As minhas “estórias” do meu bairro IV


As minhas “estórias” do meu bairro IV

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

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http://blx.cm-lisboa.pt/vidasmemoriasbairro

O cruzamento da peixeira

Uma das memórias relacionadas com a Penha de França mais marcadas no meu cérebro respeita a uma peixeira que fazia o seu negócio numa esquina do cruzamento das ruas Sebastião Saraiva Lima e Carrilho Videira. Vá-se lá perceber porquê, mas aquela figura castiça, de meias de lã até ao joelho e enfeitada com mais ouro que uma mordoma do Minho, ficou-me.

Do nome dela não me lembro. Lembro-me, sim, das enguias que vendia – vivas, porque é assim que devem ser compradas – e que a minha avó paterna guardava como se fosse um tesouro. Eram caras, acredito, pois não eram petisco que se fizesse todos os dias. Como morriam antes de serem cozinhadas, não me recordo. Mas também não me importava muito. O que realmente importava era o sabor delicioso daquelas cobras de água saídas da frigideira.

Engraçado mesmo era manter aqueles bichos ondulantes dentro do alguidar, uma vez chegados a casa. Por muitos panos e tampas e engenhocas que se arranjasse, havia sempre uma mais esperta que se escapulia e acabava a passear pela cozinha. Um pouco como os caracóis. No entanto, no caso dos caracóis, o que fugia acabava, invariavelmente, como meu animal de companhia, a viver num qualquer vaso de plantas ou em cima de uma folha de alface até desaparecer para parte incerta.

Rua Carrilho Videira, 1933 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FIL/000098 AML

Rua Carrilho Videira, 1933 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/FIL/000098 AML

Rua Sebastião Saraiva Lima, 1966-08 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JHG/000304 João Hermes Cordeiro Goulart AML

Rua Sebastião Saraiva Lima, 1966-08 PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JHG/000304 João Hermes Cordeiro Goulart AML

Mas as enguias não eram o único peixe que a peixeira vendia. Lembro-me bem dos carapaus, dos meus peixes preferidos até hoje.

Contudo, o mais fascinante era ver como ela guardava o dinheiro resultante da venda. De dentro daquilo que pareciam pequenos bolsos do seu avental saíam saquinhos de plástico com as notas e as moedas divididas para dar o troco às freguesas (no feminino porque então, na década de 70 do século passado, a maior parte dos homens não iam às compras). E saíam marcados com o sangue do peixe amanhado – sim, porque na época o peixe era vendido já amanhado -, coisa que não atrapalhava nem assustava ninguém. Era assim e pronto.

Até hoje, cada vez que passo naquele cruzamento, onde se mantém uma velha drogaria onde ainda se podem encontrar vassouras como as das bruxas, consigo ver aquela figura de meias de lã e avental.

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix   Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

“Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas

Edições Fénix

Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

À venda em todas as livrarias e online

 

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As minhas “estórias” do meu bairro III


As minhas “estórias” do meu bairro III

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

“Vidas e memórias de bairro” tem lugar todas as sextas-ferias à tarde, entre outubro e maio e parte de “sessões denominadas “oficinas comunitárias da memórias” durante as quais é trabalhado um determinado tema relacionado com o património material e/ou imaterial da freguesia”.

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A minha escola primária

A minha escola primária, hoje conhecida como Arquitecto  Victor Palla, e já antes denominada de Nº143, era a do Vale Escuro. Estranho nome para uma escola primária, mas recebia-o do local onde estava instalada.

À volta, quase nada. Tão quase nada que, da minha sala de aulas, a nº2, via rebanhos de ovelhas a pastarem alegremente numa colina que atualmente acolhe diversos edifícios de habitação. E eram esses os melhores momentos extracurriculares dessa época. Viver e estudar no meio da capital e poder sair da sala de aulas e viajar pela vida daqueles animais, levá-los a viver aventuras como as dos desenhos animados do Vasco Granja. Tudo sem sair da minha carteira de madeira, de tampo inclinado e corroído pelo tempo e pelos lápis e canetas de estudantes anteriores.

Igualmente memoráveis eram os intervalos. Ou melhor, o intervalo, o único que existia e que se estendia pelo tempo – creio que era de 30 m – mas que parecia sempre muito pouco. Um daqueles muito pouco que dava para uma corrida de patins, vestir e despir as bonecas, jogar à apanhada, comer um lanche, aprender lavores, jogar à bola e esfolar os joelhos e as mãos. Vezes sem conta. Aliás, este era o resultado mais certo quando se punham dezenas de crianças a correr num pátio com chão de brita.

