Sardinha


Como hoje é o dia dela, aqui ficam alguns dados sobre o petisco mais famoso de Lisboa.

SARDINHA

Sardinha

Sardina pilchardus

Habitat: Atlântico nordeste: Desde o Mar do Norte até ao Mar Mediterrâneo e ao Senegal.

Nível de conservação (Estatuto IUCN): Pouco preocupante

BIOLOGIA

A sardinha tem o corpo alongado, azul ou verde no dorso e prateado no ventre. Esta espécie forma grandes cardumes que se alimentam de plâncton, como pequenos crustáceos, microalgas e ovos de peixes. Durante o verão e até meados do outono acumula gordura, o que lhe permite ter energia para se conseguir reproduzir nos meses seguintes.

CONSERVAÇÃO

Sendo uma das principais pescarias em Portugal, existe um plano de gestão para a pesca da sardinha. Este inclui um limite de 180 dias de pesca por ano, por embarcação, períodos de interdição de captura e limites à pesca de juvenis. Esta espécie tem um tamanho mínimo legal de captura de 11 centímetros.

CURIOSIDADES

Durante o verão esta espécie é mais abundante na costa portuguesa devido a um fenómeno conhecido como afloramento costeiro ou upwelling. A água da superfície é afastada pela ação do vento, permitindo a subida de águas mais profundas, frias e ricas em plâncton.

In Oceanário de Lisboa

https://www.oceanario.pt/exposicoes/exposicao-permanente/peixes/sardinha

 

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Expo’98 foi há 20 anos


Expo’98 foi há 20 anos

Expo'98

Expo’98

A EXPO’98, Exposição Mundial de 1998, ou, oficialmente, Exposição Internacional de Lisboa de 1998, cujo tema foi “Os oceanos: um património para o futuro”, realizou-se em Lisboa, Portugal, abrindo portas a 22 de maio e encerrando a  30 de setembro seguinte. Teve o propósito de comemorar os 500 anos dos Descobrimentos Portugueses.

A zona escolhida para albergar o recinto foi o limite oriental da cidade junto ao rio Tejo. Foram construídos diversos pavilhões, alguns dos quais ainda permanecem ao serviço dos habitantes e visitantes, integrados no agora designado Parque das Nações, destacando-se o Oceanário (à época o maior aquário do Mundo, hoje cotado como o melhor, com a reprodução de 5 oceanos distintos e diversas espécies de mamíferos e peixes) do arquiteto Peter Chermayeff um pavilhão de múltiplas utilizações, o Pavilhão Atlântico, do arquiteto Regino Cruz (hoje o Altice Arena) e um complexo de transportes com metropolitano e ligações ferro e rodoviárias, a Estação do Oriente, do arquiteto Santiago Calatrava.

A EXPO’98 atraiu cerca de 11 milhões de visitantes. Parte do seu sucesso ficou a dever-se à vitalidade cultural que demonstrou – a título de exemplo, refiram-se os cerca de 5000 eventos musicais. Arquitetonicamente, a Expo revolucionou esta parte da cidade e influenciou as estratégias de requalificação urbana do panorama português , sendo a zona considerada atualmente como um exemplo de requalificação urbana bem sucedida.

A utilização pioneira de ferramentas de design para grandes projetos de arquitetura, engenharia e construção transformou a EXPO’98 num caso de estudo internacional na área do desenho assistido por computador (CAD). O exemplo pegou e outras obras seguiram também a mesma metodologia desta experiência transformada já em «case study».

Expo'98

Expo’98

O pioneirismo da EXPO foi, aliás, ressaltado por um trabalho de reportagem intitulado ‘A Tale of Two Cities’ publicado na edição de Junho de 1999, da Computer Graphics World (volume 22, nº6), a revista de referência internacional do sector.

«Os clássicos estiradores foram substituídos por estações de trabalho. Estávamos em 1993, o que provocou uma verdadeira revolução no modo de trabalhar típico deste sector e representou uma situação ímpar na história de grandes projetos no nosso país». O homem no centro desta operação foi José da Conceição Silva, um especialista de Informática da área de CAD/AEC, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), de Lisboa, requisitado para a Parque Expo para responsável pelo Departamento de CAD, SIG, Web e Multimédia.

História do processo

A ideia de organizar uma Exposição Internacional em Portugal surgiu em 1989 da parte de António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura. Ambos estavam à frente da comissão para as comemorações dos 500 anos dos Descobrimentos portugueses liderada Por Francisco Faria Paulino, director do Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha.

