Estamos à espera de quê?


Estamos à espera de quê?

O terrorismo faz, definitivamente, parte do dia-a-dia da Europa.

Nada de surpreendente num continente que nada mais é que uma aglomeração de inúmeras tribos em desenhos cartográficos a fazer de conta que são países. Nada de surpreendente num continente que, em mais de mil anos de vida, 80 por cento foram passados em guerra. Na realidade, a Europa nunca viveu um período de paz tão longo como aquele que medeia entre o fim da II Guerra Mundial e a atualidade, mesmo se se contabilizar a guerra nos Balcãs.

Atividade-Mapa-Branco-Europa

Portanto, acordar ao som de explosões e ataques suicidas, mesmo que através da televisão ou online, já nada tem de estranho para um europeu. Ontem em Madrid, mais tarde em Londres, uma vez por outra em Paris, agora é a grande estreia de Bruxelas, o cérebro político da União.

Já se sabe que os terroristas são como os quistos. Resultam da acumulação de porcaria em zonas mais suscetíveis a infeções e que os organismos por si só não conseguem aniquilar da forma correta. Como tal, de cada vez que se anula um recorrendo a um método invasivo, surgem cinco novos.

E é aqui que surgem os maiores problemas.

A Europa insiste, tal como alguns médicos mais cautelosos, a usar soluções não invasivas mas claramente menos eficazes como se não existissem outras. Insiste em ser a boa da fita como se a vida fosse uma coboiada de Hollywood.

Naturalmente, todos os estados europeus têm o rabo preso com todos os estados europeus. E com a Rússia, Estados Unidos, China, países árabes, etc. Todos devem alguma coisa a alguém, todos vendem algum produto a alguém, todos precisam uns dos outros. 

Mas já assim o era no final dos anos 30 do século passado e isso não impediu que aliados e inimigos – numa linguagem simplista – reunissem forças para por fim à ameaça comum. Mesmo que já existissem sinais mais que evidentes que essa ameaça estava prestes a morrer por si própria. Demoraria apenas mais algum tempo.

Então estamos à espera de quê?

Vamos ter que aguardar pacientemente que, tal como o exército nazi, os acólitos do DAESH(1) se organizem em massa e, literalmente, nos invada? 

Esperar que os quistos se transformem em cancros com metástases para aplicar uma dose desmedida de quimioterapia e aniquilar o sistema imunitário daquilo que hoje são democracias sem ter a certeza que os tumores não reincidem?

(1) – para os puristas da língua, eu sei que existe a versão portuguesa Daexe, mas francamente, não gosto nada dela.

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