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A professora Gabriela, que me parecia altíssima, era a minha mestra e também ela era residente no bairro, numa zona conhecida como Quinta dos Peixinhos. Quando a professora Gabriela faltava e não se conseguia avisar os alunos – não se esqueçam que me estou a reportar a uma época em que não existiam telemóveis e que muitas famílias não tinham sequer telefone em casa – ficávamos com a professora Lúcia, da sala 3.

E algumas vezes, raríssimas, tão raras que parecem mais fruto da imaginação do que memórias de factos concretos, não havia ninguém para tomar conta de nós e lá voltávamos para casa sozinhos. Um percurso pequeno para a maioria – quase todos os alunos residiam no bairro, uns mais à frente, outros mais atrás, mas ninguém tinha que fazer horas de autocarro e de metro para chegar a casa, como agora – mas que nos dava uma sensação de liberdade e de aventura semelhante à que teríamos ao viajar para um país estrangeiro. Pelo caminho acontecia tudo. Víamos nuvens cinzentas que aos nossos olhos eram roxas e indiciavam a iminência de uma qualquer catástrofe que nunca se verificava. Cruzávamo-nos com adultos que achávamos não serem de confiança e que não passavam de vizinhos mais distantes. Chupávamos azedas e sabia-nos a um amarelo doce. Mas quase nunca nos atrevíamos a atravessar a não semaforizada enorme General Roçadas. Dávamos voltas e voltas e mais voltas por caminhos e azinhagas para fugir ao trânsito.

1976, o ano em que entrei para a 1ª classe, foi igualmente o ano de estreia da Victor Palla como escola mista. Até ali, os meninos estudavam num andar e as meninas no outro. Como o fim da ditadura, as coisas mudaram. Felizmente. Não consigo conceber andar numa escola só de meninas. Parece-me coisa da Idade Média. Ou talvez pior do que isso.

AML, 1956 Armando Maia Serôdio PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/SER/S00714

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Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

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Penha de França do Rio à Colina”, procura levar ao conhecimento dos cidadão o património cultural e a identidade própria da Freguesia da Penha de França. É este território, que inclui o Tejo e o ponto mais alto de Lisboa, o Miradouro da Penha de França, que constitui a fronteira entre o centro histórico e a zona oriental da capital.

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As minhas “estórias” do meu bairro II


As minhas “estórias” do meu bairro II 

A ideia de criar um conjunto de pequenas crónicas sobre a Penha de França surgiu depois de ter escrito o livro sobre esta que é a minha freguesia, um documento meramente objetivo e informativo. No entanto, a verdadeira inspiração partiu de um projeto da Biblioteca da Penha de França denominado “Vidas e memórias de bairro”.

Esta iniciativa, que surgiu em 2015, é dirigida aos idosos da freguesia e pretende “recuperar e divulgar histórias de vida, vivências, testemunhos, relatos e memórias importantes e relevantes que estes desejem partilhar e preservar”.

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Biblioteca Municipal da Penha de França

As idas à Biblioteca Municipal da Penha de França são, provavelmente, das mais simpáticas memórias da minha infância.
A Rua Cesário Verde, gigantesca aos meus olhos de criança, era a montanha a escalar no topo da qual estava aquele mundo enorme, quase infinito que cabia todo dentro de uma sala: a biblioteca.

Às portas daquele mundo estava um senhor que me intrigava. Ou melhor, a perna dele era um mistério. Mais tarde percebi tratar-se de uma malformação congénita mas naquela altura era muito estranho que ele coxeasse sempre. Mas aquela perna nunca ficaria boa? De cada vez que me aproximava da porta, naquele antigo palacete onde hoje se mantém apenas a sede da Junta de Freguesia, enchia-me de ansiedade: será que o senhor já não coxeia?
Lá dentro, naquela sala cheia de mesas e cadeiras e de gente muito compenetrada, envolvida num silêncio reconfortante, estava o mundo todo e mais além guardado em arquivadores de metal.

Abria uma gaveta, com todo o cuidado para que o barulho dos rolamentos não perturbasse o silêncio, desfilava os dedos por entre os cartões inscritos com nomes e códigos e perdia-me. Bom, se estivesse disponível um álbum do Astérix que ainda não me tivesse passado pelas mãos ou que precisasse urgentemente de reler – como era o caso de O Adivinho – não me perdia.