Uma vez obtido o apoio do Governo, Mega Ferreira apresentou o projecto ao Bureau International d’Expositions. A candidatura de Lisboa ganhou à de Toronto. Criou-se uma empresa, ParqueExpo’ 98, com vista a criar um evento auto-sustentável que obtivesse receitas de bilhetes vendidos e pela venda de terrenos adjacentes à exposição.

O primeiro comissário da EXPO’98 foi António Cardoso e Cunha. Foi substituído em 1997 por José de Melo Torres Campos.

Decidiu-se construir a exposição na zona oriental de Lisboa, que vira através dos anos uma degradação crescente. A antiga Doca dos Olivais fora nos anos 40 um contacto privilegiado com o rio onde atracavam hidroaviões, tendo sido denominada de Aeroporto de Cabo Ruivo.

Quando os aviões a jacto de longo curso tornaram os hidroaviões obsoletos, a zona passou a ser um terreno industrial que conheceu uma degradação constante ao longo das décadas seguintes. A zona de 50 hectares onde hoje está o recinto era, no fim dos anos oitenta, um campo de contentores, matadouros e indústrias poluentes. Toda a exposição foi construída do zero. A torre da refinaria da Petrogal, única estrutura conservada, ficou como lembrança do espaço antes da intervenção. Houve um grande cuidado para que quase todos os equipamentos do recinto tivessem utilização posterior, evitando assim o seu abandono e a degradação.

Em paralelo, lançaram-se grandes obras públicas. Entre as maiores estão a Ponte Vasco da Gama (a maior da Europa à data), uma nova linha de metro com sete estações e um interface rodo-ferroviário, a Gare do Oriente.

A 9 de Maio de 1998 realiza-se, o ensaio geral, com a presença de cerca de 40 mil pessoas. A iniciativa procurou simular um dia em pleno funcionamento da exposição. A maioria das instalações e pavilhões encontrava-se com obras a decorrer e no espaço público, devido às sugestões dos visitantes, foram colocados mais bebedouros e locais com sombra, sendo visíveis, as alterações no dia 22 de Maio de 1998, aquando do primeiro dia oficial da exposição.

Bilhética

Foram emitidos bilhetes de um dia (5.000$00–25 euros), três dias (12.500$00–62,35 euros), e bilhetes diários apenas para a parte da noite (2500$00–12,50 euros). Existia também um passe livre com acesso ilimitado à exposição durante três meses (50.000$00–250 euros).

A Swatch lançou alguns meses antes da exposição o modelo Adamastor, que continha um chip carregado com um bilhete de um dia. Para entrar, bastava encostar o relógio ao sensor presente em todos os molinetes de entrada.

Música, logótipo e mascote

O tema musical da exposição foi composto em 1996 por Nuno Rebelo. A peça, de seu nome “Pangea” (o nome do super-continente pré-histórico de onde derivaram os actuais), misturava sobre guitarras portuguesas e uma base sinfónica de cariz épico muitas e díspares sonoridades, originárias dos quatro cantos do mundo.

O logótipo da EXPO’98, representando o mar e o sol, foi concebido por Augusto Tavares Dias, diretor criativo de publicidade.

A mascote foi concebida pelo pintor António Modesto e pelo escultor Artur Moreira. Foi selecionada entre 309 propostas e batizada de Gil (em homenagem a Gil Eanes) por José Luís Coelho, um estudante do ciclo, num concurso que envolveu escolas de todo o país.

Pavilhões e países participantes

Pavilhões

Durante a EXPO’98 houve dois tipos de pavilhões: os temáticos da responsabilidade do Parque EXPO (Departamento de Conteúdos), e os pavilhões das Regiões Autónomas, entidades convidadas e patrocinadores.

Pavilhões temáticos:

Pavilhão do Futuro

Pavilhão da Realidade Virtual

Pavilhão da Utopia

Pavilhão de Portugal

Pavilhão do Conhecimento dos Mares

Pavilhão dos Oceanos

Pavilhão do Território

Pavilhão da Água

Exibição Náutica

Outros pavilhões:

Pavilhão dos Açores

Pavilhão da Guiné-Bissau

Pavilhão de Macau

Pavilhão da Madeira

Países participantes

África

África do Sul; Angola; Argélia; Benim; Botsuana; Cabo Verde; Comores; Congo; Costa do Marfim; Djibuti; Egito; Eritreia; Guiné-Bissau; Lesoto; Madagáscar; Malawi; Mali; Marrocos; Maurícia; Mauritânia; Moçambique; Namíbia; Nigéria; Quénia; República Democrática do Congo; São Tomé e Príncipe; Senegal; Seychelles; Suazilândia; Sudão; Tanzânia; Tunísia; Uganda; Zâmbia; Zimbabué.

