Halloween


Halloween

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Esqueçam o Halloween, os Vampiros, os Trolls e o Pai Natal. Neste livro, só vamos falar de criaturas portuguesas, como os Trasgos e as Jãs. Quem são as Moiras Encantadas? Onde vivem? O que faz a Maria Gancha no fundo do poço e os Maruxinhos nas ruínas do castelo? Aquele som lá ao longe, na encruzilhada, será um Lobisomem ou um Tardo?
Nuno Matos Valente recolheu e Natacha Costa Pereira ilustrou cerca de 40 criaturas que “habitam” o nosso território, produzindo o trabalho de pesquisa de criaturas míticas tradicionais portuguesas mais completo alguma vez publicado.
Dirigido a pais e filhos, este Bestiário Ilustrado contém informações detalhadas sobre os hábitos e características de cada criatura genuinamente portuguesa, de acordo com extensa recolha oral e com referências nas obras de Leite de Vasconcelos, Consiglieri Pedroso, Alexandre Herculano, Júlio Dinis, Teófilo Braga, entre outros. 

In https://bestiariotradicionalportugues.wordpress.com/

 

Em Portugal

Ao contrário do que se diz por aí, a tradição de celebrar a noite do 31 de Outubro também existe em Portugal desde tempos imemoriais. Claro que não envolve abóboras recortadas ou chapéus de bruxa, mas muitas assentam em antigos ritos pagãos aos quais se associaram, mais tarde, as celebrações de inspiração cristã, como o Dia de Todos-os-Santos.

As celebrações próprias do paganismo associam este período do ano a uma renovação, grosso modo, a uma passagem de ano. Em Portugal, existem duas tradições que se assinalam a 31 de Outubro e a 1 de Novembro: a mais conhecida, o Pão por Deus, e a mais antiga, a Festa da Cabra e do Canhoto.

Considerada como uma das festas mais genuínas de Portugal, a Festa da Cabra e do Canhoto, que se realiza na noite de 31 de Outubro na aldeia de Cidões (concelho de Vinhais), tem origens remotas mas continua a celebrar-se hoje tal como se fazia no tempo em que os celta-iberos caminhavam pelo território da Península.

Na noite de 31 de Outubro, a população de Cidões esconjura os demónios confeccionando uma refeição festiva com a mais tradicional representação do demo: a cabra. O animal, velhas e boas cabras às quais a população chama de machorras por serem estéreis, é cozinhado em potes de grandes dimensões, sobre o fogo intenso do chamado canhoto, um tronco, e acompanhado por pão de lenha, castanha assada, maçãs, figos e nozes. O canhoto é queimado junto a um cruzamento, que a mística popular associa às práticas de bruxaria.

Tudo bem regado a vinho e a aguardente queimada.

A noite é também assinalada com o relato de histórias antigas destinadas a arrepiar a provocar arrepios na espinha e das tropelias dos rapazes que, após o repasto, percorrem a aldeia roubando vasos de flores e outros objectos, montados num carro de bois cujo chiar se prolonga na noite para não deixar ninguém dormir. A atitude dos mancebos reproduz o caos próprio do fim de um ciclo e do princípio de outro, trazendo assim ao presente o rito pagão da mudança de ano.

À volta do Mundo

Samhain

Samhain (Festa de Todos os Santos, All Hallows, Mischief Night, Hallowmas, Noite de Saman, Samaine, Halloween, All Hallows Eve)

Samhain (pronuncia-se Sou-ein) é festejado a 31 de Outubro, celebrando a última das colheitas. Popularizada como a Noite das Bruxas, ou Halloween, nos países anglo-saxónicos, esta noite é também aquela em que o véu que separa o mundo material do espiritual é mais fino, facilitando o contacto com os nossos antepassados. Os Portões das Sidhe, que dividem os dois mundos, estão abertos e nem os humanos nem as fadas precisam de senhas para entrar e sair. O Outro Mundo concilia-se com o nosso à medida que a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega.

Entre os diversos rituais associados a este festival está a realização de uma ceia em silêncio, através da qual se tenta contactar com aqueles que já cruzaram os portais entre os dois mundos. De igual forma, é tradicional deixar um lugar à mesa destinado aos antepassados, servindo os respectivos pratos como se eles estivessem fisicamente presentes na ceia.

Para aqueles que não têm família para celebrar seus ancestrais, é comum deixarem-se alimentos no exterior da casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados.

Nesta época do ano, o pico do Outono no hemisfério Norte, o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol enfraquece rapidamente, enquanto a sombra cresce e as folhas das árvores caem, anunciando a chegada do Inverno. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, segundo as medições feitas na antiga na Britânia e na Irlanda, razão pela qual os celtas escolheram esta celebração, em lugar do Yule, o Solstício de Inverno, para representar o Ano Novo.

Na Antiguidade, os europeus assinalavam esta época das últimas colheitas com o sacrifício dos seus gados, uma forma de aproveitar a carne dos animais que não conseguiriam sobreviver aos rigores do Inverno. Deste modo, apenas os mais fortes seriam mantidos para o ano seguinte.

No sentido mais espiritual, a noite de Samhain marca o momento em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. Apesar da morte do Deus, que se torna no Senhor da Morte e das Sombras, a sua alma permanece viva na criança ainda por nascer que crescer na Deusa e que simboliza a nova vida. Este momento simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais.

