David Guetta na Eurovisão


Festival da Eurovisão 2017

Primeira parte

O Festival da Eurovisão 2017 tem ocupado os espaços televisivos nos últimos dias de uma forma que poderá mesmo concorrer com a visita do Papa a Fátima.

Ao contrário do que muitos pensam, o festival não perdeu importância nem público, muito pelo contrário. Mudou, talvez, o tipo de público e tornou-se um fenómeno de popularidade em países que nem sequer sabiam que tal espetáculo existia. É verdade, o Festival movimenta milhões, literalmente, de espetadores mas também de euros.

Para aqueles que não sabem – e já percebi que há muitos – a Austrália participa este ano tal como já o fez em edições anteriores. Trata-se do país convidado deste ano, uma técnica a que a Eurovisão recorreu para chamar outros públicos e que tem produzidos resultados. A “novidade” tem já alguns anos, para os mais distraídos.

Estranho mesmo – e sempre o foi para mim – é ter Israel como país europeu.

De volta à Ucrânia, a edição deste ano – e do que eu vi, porque não segui atentamente as duas semifinais  – não difere muito das mais recentes que a antecederam.

Muitas candidatas que acreditam piamente que ser uma boa cantora é atingir o máximo possível de decibéis enquanto balem como uma borrego desesperado para não desafinarem; alguns rapazes que se julgam entre um Justin Bieber entre o alternativo e o intelectual e outros que não deviam cantar nem sequer no chuveiro; concorrentes que, sabendo que este é um espetáculo televisivo mas tendo plena consciência da sua incapacidade cénica, decoram a sua atuação com os olhos colados nas câmaras; playbacks vergonhosos; toneladas de músicas eletrónicas que se arrogam de serem dançáveis mas cuja batida não consegue fazer mexer nem um organismo unicelular, quanto mais um humano. Sugiro que, em 2018, a França leve como concorrente o David Guetta. Pelo menos, goste-se ou não, sabe como por os corpos a mexer com a batida certa que desperta o cérebro humano.

Vestidos que mais parecem para uma gala dos Óscares patrocinada pela loja do chinês, cabelos que, das duas uma: ou viram demasiada escova ou não viram escova nenhuma. Nos homens, muitas tentativas vãs de “fazer”moda.

Portanto, nada de muito diferente do habitual. Mas o Festival da Eurovisão é isto mesmo. Salva-se o espetáculo cénico, sempre bem composto e grande parte do sucesso de um programa de televisão que desde os ABBA não dita tendências musicais.

No entanto, nos últimos anos têm sido notório algum arrojo que tem mantido os admiradores presos ao acontecimento e 2017 não é exceção.

Do que vi, gostei da prestação do duo da Finlândia, com uma canção digna desse nome, do concorrente da Hungria, com uma arriscada mistura de música cigana com rap, e até do concorrente israelita que, ao contrário do que muitos disseram, apresentou uma música eletrónica verdadeiramente dançável. 

Ao Salvador – sim, gosto da música e até do rapaz – já lá vamos. Save the best for last, como dizem os americanos, que também vêem o Festival da Eurovisão.

Já aquele que as casas de apostas apontam como o potencial vencedor, o concorrente italiano, apenas vi um homem feio – alguém conseguiu descobrir um homem feio em Itália, um feito quase tão difícil como contatar com aliens -, mal vestido e que se contorceu em palco como uma centopeia a sofrer um episódio epilético ao som de qualquer coisa que me pareceu um motor de uma carro a afogar-se. 

Quanto à concorrente belga, que divide opiniões, talvez a rapariga de faça, mas deixou-se dominar pelo nervosismo e acabou por desafinar numa música que também não lá grande coisa, mas que pelo menos é uma canção a sério.

As irmãs holandesas – os irmãos estão a dar que falar nesta edição –  que tantos elogios receberam dos espetadores masculinos (sim, os homens também vêem o Festival, só não o confessam), cantarolaram uma coisa qualquer que me soou a um cruzamento entre girl band inglesa dos finais dos anos 90 e duplas pop-country norte-americanas. Pelo menos, não desafinaram, a não ser naqueles vestidos que foram buscar ao armário da Diana Ross. É nestes casos que eu agradeço que a televisão não tenha cheiro, se não ninguém aguentava o fedor a naftalina.

Querem saber mais? Esperem, que daqui a pouco já vos conto. 

Volto já, voltem também. Mas voltem mesmo, porque consigo perceber pelas estatísticas se voltaram mesmo.

Intervalo para compromissos comerciais. O programa segue dentro de momentos.

 

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