América

Antígua e Barbuda; Argentina; Bahamas; Barbados; Belize; Bolívia; Brasil; Canadá; Chile; Colômbia; Cuba; Dominica; El Salvador; Equador; Estados Unidos; Granada; Guatemala; Guiana; Honduras; Jamaica; México; Nicarágua; Panamá; Paraguai; Peru; República Dominicana; Santa Lúcia; São Vicente e Granadinas; São Cristóvão e Névis; Suriname; Trinidad e Tobago;Uruguai; Venezuela.

Ásia

Arábia Saudita; Arménia; Bangladesh; Cazaquistão; China; Chipre; Coreia do Sul; Emirados Árabes Unidos; Filipinas; Iémen; Índia; Irão; Israel; Japão; Jordânia; Kuwait; Líbano; Mongólia;Nepal; Palestina; Paquistão;Quirguistão; Sri Lanka; Turquia; Vietname.

Europa

Expo'98

Expo’98

Albânia; Alemanha; Andorra; Áustria; Bélgica; Bielorrússia; Bósnia e Herzegovina; Bulgária; Croácia; Dinamarca; Eslováquia; Eslovénia; Espanha; Estónia; Finlândia; França; Grécia;Holanda; Hungria; Islândia; Itália; Jugoslávia; Letónia; Lituânia; Luxemburgo; Macedónia; Mónaco; Noruega; Ordem de Malta; Polónia; Portugal; Reino Unido; Roménia; Rússia; Santa Sé; São Marino; Suécia; Suíça; Ucrânia.

Oceânia

Estados Federados da Micronésia; Ilhas Cook; Ilhas Salomão; Kiribati; Papua-Nova Guiné; Samoa Ocidental; Tonga; Tuvalu.

Depois da EXPO’98

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Expo’98

A exposição fechou as portas já ao nascer do dia 1 de Outubro de 1998. A última noite viu a maior enchente da sua história, tendo entrado no recinto depois das 20 horas cerca de 215 mil pessoas. A certo ponto da noite, e por razões de segurança, tiveram de ser destrancados os molinetes de acesso, o que faz com que nunca tenha havido um número certo para a quantidade de gente que se concentrou para ver o fogo-de-artifício de encerramento, o maior alguma vez realizado em Portugal.

De 1 a 15 de Outubro de 1998, o recinto esteve fechado ao público. Reabriu, já como Parque das Nações, recebendo nesse primeiro fim-de-semana mais de 100 mil visitantes. O Oceanário, o Pavilhão do Futuro, do Conhecimento dos Mares, permaneceram com as exposições que exibiram durante a EXPO’98 até ao dia 31 de Dezembro de 1998. Em Fevereiro de 1999 já era possível encontrar algumas alterações no Parque das Nações, tais como:

A entrada principal, frente à Gare do Oriente, reconvertida para Centro Vasco da Gama, administrado pelo grupo Sonae e inaugurado no final de Abril de 1999.

A zona internacional norte passou a acolher a Feira Internacional de Lisboa.

O Pavilhão da Utopia mudou de nome para Pavilhão Atlântico e, agora como Altice Arena, encontra-se apto a acolher grandes eventos de vários tipos (desportivos, musicais, feiras, press-rooms etc.).

A Torre Vasco da Gama (que posteriormente adaptada para Hotel Myriad by Sana).

O Pavilhão da Realidade Virtual (já encerrado e demolido).

O Oceanário de Lisboa.

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Expo’98

O Pavilhão do Conhecimento, que alberga um museu de ciência.

O Pavilhão do Futuro, hoje transformado no Casino Lisboa.

Muitas zonas do Parque das Nações foram sendo gradualmente vendidas para habitação e escritórios. No fim do processo de venda de terrenos, as receitas tinham superado o custo da exposição em oito vezes.

A zona oriental de Lisboa é hoje o bairro mais moderno da cidade, concentrando áreas comerciais, culturais e de lazer com uma vista privilegiada do rio Tejo. A zona atraiu uma série de instituições e empresas de grande nome, que aí basearam as suas sedes ou representações (Vodafone, Microsoft, Sonaecom SGPS, Sony etc.). Cerca de 28 mil pessoas habitam nas suas áreas residenciais Norte e Sul, integrando a freguesia do Parque das Nações.

Mais informações em Portal das Nações

http://www.portaldasnacoes.pt/

Memórias  pessoais

https://wordpress.com/post/castelodasandrix.wordpress.com/3858

Arquivo RTP

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/expo-98/

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/primeiro-dia-na-expo-98/

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/encerramento-da-expo-98/

 

Expo 98: a música que por lá se ouviu há 20 anos

Vamos lembrar o que se passou no contexto musical na Expo 98 que foi inaugurada há precisamente 20 anos.

