alguns genealogistas, esta seria uma filha bastarda de D. Afonso Henriques.

Outras correntes defendem que Martim Moniz seria filho de Moninho Viegas, senhor de algumas terras na região de Arouca, tendo vivido por volta de 1149 e casado com Ouroana Rodrigues.

Registe-se ainda uma terceira personagem com o nome de Martim Moniz, que seria irmão de Maria Moniz de Cabreira.

Por fim, outros autores referem a existência de documentos datados de 1258 que fazem já referência ao portão de Martim Moniz.

Junto à Porta de Martim Moniz, pode ler-se uma inscrição sobre a figura que lhe deu nome e ali foi colocada no século XVII (em 1646) por João Roiz de Vasconcelos e Sousa ,Conde de Castel Melhor:

“El-Rei Dom Afonso Henriques mandou aqui colocar esta estátua e cabeça de pedra em memória da gloriosa morte que Dom Martim Moniz progenitor da família dos Vasconcelos recebeu nesta porta quando atravessando-se nela franqueou aos seus a entrada com que se ganhou aos mouros esta cidade no ano de 1147.” (grafia actualizada)

Praça Martim Moniz, Lisboa