O Fim do Mundo


O Fim do Mundo

Dizem que o fim do mundo terá lugar na próxima sexta-feira.

Se assim é, não sei. Não sei eu nem sabe ninguém, como diz o fado.

Uma coisa é certa: para os ferverosos adeptos das conspirações, esses que dizem para aí que as organizações cientifícas internacionais nos escondem obstinadamente a verdade, e para o arautos da desgraça, que tanto anseiam por uma tragédia de dimensão planetária, se o mundo não acabar na próxima seta-feria, o fim já tem novas datas agendadas. Várias, à cautela. Googlem e masturbem-se a imaginar como será. Mas, tal como a prática indicia, façam-no sozinhos, só vocês e a vossa mão, e deixem os outros em paz. De preferência, cozam a boca com linha de aço, transformem os vossos quartos em bunkers e fechem-se lá dentro. Para a eternidade.

Estou certa que os conspiracionistas acham que foi o Passos Coelho, em conluio com outros lideres mundiais, que agendaram o fim do mundo para esta data, procurando assim evitar os aborrecimentos sociais inerentes à crise, enquanto os arautos da desgraça acreditam que os deuses esperaram séculos a fio para porem fim à sua criação.

Por outro lado, estou ainda mais certa que não fazem a mais pequena ideia – e teria mesmo que ser liliputiana para caber nas suas cabeças – do perigo que as suas crenças pode gerar. Das reais implicações de instilar o medo generalizado em determinadas faixas da população ou mesmo em alguns colectivos mais atreitos aos efeitos do pânico. Não têm qualquer consciência – difícil era ignorar tal facto – da perniciosidade das suas  opiniões para aqueles cuja fragilidade os leva a socorrer-se dos menos escrupulosos.

Na realidade, muitos serão aqueles para quem do próximo dia 21 será o fim do mundo. Mais que não seja, no sentido figurado.

No dia 22, quando a manhã despontar e o Sol de Inverno se mostrar pela primeira vez em 2012, muitos serão os que culparão a indústria de Hollywood por toda esta confusão, sem perceberem, ou pior, sem quererem perceber, que o verdadeiro responsável é aquilo que o Einstein tinha como sendo a única coisa inegavelmente infinita: a estupidez humana.

 

SUGESTÃO PARA O FIM DO MUNDO

Noites no Observatório – Sessão Apocalíptica

No próximo dia 21 de Dezembro de 2012, o Observatório Astronómico de Lisboa realizará a última sessão do ano de 2012 de as “Noites no Observatório”.

A iniciativa “Noites no Observatório”, de frequência mensal, tem vindo a decorrer desde o ano de 2010 e tem como primo objectivo proporcionar ao público um contacto próximo com a Astronomia e dar a conhecer o riquíssimo património histórico, arquitectural e instrumental, da Astronomia portuguesa e mundial nos séculos XIX e XX.

Em cada sessão de “Noites no Observatório” realizar-se-ão:

– Visita guiada ao edifício museológico do Observatório

– Palestra de divulgação (com tema a anunciar a cada sessão)

– Observações com telescópio

ATENÇÂO: Excepcionalmente, a sessão deste mês será realizada no dia 21 de Dezembro (sexta-feira) em vez do habitual último sábado do mês.

As observações decorrerão em contínuo ao longo da noite e estão sujeitas às condições meteorológicas.

Independentemente destas, a palestra será sempre realizada e tem uma duração aproximada de 60 minutos. A sessão de dia 21 de Dezembro terá início às 21:30 com a palestra. Este mês, a visita guiada ao edifício museológico do Observatório não será realizada. O OAL abrirá as suas portas às 21:00.

A palestra estará subordinada ao tema “Maias 2012: O Fim dos Tempos?”, proferida por Prof. Doutor Rui Agostinho.

 

Maias 2012: O Fim dos Tempos?

Nos últimos anos têm-se propagado notícias de um fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, argumentos esses que são baseados em interpretações incorrectas da cultura Maia. O seu impacto é manifestado nas publicações de índole genérica, sentido pelo público mais suscetível e, mais preocupante ainda, nos jovens e diversa população escolar.

No contexto cultural científico da sociedade hodierna, a transmissão destas interpretações catastrofistas só se torna eficiente quando associada a fenómenos cientificamente comprovados, de modo a atribuir-lhes alguma credibilidade. Por isso, os advogados do “Fim do Mundo”, argumentam que no final de 2012 ocorrerá uma panóplia de fenómenos astrofísicos e terrestres, todos eles com “ligações óbvias” à cultura Maia. Curiosamente argumenta-se que alguns foram estudados ou previstos pelo povo Maia, apesar de apenas terem sido descobertos no último século.

Nesta palestra abordarei os diversos fenómenos astrofísicos que usualmente são apresentados como prova evidente da “catástrofe eminente de 2012”, mostrando que não passam de interpretações infundadas e que estão mesmo erradas.

http://www.oal.ul.pt/index.php?link=destaque&id=281

Observatório Astronómico de Lisboa

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