Expo 98: a música que por lá se ouviu há 20 anos

Foi há 20 anos que começou a Expo 98. No recinto existiram 17 espaços cénicos vocacionados para acolher vários tipos de espetáculos. Curiosamente, quase 20 anos depois a zona oriental da cidade recebeu outro evento musical de dimensão internacional: o Festival Eurovisão da Canção.

De 22 de maio a 30 de setembro de 1998 a Expo dedicou-se ao tema: “Os oceanos: um património para o futuro” e atraiu cerca de 11 milhões de visitantes. Parte do seu sucesso ficou a dever-se à vitalidade cultural que demonstrou, chegando a ser considerada pelo BIE (o organismo internacional que elege as cidades a receberem as exposições) como a Melhor Exposição Mundial de sempre. O tema musical da exposição foi composto em 1996 por Nuno Rebelo e ganhou o nome de ‘Pangea’, o super-continente pré-histórico de onde derivaram os atuais. A música combinava cantares e instrumentos dos cinco continentes.

Para acolher os muitos espetáculos musicais que ali aconteceram foram criadas várias salas. O Teatro Luís de Camões – Sala Júlio Verne, localizava-se na área sul do recinto, próximo do Pavilhão dos Oceanos e do Pavilhão da Realidade Virtual. Este edifício, da autoria dos arquitetos Manuel Salgado e Marino Fei, foi concebido de acordo com as exigências da sua programação, isto é, com características cenográficas e acústicas e espaços auxiliares próprios para a realização de uma ópera, espetáculos de teatro e de variedades ou musicais. 

O Anfiteatro da Doca, vocacionado para grandes espetáculos de música, teatro, dança, moda e concertos multiétnicos, estava enquadrado no belo cenário natural da Doca dos Olivais. Por ali passaram, entre outros, Ney Matogrosso, Companhia de Dança Deborah Colker, Olívia Byington e João Afonso. Este espaço cénico contava com uma plateia para 1 800 espectadores, 900 dos quais sentados, tendo realizado 160 sessões para 281 070 pessoas.

Quem não se lembra da Praça Sony? Localizada no extremo norte do recinto da Expo 98, a Praça Sony ficou a dever o seu nome ao fornecedor oficial do ecrã gigante aí instalado – o Jumbotron. Durante a Expo, a Praça Sony foi palco de transmissões televisivas em direto, videoclipes e reportagens. Junto à Praça Sony existiu ainda uma zona com 14 bares de serviço permanente e uma enorme pista de dança. Ali os concertos foram, essencialmente, de música pop e rock. Por ali passaram nomes como Lou Reed, Garbage, BB King, Joaquín Cortez, Marisa Monte, Gabriel o Pensador, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Dulce Pontes, Savage Garden, Morcheeba, Xutos e Pontapés, Blind Zero, GNR, Delfins, Maria João e Mário Laginha, entre muitos outros. Albergou 235 sessões no palco principal, com 300 m2, 134 no palco Midnight Tea e 110 sessões autónomas de imagem no Jumbotron. O número total de espectadores ascendeu aos 2,3 milhões.

O palco Promenade foi dimensionado e projetado para a apresentação de formações musicais de maior porte, designadamente bandas ou orquestras, dança tradicional ou contemporânea e grandes grupos corais ou folclóricos. Recebeu todas as quintas-feiras, à meia-noite, o Festival de Guitarra Portuguesa, coordenado por Pedro Caldeira Cabral. Acolheu também, entre muitos outros, o Festival de Guitarra Portuguesa com António Chainho, Companhia de Dança Contemporânea de Angola, Las Malqueridas, Wagner Tiso, Barrio Ballet e Festival 1998 Lisboa Codex. Neste espaço cénico realizaram-se 304 sessões para 356 960 espectadores.

Pelo Palco 6, caracterizado pela presença da música alternativa portuguesa, passaram bandas de hip-hop, rock, pop, dance e outras tendências da música de expressão urbana. No Palco 6, com programação de Henrique Amaro e localizado no interior de uma esplanada na Frente Ribeirinha Norte, foram realizadas 129 sessões para 42 415 espectadores. O desafio, diz Henrique Amaro, foi enorme.

Pouco depois de começar a festa, a 31 de maio, todos os espetáculos agendados tiveram de ser cancelados devido à chuva e vento fortes que se fizeram sentir. Perderam-se, assim, as atuações dos Delfins, que tinham planeado o concerto “Planeta Azul” no anfiteatro ao ar livre da doca, que prometia fazer uma viagem pelo céu, terra e mar, baseado em canções do álbum “Azul” – primeiro disco dos Delfins a ter lançamento internacional. Também a brasileira Maria Bethânia não saiu do hotel para um espetáculo no qual interpretaria poemas de Fernando Pessoa.

