Roque Gameiro


Roque Gameiro

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Lisboa Velha 16 – Igreja da Penha de Franca Roque Gameiro

 

O trabalho de investigação pode parecer uma tarefa mais mecânica do que artística. No entanto, está para a recolha de dados como as cerejas para as conversas: puxa-se por uma e vem meia dúzia delas.

No decurso do trabalho que estou a desenvolver, surgiu-me pelo caminho o aguarelista Roque Gameiro, de quem, confesso, pouco mais conhecia que o nome. Aguarela puxa aguarela e a sua obra revelou-se não apenas merecedora de toda a atenção mas também uma viagem por alguns dos recantos lisboetas que mais alto falam à minha alma.


 

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Lisboa Velha 09 – Beco do Castelo Roque Gameiro

1864 – Nasce em Minde, concelho de Porto de Mós, a 4 de Abril. Filho de Ana de Jesus e Manuel Roque Gameiro (conhecido por Migança), pouco se sabe sobre as origens da sua família, que o próprio define, muito mais tarde, na nota de abertura do livro Lisboa Velha, como de “modestíssimos lavradores”.

“o pároco observava que o desmotivado aluno “só queria fazer bonecosˮ.

(In Maria Lucília Abreu in A Aguarela na Arte Portuguesa, ACD Editores, 2008)

     1874/78 – Vem para Lisboa. Começa a trabalhar nas oficinas de seu meio-irmão Justino Guedes, como desenhador litógrafo. A litografia, processo de impressão plana, cujas chapas são pedras especiais para litografia, ‘foi uma técnica de gravura muito difundida na segunda metade do século XIX, utilizada sobretudo para a reprodução de desenhos e aguarelas.

Não esquecerei jamais a impressão de sumptuosidade e de admi­ração que senti quando, ahi por Fevereiro de 1874, vindo da minha humilde aldeia, entrei em Lisboa. Não tinha visto até então mais do que casebres dos modestíssimos lavradores a cuja família me honro de pertencerˮ.

(In Maria Lucília Abreu in A Aguarela na Arte Portuguesa, ACD Editores, 2008)

     1880/90 – Durante esta década está cerca de dois anos na Alemanha, frequentando um curso de litografia na Escola de Artes e Ofícios de Leipzig. Em Portugal, inicia-se como ilustrador, tendo colaborado em vários jornais, nomeadamente O Século, fundado em 1881. Juntamente com Manuel de Macedo e Alfredo Morais, ilustra um grande número de edições, na sua maioria romances históricos.

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Lisboa Velha 31 – Rua das Farinhas Roque Gameiro

     1888 – Participa, como ilustrador, no Álbum Costumes Portugueses, edição que, à época, teve um enorme êxito. Colabora ao lado de nomes como o de Columbano, Malhoa e Rafael Bordalo Pinheiro… Neste mesmo ano casa com D. Maria Assunção Carvalho.

     1898 – Participa, como coordenador gráfico, na edição da primeira História de Portugal Ilustrada, da autoria de Manuel Pinheiro Chagas. Esta obra em vários volumes, compreende um vasto conjunto de notas documentando as fontes históricas utilizadas em cada uma das ilustrações. Estas são da autoria do próprio Roque Gameiro, de Manuel de Macedo e de Alfredo Morais.

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Lisboa Velha 24 – Esquina da Rua de S. Bento e Rua do Sol ao Rato Roque Gameiro

     1891/98 – Participa em todos os salões anuais do Grémio Artístico, com alguns desenhos e, sobretudo, com aguarelas. Os seus trabalhos são premiados em 1893 (3ª medalha), em 1894 (3ª medalha), 1896 (2ª medalha), 1897 (1ª medalha) e 1898 (1ª medalha).     1894 – É nomeado professor na Escola Industrial do Príncipe Real.

     1900 – Os seus trabalhos integram as exposições da delegação portuguesa na Exposição Universal de Paris, onde obtém prémios no âmbito desta participação.

     1901 – Passa a participar regularmente nos salões anuais da recém-criada, em diante Sociedade Nacional de Belas Artes, onde obtém alguns prémios, nomeadamente, medalhas de honra, em 1901 e em 1910.

     1911 – Abre um atelier em Lisboa, onde realiza uma exposição de aguarela, em conjunto com seus filhos, Raquel, Helena e Manuel e onde ministra regularmente, cursos de aguarela.

     1915/17 – É publicada a obra Quadros da História de Portugal, ilustrada por Roque Gameiro e Alberto de Sousa.

     1920 – Expoêm no Rio de Janeiro, juntamente com sua filha Helena.

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Lisboa Velha 10 – Largo da Achada Roque Gameiro

     1923 – Participa, juntamente com suas filhas, na exposição de aguarelistas portugueses em Madrid.

     1925 – É editada a obra Lisboa Velha, com ilustrações de Roque Gameiro, sobre zonas antigas de Lisboa. A obra é prefaciada por Afonso Lopes Vieira.

     1933 – Expõe, pela primeira vez no Porto, juntamente com suas filhas Raquel e Helena.

     1934 – Recebe a Medalha de Honra de Mérito Municipal, atribuída pelo Município de Lisboa.

     1935 – Vem a falecer em Lisboa.

in  A Casa Roque Gameiro, na Amadora

Imagens do álbum “Lisboa Velha”

Mais info http://tribop.pt/TPd/01/01

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