 

 

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Já se fosse um dia de aventura, corria uma e outra e outra gaveta até descobrir um título que me cativasse ou um nome que me soasse a alguém de confiança. Foi assim que descobri Alberto Morávia, entre outros. O nome inspirava-me confiança. Não me enganei.
Guardava os livros requisitados debaixo do braço, com a convicção de um pirata guardando o seu tesouro, e descia a Césario Verde, então já mais curta. A pressa de voltar a casa, ao meu castelo, e começar a devorar aqueles objetos mágicos encurtava a distância.

Tive pena de nunca me ter esquecido de devolver um livro. Seria uma bela recordação, aquele carimbo em cima das páginas amareladas, aquele cheiro tão próprio que só os livros de biblioteca têm. Mas nunca me esqueci de nenhum, até porque era preciso ir buscar outros e outros e outros até já não haver mais nenhum. Ai Almada, como tinhas razão.

Penha de França - Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix

Penha de França – Do Rio à Colina Sandra Terenas Edições Fénix Com o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França

“Penha de França Do Rio à Colina”, Sandra Terenas 

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A zona de Sapadores


A zona de Sapadores

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Rua dos Sapadores 1953-07 Foto Eduardo Portugal Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

A Rua dos Sapadores (dividida administrativamente pelas freguesias da Penha de França e de Santa Engrácia) foi instituída a partir da antiga Rua do Abarracamento da Cruz dos Quatro Caminhos (mais tarde Rua dos Quatro Caminhos e dos Sapadores) pelo Edital de 8 de junho de 1889.

A Cruz dos Quatro Caminhos era, nos finais do século XIX, uma zona natural de confluência de quatro diferentes áreas, sendo que o bairro da Graça era a única claramente urbanizada. Por aqui se fazia o acesso à Penha de França e ao Poço dos Mouros.

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Rua dos Sapadores 1969 Foto Artue Inácio Bastos – Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Já no século XX, esta zona contava com diversas habitações de traça simples e cércea baixa, pertencentes às classes sociais mais desfavorecidas, desenvolvendo-se junto à Rua Angelina Vidal. Do lado contrário, e à semelhança do que sucede atualmente, existia já um quartel, do então Regimento de Telegrafistas.

Saliente-se que a presença de um aquartelamento nesta zona remonta ao século XVIII, embora menos imponente e que seria a sede do Regimento de Engenharia.

Um ano após a implementação da República, aquando da reorganização do Exército, este quartel passou a albergar os Sapadores Mineiros, cuja presença deu origem ao nome da Rua. Após as Revoltas de 1927, o aquartelamento voltou a ficar entregue aos Telegrafistas. Atualmente, pertence ao seu “sucessor”, o Regimento de Transmissões.

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Rua dos Sapadores (Quartel) Foto Arnaldo Madureira Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Com o desenvolvimento urbano das zonas em redor ao longo das primeiras décadas do século passado, nomeadamente, da Penha de França, as pequenas habitações foram sendo progressivamente substituídas por prédios menos caraterísticos. Para além dos edifícios habitacionais e do quartel, a zona de sapadores conta também com um mercado (na génesa estava uma tradicional “praça”) datado do início da década de 90 do século XX e concebido pelo arquiteto Souza Oliveira.

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Mercado de Sapadores Arquivo de Souza Oliveira

O Cão de Lisboa The Dog of Lisbon 


O Cão de Lisboa 

The Dog of Lisbon 

O Cão de Lisboa é um dos personagens mais frequentes da street art da capital portuguesa. Deparamos-nos com um a cada canto da cidade e da noite para o dia nasce um novo numa qualquer parede de Lisboa. 

Aqui ficam alguns 

The Dog of Lisbon is one of the most frequently seen characters in the street art scene of the Portuguese capital. We find one at each corner of the city and over night a new one is born in a different wall of Lisbon. 

Here’s some 






Roque Gameiro


Roque Gameiro

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Lisboa Velha 16 – Igreja da Penha de Franca Roque Gameiro

 

O trabalho de investigação pode parecer uma tarefa mais mecânica do que artística. No entanto, está para a recolha de dados como as cerejas para as conversas: puxa-se por uma e vem meia dúzia delas.

No decurso do trabalho que estou a desenvolver, surgiu-me pelo caminho o aguarelista Roque Gameiro, de quem, confesso, pouco mais conhecia que o nome. Aguarela puxa aguarela e a sua obra revelou-se não apenas merecedora de toda a atenção mas também uma viagem por alguns dos recantos lisboetas que mais alto falam à minha alma.