Já em junho, o cantor colombiano Carlos Vives, que recentemente voltou à ribalta devido ao dueto com Shakira, ‘La Bicicleta’, prometia animar com músicas da Colômbia. O concerto acabou por causar muita polémica e envolveu uma indemnização ao cantor de cerca de 897 mil euros (180 mil contos) porque foi cancelado. O motivo? Vives nem sequer chegou a concluir a primeira canção do concerto: uma sobrecarga de corrente elétrica queimou os amplificadores de som.

O Dia do Algarve, 4 de junho, é comemorado com as atuações do cabo verdiano Leonel Almeida, de Vitorino e dos Primitive Reason. A 13 de junho a atuação de Ney Matogrosso, no Anfiteatro da Doca, marca o Dia do Brasil na Expo 98. Durante o concerto, assinala-se um momento especial: a entrada do visitante um milhão no recinto da Expo! Fernanda Abreu atua no dia 14. No dia seguinte houve concertos de Mário Laginha e da Ala dos Namorados.

BB King também passou pela Expo com um concerto acompanhado da sua eterna “Lucille”. Fator de grande surpresa foi o dueto que fez com Rui Veloso, embora já não fosse a primeira vez que tal acontecia. No final, B.B.King distribuiu pelos presentes alfinetes de lapela com réplicas da sua famosa guitarra, a “Lucille”, que Rui Veloso garantiu ter oferecido ao avô, que a usou até morrer.

No ano em que Teresa Salgueiro foi mãe, os Madredeus atuaram várias vezes na Expo 98. A 21 de maio ouviu-se ‘Haja o Que Houver’, em dueto com José Carreras. Dia 17 atuaram na Praça Sony.

22 de junho era um dia muito aguardado já que no lado norte do recinto, na área aberta, desfilavam as Marchas Populares de Lisboa com apresentação de Fialho Gouveia. A expectativa era grande, o frio era muito, e uma falha na organização levou a que, exatamente à mesma hora, a Praça Sony abafasse o som típico das Marchas de Lisboa com os muitos watts debitados pelas guitarras de Dave Grohl e dos Foo Fighters, em palco.

Chega o dia 23 e o tão esperado concerto do grupo pop/rock norte-americano Garbage. Em Portugal, tinham conquistado um Disco de Prata; eram muito populares. A incendiária vocalista dava várias entrevistas onde se mostrava satisfeita com o rumo que o rock alternativo estava a tomar.

4 de julho e já muito calor em Lisboa. Na Expo 98 vive-se um dia tropical (Dia de Cabo Verde) com Cesária Évora e Tito Paris a fazerem vibrar a multidão que enchia a Praça Sony através de mornas e coladeras entoadas com o sentimento que celebrizou a “diva dos pés descalços”. A 15 de julho, Dia Nacional do Kuwait, atua Rui Veloso na Praça Sony (ou vídeo-estádio, como os jornalistas mais puristas a descreviam), enquanto António Pinho Vargas atua no Palco Promenade.

17 de julho é o Dia Nacional da Jordânia na Expo 98 comemorado com um Festival de Música da CPLP. A 24 de julho, o Anfiteatro da Doca está por conta do português José Cid e, no mesmo dia, há música com a banda angolana Kussondolola, na Praça Sony. O Dia Nacional da Espanha, a 25, conta com uma gala pelo tenor Alfredo Kraus, acompanhado pela Orquestra Sinfónica de Madrid, no Teatro Camões. No dia 26, quando se cumprem metade dos 132 dias de duração da Expo e o Dia Nacional de Cuba, entra em cena a orquestra Ritmo Oriental, de La Havana, e a 27 o espetáculo espanhol “Nalaua”. A 28 de julho atua a banda Blind Zero num concerto onde dava a conhecer o álbum “Redcoast”. A banda viria a tocar várias vezes na Expo quer na Praça Sony, quer no Palco 6, como lembra o vocalista da banda, Miguel Guedes.

Mafalda Veiga mostra os seus talentos dia 29 na Praça Sony, onde no dia 30 Sérgio Godinho tem encontro com o público, convidando os Gaiteiros de Lisboa, Guto Pires, a Companhia Bengala e Da Weasel, numa jornada com a presença da brasileira Fafá de Belém.

Ainda em julho, um novo recorde de afluências da Expo-Noite foi batido na altura em que decorria o concerto de Caetano Veloso, Pedro Abrunhosa e Paulino Vieira, com a entrada de 35 455 pessoas, de um total de 94 993 em todo o dia.