O Halloween é também um festival do fogo, facto que é assinalado com o acender de fogueiras que servirão para iluminar o caminho dos espíritos para o Outro Mundo, também chamado País de Verão.

Para que os espíritos encontrem o caminho para o nosso mundo, bem como sejam guiados na sua jornada de regresso, é habitual colocar uma vela acesa na janela da casa.

Sendo esta considerada como a noite mais mágica do ano, o Samhain é igualmente tido como sendo um momento muito favorável para as práticas divinatórias, nomeadamente, no que concerne a fortunas e casamentos futuros. Para tal, colocavam-se várias maçãs num grande barril de água, em redor do qual as mulheres se reuniam. A primeira que conseguisse apanhar uma das maçãs seria a primeira a casar no ano seguinte.

Contudo, a prática do Samhain que maior fama granjeou foi a das máscaras de abóbora, chamadas Jack O’Lantern  e que mantém até aos dias de hoje, integrando as actuais celebrações do Halloween.

A sua origem não é clara, sendo atribuída tanto aos escoceses como aos irlandeses. Sabe-se que as máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair durante a noite de Samhain, uma vez que as sombras provocadas pelas faces esculpidas nas abóboras afastavam os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. As mesmas máscaras eram também colocadas nos batentes das janelas e em frente à porta de entrada para proteger toda a casa.

Já a tradição de percorrer as casas da vizinhança pedindo doçuras ou travessuras tem origem celta. Contudo, era um ritual praticado pelos adultos e não pelas crianças, como sucede actualmente, que se deslocavam de casa em casa, cantando, e que eram presenteados pelos habitantes.

O Samhain é um tempo para a reflexão, no qual olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.

O Dia das Bruxas (também conhecido pela sua denominação em inglês Halloween) tem origem em celebrações associadas a momentos marcantes da natureza e da agricultura datadas da Antiguidade. Refira-se que a designação de Dia das Bruxas apenas existe para os povos de língua (oficial) portuguesa.

As celebrações originais reportavam a uma festa pagã, o Samhain. Com o surgimento do cristianismo, a igreja procurou restringir estas celebrações, instituindo as cerimónias dedicadas à véspera e ao Dia de Todos os Santos, a 1 de Novembro. Inicialmente, a festa de Todos os Santos era celebrada no dia 13 de Maio.

Assim, a origem do Halloween remonta às tradições dos povos que habitavam a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre 600 a.C. e 800 d.C., embora de forma bastante diferente das actuais abóboras ou da conhecida frase “gostosuras ou travessuras“, uma exportação norte-americana.

O festival de Samhain (o fim do Verão) fazia parte do calendário celta da Irlanda e era celebrado entre finais de Outubro e os primeiros dias de Novembro e marcava o final do período estival, bem como a última das colheitas.

Por esta altura de celebração, os celtas celebravam um conjunto de datas, entre as quais o culto aos mortos (a festa dos mortos), já que se acreditavam que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Durante esta festa, os sacerdotes actuavam como médiuns, procurando estabelecer uma ligação entre as pessoas e os seus antepassados que haviam deixado o mundo dos vivos e habitavam já um lugar que se acreditava ser de felicidade perfeita, sem fome nem dor.

Nesta noite o véu que separa o mundo material do mundo espiritual torna-  -se mais fino e facilitando o contacto com ancestrais torna-se mais fácil. Neste momento, o chamado Outro Mundo aproxima-se do nosso à medida que a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. As fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (ou País de Verão).

É comum realizar uma ceia em total silêncio e deixar um lugar à mesa destinado aos ancestrais, aos quais são servidos pratos como se eles fossem uma presença viva.

Para aqueles que não têm família, é tradição deixar alguns alimentos na porta de entrada, em homenagem aos amigos que já abandonaram este mundo.

De igual forma, é também tradicional deixar uma vela acesa na janela para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo.

Este é também o tempo do ano em que o frio aumenta e a morte vagueia pela Terra, enquanto o Sol enfraquece rapidamente, numa clara preparação para a chegada do Inverno.

Por esta altura, os antigos povos da Europa sacrificavam as suas cabeças de gado como forma de preservar a carne para o Inverno, já que os animais dificilmente poderiam sobreviver ao frio crescente. Apenas um pequeno número de animais era mantido para o ano seguinte.

No Samhain, o Deus morre, (tornando-se no Senhor da Morte e das Sombras) mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa, um simbolismo para a morte das plantas e a hibernação dos animais

Entre algumas das tradições mais conhecidas do Samhain está o famoso Jack O’Lantern, que deu origem às actuais abóboras.

Originalmente, as pessoas usavam abóboras esculpidas como máscaras, sendo que as sombras por elas provocadas afastavam os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Estas máscaras eram também colocadas nas janelas e nas portas de entrada com o objectivo de proteger toda a casa.

Da mesma forma, também o costume norte-americano de mascarar as crianças e deixá-las correr de casa pedindo gostosuras ou oferecendo travessuras tem origem celta. Na Antiguidade, eram os adultos quem passava de casa em casa, entoando cânticos, sendo presenteados com agrados pelos seus habitantes.

Associação com as bruxas

A relação da comemoração desta data com as bruxas terá começado na Idade Média como consequência das perseguições encetadas por líderes políticos e religiosos aos que eram pagãos. Designados por bruxos ou bruxas, com um carregado sentido pejorativo, eram julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.

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