 

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Lisboa Velha 09 – Beco do Castelo Roque Gameiro

1864 – Nasce em Minde, concelho de Porto de Mós, a 4 de Abril. Filho de Ana de Jesus e Manuel Roque Gameiro (conhecido por Migança), pouco se sabe sobre as origens da sua família, que o próprio define, muito mais tarde, na nota de abertura do livro Lisboa Velha, como de “modestíssimos lavradores”.

“o pároco observava que o desmotivado aluno “só queria fazer bonecosˮ.

(In Maria Lucília Abreu in A Aguarela na Arte Portuguesa, ACD Editores, 2008)

     1874/78 – Vem para Lisboa. Começa a trabalhar nas oficinas de seu meio-irmão Justino Guedes, como desenhador litógrafo. A litografia, processo de impressão plana, cujas chapas são pedras especiais para litografia, ‘foi uma técnica de gravura muito difundida na segunda metade do século XIX, utilizada sobretudo para a reprodução de desenhos e aguarelas.

Não esquecerei jamais a impressão de sumptuosidade e de admi­ração que senti quando, ahi por Fevereiro de 1874, vindo da minha humilde aldeia, entrei em Lisboa. Não tinha visto até então mais do que casebres dos modestíssimos lavradores a cuja família me honro de pertencerˮ.

(In Maria Lucília Abreu in A Aguarela na Arte Portuguesa, ACD Editores, 2008)

     1880/90 – Durante esta década está cerca de dois anos na Alemanha, frequentando um curso de litografia na Escola de Artes e Ofícios de Leipzig. Em Portugal, inicia-se como ilustrador, tendo colaborado em vários jornais, nomeadamente O Século, fundado em 1881. Juntamente com Manuel de Macedo e Alfredo Morais, ilustra um grande número de edições, na sua maioria romances históricos.

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Lisboa Velha 31 – Rua das Farinhas Roque Gameiro

     1888 – Participa, como ilustrador, no Álbum Costumes Portugueses, edição que, à época, teve um enorme êxito. Colabora ao lado de nomes como o de Columbano, Malhoa e Rafael Bordalo Pinheiro… Neste mesmo ano casa com D. Maria Assunção Carvalho.

     1898 – Participa, como coordenador gráfico, na edição da primeira História de Portugal Ilustrada, da autoria de Manuel Pinheiro Chagas. Esta obra em vários volumes, compreende um vasto conjunto de notas documentando as fontes históricas utilizadas em cada uma das ilustrações. Estas são da autoria do próprio Roque Gameiro, de Manuel de Macedo e de Alfredo Morais.

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Lisboa Velha 24 – Esquina da Rua de S. Bento e Rua do Sol ao Rato Roque Gameiro

     1891/98 – Participa em todos os salões anuais do Grémio Artístico, com alguns desenhos e, sobretudo, com aguarelas. Os seus trabalhos são premiados em 1893 (3ª medalha), em 1894 (3ª medalha), 1896 (2ª medalha), 1897 (1ª medalha) e 1898 (1ª medalha).     1894 – É nomeado professor na Escola Industrial do Príncipe Real.

     1900 – Os seus trabalhos integram as exposições da delegação portuguesa na Exposição Universal de Paris, onde obtém prémios no âmbito desta participação.

     1901 – Passa a participar regularmente nos salões anuais da recém-criada, em diante Sociedade Nacional de Belas Artes, onde obtém alguns prémios, nomeadamente, medalhas de honra, em 1901 e em 1910.

     1911 – Abre um atelier em Lisboa, onde realiza uma exposição de aguarela, em conjunto com seus filhos, Raquel, Helena e Manuel e onde ministra regularmente, cursos de aguarela.

     1915/17 – É publicada a obra Quadros da História de Portugal, ilustrada por Roque Gameiro e Alberto de Sousa.

     1920 – Expoêm no Rio de Janeiro, juntamente com sua filha Helena.

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Lisboa Velha 10 – Largo da Achada Roque Gameiro

     1923 – Participa, juntamente com suas filhas, na exposição de aguarelistas portugueses em Madrid.

     1925 – É editada a obra Lisboa Velha, com ilustrações de Roque Gameiro, sobre zonas antigas de Lisboa. A obra é prefaciada por Afonso Lopes Vieira.

     1933 – Expõe, pela primeira vez no Porto, juntamente com suas filhas Raquel e Helena.

     1934 – Recebe a Medalha de Honra de Mérito Municipal, atribuída pelo Município de Lisboa.

     1935 – Vem a falecer em Lisboa.

in  A Casa Roque Gameiro, na Amadora

Imagens do álbum “Lisboa Velha”

Mais info http://tribop.pt/TPd/01/01