Entramos em agosto e, no dia 3, ouvimos a brasileira Maria Bethânia que regressa à Expo, para atuar na Praça Sony, concerto que viria a repetir logo no dia 5, e no dia 7 há música tradicional galega com os Milladoiro que iniciam uma série de atuações na Expo, enquanto a “diva dos pés descalços”, a cabo-verdiana Cesária Évora, dá concerto na Praça Sony, desta vez acompanhada por Marisa Monte, Dulce Pontes e pelo grupo de dançadeiras Finka Pé.

No dia 11, na Praça Sony tem lugar um concerto de solidariedade para com a Guiné-Bissau, com atuações de Dulce Pontes, Rui Veloso, Sara Tavares, Paulo Gonzo, Jorge Palma, Pedro Caldeira Cabral, General D, Cool Hipnoise, Tim, Filipa Pais, Guto Pires, Carlos Martins, Bernardo Sassetti, Camané, Angelo Torres e Miguel Hurst, revertendo o valor das entradas da Expo-Noite inteiramente a favor do povo daquela ex-colónia portuguesa.

A 18 de agosto, o cantor colombiano Carlos Vives volta à Expo 98. Desta vez teve muito público e correu tudo bem. No mesmo dia assiste-se a um concerto inédito do antigo baterista dos Beatles, Ringo Starr.Ali apresentou o seu álbum “Vertical Man”, 16.º da sua carreira a solo, acompanhado pela All Starr Band. No dia seguinte há Luís Represas e um concerto de jazz com Mário Laginha (piano) e Maria João (voz). A 25 de agosto, e prestes a lançar o seu álbum “Taco a Taco”, Amélia Muge dá um concerto na Expo 98 no qual tem como convidados Jorge Palma e o grupo búlgaro Pirin Folk Ensemble. Dia 29 é a vez de David Byrne no palco principal.

Chega setembro e no dia 14 o bailarino espanhol Joaquin Cortés brilha na Praça Sony. Um dia depois temos destaque por conta das atuações da Companhia de Dança de Olga Roriz, de Paulo de Carvalho, fado com Alexandra e Rodrigo, Festa Cigana e o concerto dos Zen. 23 de setembro de 1998 foi inesquecível para quem viu o concerto de Lou Reed, na Praça Sony, no mesmo dia em que o recinto voltou a acolher espetáculos de Sérgio Godinho, Manuela Azevedo, dos Clã, e General D.

Uma muralha de fogo de artifício nunca vista, com dois quilómetros de extensão por 140 metros de altura, e o ritmo vertiginoso do pai do rock n’ roll, Chuck Berry, marcam a festa do fim da Expo, a 30 de setembro. O maestro António Vitorino de Almeida, ao piano, e Paulo Vaz de Carvalho oferecem melodias no Pianomóvel, em contraste com as  sonoridades africanas que se podem ouvir no Palco 3, pelo angolano Paulo Flores e os seus convidados Tito Paris, Nandinho, Ottis, Manecas Costa e Lura. A parede branca do Pavilhão do Conhecimento dos Mares é o pano de fundo para uma projeção da cronologia de Zeca Afonso nessa noite na qual também houve uma homenagem de músicos ao guitarrista Carlos Paredes.

In Rádio Comercial

http://radiocomercial.iol.pt/noticias/79442/expo-98-a-musica-que-por-la-se-ouviu-ha-20-anos

 

Os 100 anos da Penha de França


Os 100 anos da Penha de França

decreto PF copy

A Freguesia da Penha de França, em Lisboa, celebra na próxima sexta feira o seu centenário.

Criada pelo Decreto n.º 4112, publicado no Diário do Governo n.º 83/1918, Série I de 1918-04-20, emanado do Ministério do Interior – Direcção Geral de Administração Política e Civil e assinado por Sidónio Pais, ficava à data situada no no 1.º bairro de Lisboa e apresentava uma definição territorial diferente da atual.

A criação da freguesia foi concretizada com a cedência de áreas das freguesias do Beato, Santa Engrácia e São Jorge de Arroios. Já no século XXI, com a reforma administrativa, a Penha de França reuniu-se com a extinta freguesia de São João e com parte do território da também extinta freguesia do Alto do Pina, assumindo assim o seu território atual.

A Penha de França, antiga zona de veraneio dos senhores do reino, ocupa a segunda colina mais alta de Lisboa, situando-se a 110 m de altitude.

No entanto, esta zona de vistas panorâmicas sobre a cidade, de mescla social e cultural, de intensa atividade comercial e de património histórico diversificado, é das menos conhecidas da capital.

