Heróis Populares Portugueses 26 – Álvaro Cunhal


Heróis Populares Portugueses 26 – Álvaro Cunhal

Álvaro Cunhal(estudante Direito) Imagem propriedade do PCP

Álvaro Cunhal(estudante Direito) Imagem propriedade do PCP

Álvaro Cunhal nasceu em Coimbra (freguesia da Sé Nova) em 10 de Novembro de 1913. Passou parte da sua infância em Seia. A família mudou-se entretanto para Lisboa, onde Álvaro Cunhal começou por frequentar o Liceu Pedro Nunes e, mais tarde, o Liceu Camões.

Concluídos os estudos liceais, ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa onde iniciou a sua actividade revolucionária. Participou no movimento associativo estudantil, tendo sido eleito em 1934 como o representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP) sendo eleito seu secretário-geral em 1935. Membro do Partido Comunista Português desde 1931, a partir de 1935 passou a integrar o quadro de militantes clandestinos.

Preso em 1937 e em 1940 e submetido a torturas, voltou imediatamente à luta logo que libertado depois de alguns meses de prisão.
Participa na reorganização do PCP de 1940/41 e é membro do Secretariado de 1942 a 1949, período durante o qual dá uma contribuição decisiva na actividade e definição da orientação e identidade do Partido que faz do PCP um Partido profundamente enraizado na classe operária e nos trabalhadores, com forte influência na intelectualidade e na juventude, grande partido nacional e dirigente da luta antifascista.

Preso de novo em 1949, passa toda a década de 50 nas prisões fascistas. Levado a julgamento, fez no Tribunal fascista uma contundente acusação à ditadura fascista e a defesa da política do Partido. Condenado, permaneceu 11 anos seguidos nas cadeias fascistas, dos quais cerca de 8 anos em completo isolamento. Transferido da Penitenciária de Lisboa para a prisão-fortaleza de Peniche, evadiu-se em 3 de Janeiro de 1960 com um grupo de outros destacados militantes comunistas.

O período desde o início dos anos 60 até à Revolução de Abril de 1974 é extraordinariamente intenso. Integrou novamente o Secretariado do Comité Central, foi eleito Secretário-geral do PCP em Março de 1961. Interveio decididamente para a correcção do desvio de direita e para o combate ao oportunismo de direita e a tendências sectárias e esquerdistas do radicalismo pequeno-burguês. Deu uma contribuição decisiva na análise da situação nacional, na caracterização do regime fascista, no traçar da orientação, na definição das tarefas e na direcção da acção política do Partido, criando condições para a Revolução de Abril e influenciando o seu desenvolvimento.

Após o derrubamento da ditadura fascista em 25 de Abril de 1974, depois de quase quarenta anos de luta na clandestinidade ou na prisão, pôde desenvolver a acção política nas condições de liberdade que a Revolução proporcionou. Foi Ministro sem Pasta nos primeiros quatro Governos Provisórios e eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1975 e à Assembleia da República nas eleições realizadas entre 1975 e 1987. Foi membro do Conselho de Estado de 1982 a 1992. A sua intervenção na fase do desenvolvimento do processo revolucionário, e posteriormente na defesa das conquistas da revolução atingidas pelo processo contra-revolucionário, é profundamente marcada pela avaliação e o estímulo ao papel da luta da classe operária, dos trabalhadores, das massas populares.

No XIV Congresso do PCP, em 1992, no quadro de renovação e nova estrutura de direcção deixou de ser Secretário-geral e foi eleito, pelo Comité Central, Presidente do Conselho Nacional do PCP. Em Dezembro de 1996, no XV Congresso do PCP, extinto o Conselho Nacional, manteve-se membro do Comité Central do PCP.

Continuou a ter, até ao fim da sua vida, uma intervenção activa na acção política, na actividade cultural e artística, na afirmação confiante do projecto comunista.

Morreu aos 92 anos em 13 de Junho de 2005 e o seu funeral no dia 15 de Junho com a participação de centenas de milhar de pessoas, uma extraordinária homenagem dos comunistas, dos democratas e patriotas, dos trabalhadores e do povo a quem Álvaro Cunhal dedicou a sua vida, constituiu uma manifestação que foi em si mesma uma afirmação de determinação, empenho e confiança na continuação da luta pela causa que abraçou.

Autor de vasta obra publicada, no plano político e ideológico, de que são exemplos trabalhos como «As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média», «Contribuição para o Estudo da Questão Agrária», «Rumo à Vitória», «A Revolução Portuguesa – O Passado e o Futuro», «O Partido com Paredes de Vidro», «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se)», «A Questão do Estado, Questão Central de Cada Revolução», «O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista», «Acção Revolucionária Capitulação e Aventura», «A Arte, o Artista e a Sociedade», entre muitos outros, e centenas de informes/relatórios, de discursos, de colóquios, entrevistas, debates, conferências, artigos em várias publicações; prefaciou e traduziu diversas obras, que fazem de Álvaro Cunhal um intelectual que enriqueceu criativamente o pensamento político, económico, social e cultural numa permanente relação dialéctica com a sua acção prática de organizador e dirigente comunista.

Álvaro Cunhal foi também o homem, o comunista, o artista com um apaixonado interesse por todas as esferas da vida, nomeadamente pela actividade de criação artística, quer no plano da literatura, nomeadamente com o pseudónimo de «Manuel Tiago», com o romance e o conto («Até Amanhã, Camaradas»; «Cinco Dias; Cinco Noites»; «A Estrela de Seis Pontas»; «A Casa de Eulália»; «Fronteiras»; «Um Risco na Areia»; «Os Corrécios»; «Sala 3»; «Lutas e Vidas»; «Os Barrigas e os Magriços») e a tradução («Rei Lear» de Shakespeare), quer no plano das artes plásticas, com o desenho e a pintura («Desenhos da Prisão», «Projectos»), quer ainda no plano da reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural («A Arte, o Artista e a Sociedade»).

In http://alvarocunhal.pcp.pt/

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