Bom 2013… ou talvez não


Bom 2013… ou talvez não

Reagindo a uma natural avalancha  de votos de Bom Ano Novo, um amigo não aguentou e gritou (leia-se, escreveu em maiúsculas) tudo o que lhe ia na alma sobre a (im)possibilidade de ter um bom 2013.

Concordo com ele em absoluto.

Os votos  de Bom Ano Novo são dados de coração, quero acreditar.

Muito provavelmente, estou a ser ingénua.

Mas que são profundamente enervantes, são. Tão irritantes como aquelas pessoas que passam os seus dias a dizerem-nos que temos que sorrir sempre, que se formos positivos as coisas vão correr bem, que ver a garrafa meio cheia ajuda a concretizar os nossos objectivos. Mentira. Sobretudo, numa altura como esta.

Numa altura em que a única esperança que tínhamos era que, por um mero acaso, os Maias estivessem certos e o mundo tivesse acabado no passado dia 21.

Numa altura em que aqueles que ainda têm emprego – sabe-se lá até quando – vão trabalhar mais e ganhar menos.

Numa altura em que comemos esparguete com massa e pão com torradas para ter dinheiro para o passe que não podemos utilizar porque os transportes  estão em greve e o carro já foi entregue ao banco.

Numa altura em que nos entretemos a criar nvos conflitos de geração enquanto nos amontoamos na sala de casa dos pais ou dos sogros que, em lugar de se dedicarem aos netos, estão mais ocupados a descobrir como é que conseguirão trabalhar até aos 90 anos. Nós, naturalmente, não temos esta questão para resolver, porque não chegaremos aos 65, quanto mais aos 90. Não, não estou a ser pessimista. Dizem os entendidos que a geração que está agora na casa dos 40, 50 será a primeira a morrer antes dos pais.

Numa altura em que esperamos que a escola não tenha férias para que as crianças possam ter pelo menos uma refeição completa por dia.

Numa altura em que juntamos os duodécimos do subsídio de Natal para gastar no nosso funeral, cerimónia que seremos obrigados a fazer de forma (in)esperada porque não tivemos dinheiro para ir ao médico e muito menos para comprar os medicamentos.

Por isto e por muito mais, agradeço os votos, acarinho a intenção e retribuo, mas trata-se apenas de um pró-forma.

E quanto aos tradicionais votos de Bom Ano Novo do Presidente da República, esses… bom, coibo-me de expressar em palavras o que esses votos me provocam na alma. Seria demasiado vernáculo, assim como um cruzamento entre Bocage e António Aleixo personificado naquela coisa que encabeça uma equipa de coisas num reality show da MTV, a Snooky.

Posto isto, como se diria no teatro, desejo-vos a todos muita merda para 2013. Tenho a certeza que a terão. Não me chamam bruxa à toa.

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