Como Freguesia, a Penha de França nasce a 13 de abril de 1918 mas as primeiras referências históricas desta área reportam-se ao período da ocupação árabe da Península Ibérica, tendo mesmo assumido uma importância estratégica para a cidade.”

In “Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas

Edições Fénix

Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

À venda em todas as livrarias e online

“As Minhas Estórias do Meu Bairro”

https://www.academia.edu/36107737/As_minhas_est%C3%B3rias_do_meu_bairro

As minhas “estórias” do meu bairro IV


As minhas “estórias” do meu bairro IV

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

In

http://blx.cm-lisboa.pt/vidasmemoriasbairro

O cruzamento da peixeira

Uma das memórias relacionadas com a Penha de França mais marcadas no meu cérebro respeita a uma peixeira que fazia o seu negócio numa esquina do cruzamento das ruas Sebastião Saraiva Lima e Carrilho Videira. Vá-se lá perceber porquê, mas aquela figura castiça, de meias de lã até ao joelho e enfeitada com mais ouro que uma mordoma do Minho, ficou-me.

Do nome dela não me lembro. Lembro-me, sim, das enguias que vendia – vivas, porque é assim que devem ser compradas – e que a minha avó paterna guardava como se fosse um tesouro. Eram caras, acredito, pois não eram petisco que se fizesse todos os dias. Como morriam antes de serem cozinhadas, não me recordo. Mas também não me importava muito. O que realmente importava era o sabor delicioso daquelas cobras de água saídas da frigideira.

Engraçado mesmo era manter aqueles bichos ondulantes dentro do alguidar, uma vez chegados a casa. Por muitos panos e tampas e engenhocas que se arranjasse, havia sempre uma mais esperta que se escapulia e acabava a passear pela cozinha. Um pouco como os caracóis. No entanto, no caso dos caracóis, o que fugia acabava, invariavelmente, como meu animal de companhia, a viver num qualquer vaso de plantas ou em cima de uma folha de alface até desaparecer para parte incerta.

Rua Carrilho Videira, 1933 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FIL/000098 AML

Rua Carrilho Videira, 1933 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FIL/000098 AML

Rua Sebastião Saraiva Lima, 1966-08 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JHG/000304 João Hermes Cordeiro Goulart AML

Rua Sebastião Saraiva Lima, 1966-08 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JHG/000304 João Hermes Cordeiro Goulart AML

Mas as enguias não eram o único peixe que a peixeira vendia. Lembro-me bem dos carapaus, dos meus peixes preferidos até hoje.

Contudo, o mais fascinante era ver como ela guardava o dinheiro resultante da venda. De dentro daquilo que pareciam pequenos bolsos do seu avental saíam saquinhos de plástico com as notas e as moedas divididas para dar o troco às freguesas (no feminino porque então, na década de 70 do século passado, a maior parte dos homens não iam às compras). E saíam marcados com o sangue do peixe amanhado – sim, porque na época o peixe era vendido já amanhado -, coisa que não atrapalhava nem assustava ninguém. Era assim e pronto.

Até hoje, cada vez que passo naquele cruzamento, onde se mantém uma velha drogaria onde ainda se podem encontrar vassouras como as das bruxas, consigo ver aquela figura de meias de lã e avental.

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix   Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

“Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas

Edições Fénix

Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

À venda em todas as livrarias e online

 

As minhas “estórias” do meu bairro III


As minhas “estórias” do meu bairro III

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

In

http://blx.cm-lisboa.pt/vidasmemoriasbairro

 

A minha escola primária

A minha escola primária, hoje conhecida como Arquitecto  Victor Palla, e já antes denominada de Nº143, era a do Vale Escuro. Estranho nome para uma escola primária, mas recebia-o do local onde estava instalada.

À volta, quase nada. Tão quase nada que, da minha sala de aulas, a nº2, via rebanhos de ovelhas a pastarem alegremente numa colina que atualmente acolhe diversos edifícios de habitação. E eram esses os melhores momentos extracurriculares dessa época. Viver e estudar no meio da capital e poder sair da sala de aulas e viajar pela vida daqueles animais, levá-los a viver aventuras como as dos desenhos animados do Vasco Granja. Tudo sem sair da minha carteira de madeira, de tampo inclinado e corroído pelo tempo e pelos lápis e canetas de estudantes anteriores.

Igualmente memoráveis eram os intervalos. Ou melhor, o intervalo, o único que existia e que se estendia pelo tempo – creio que era de 30 m – mas que parecia sempre muito pouco. Um daqueles muito pouco que dava para uma corrida de patins, vestir e despir as bonecas, jogar à apanhada, comer um lanche, aprender lavores, jogar à bola e esfolar os joelhos e as mãos. Vezes sem conta. Aliás, este era o resultado mais certo quando se punham dezenas de crianças a correr num pátio com chão de brita.

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A professora Gabriela, que me parecia altíssima, era a minha mestra e também ela era residente no bairro, numa zona conhecida como Quinta dos Peixinhos. Quando a professora Gabriela faltava e não se conseguia avisar os alunos – não se esqueçam que me estou a reportar a uma época em que não existiam telemóveis e que muitas famílias não tinham sequer telefone em casa – ficávamos com a professora Lúcia, da sala 3.

E algumas vezes, raríssimas, tão raras que parecem mais fruto da imaginação do que memórias de factos concretos, não havia ninguém para tomar conta de nós e lá voltávamos para casa sozinhos. Um percurso pequeno para a maioria – quase todos os alunos residiam no bairro, uns mais à frente, outros mais atrás, mas ninguém tinha que fazer horas de autocarro e de metro para chegar a casa, como agora – mas que nos dava uma sensação de liberdade e de aventura semelhante à que teríamos ao viajar para um país estrangeiro. Pelo caminho acontecia tudo. Víamos nuvens cinzentas que aos nossos olhos eram roxas e indiciavam a iminência de uma qualquer catástrofe que nunca se verificava. Cruzávamo-nos com adultos que achávamos não serem de confiança e que não passavam de vizinhos mais distantes. Chupávamos azedas e sabia-nos a um amarelo doce. Mas quase nunca nos atrevíamos a atravessar a não semaforizada enorme General Roçadas. Dávamos voltas e voltas e mais voltas por caminhos e azinhagas para fugir ao trânsito.

1976, o ano em que entrei para a 1ª classe, foi igualmente o ano de estreia da Victor Palla como escola mista. Até ali, os meninos estudavam num andar e as meninas no outro. Como o fim da ditadura, as coisas mudaram. Felizmente. Não consigo conceber andar numa escola só de meninas. Parece-me coisa da Idade Média. Ou talvez pior do que isso.

AML, 1956 Armando Maia Serôdio PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/SER/S00714

AML, 1956 Armando Maia Serôdio PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/SER/S00714

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

“Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas 

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Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

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As minhas “estórias” do meu bairro II


As minhas “estórias” do meu bairro II 

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

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Biblioteca Municipal da Penha de França

As idas à Biblioteca Municipal da Penha de França são, provavelmente, das mais simpáticas memórias da minha infância.
A Rua Cesário Verde, gigantesca aos meus olhos de criança, era a montanha a escalar no topo da qual estava aquele mundo enorme, quase infinito que cabia todo dentro de uma sala: a biblioteca.

Às portas daquele mundo estava um senhor que me intrigava. Ou melhor, a perna dele era um mistério. Mais tarde percebi tratar-se de uma malformação congénita mas naquela altura era muito estranho que ele coxeasse sempre. Mas aquela perna nunca ficaria boa? De cada vez que me aproximava da porta, naquele antigo palacete onde hoje se mantém apenas a sede da Junta de Freguesia, enchia-me de ansiedade: será que o senhor já não coxeia?
Lá dentro, naquela sala cheia de mesas e cadeiras e de gente muito compenetrada, envolvida num silêncio reconfortante, estava o mundo todo e mais além guardado em arquivadores de metal.

Abria uma gaveta, com todo o cuidado para que o barulho dos rolamentos não perturbasse o silêncio, desfilava os dedos por entre os cartões inscritos com nomes e códigos e perdia-me. Bom, se estivesse disponível um álbum do Astérix que ainda não me tivesse passado pelas mãos ou que precisasse urgentemente de reler – como era o caso de O Adivinho – não me perdia.

 

 

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Já se fosse um dia de aventura, corria uma e outra e outra gaveta até descobrir um título que me cativasse ou um nome que me soasse a alguém de confiança. Foi assim que descobri Alberto Morávia, entre outros. O nome inspirava-me confiança. Não me enganei.
Guardava os livros requisitados debaixo do braço, com a convicção de um pirata guardando o seu tesouro, e descia a Césario Verde, então já mais curta. A pressa de voltar a casa, ao meu castelo, e começar a devorar aqueles objetos mágicos encurtava a distância.

Tive pena de nunca me ter esquecido de devolver um livro. Seria uma bela recordação, aquele carimbo em cima das páginas amareladas, aquele cheiro tão próprio que só os livros de biblioteca têm. Mas nunca me esqueci de nenhum, até porque era preciso ir buscar outros e outros e outros até já não haver mais nenhum. Ai Almada, como tinhas razão.

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

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