FESTA DA CABRA E DO CANHOTO


FESTA DA CABRA E DO CANHOTO – Dia 31 de Outubro

Festa da Cabra e do Canhoto 2012 – Foto Associação Raízes Aldeia de Cidões

Reza a lenda que: “numa noite de folia e transgressão, generosidade e alegria, canhotos hão-de criar uma fogueira que ainda se faz numa encruzilhada e ai daquele que não se aqueça nessa fogueira ou que não coma do banquete que ali se preparará” já que a “quem no canhoto não se aquecer e da cabra não comer, um ano de azar vai ter”.

 
Ao contrário do que muitos defendem, Portugal tem as suas tradições bem enraizadas no que respeita à Noite das Bruxas.

Embora de características muito diversas das celebrações feitas nos países anglo-saxónicos, são bastante peculiares os festejos portugueses.

Um desses casos é a Festa da Cabra e do Canhoto, também conhecida como a Lenda das Almas, realizada na aldeia de Cidões, no concelho de Vinhais.

No lugar do Cimo do Povo, em Cidões, os mordomos têm a responsabilidade de reunir grossos troncos – chamados canhotos de madeira – que devem ser roubados ou não arderão, diz a tradição, e que, uma vez colocados numa pilha que atinge alguns metros de altura, darão lugar a uma fogueira de grandes dimensões. Ao lado, é feita outra fogueira, mais pequena, na qual serão cozinhadas as cabras, “velhas e boas cabras, machorras” (estéreis) em potes de ferro.

O canhoto e a cabra machorra são a representação do Diabo, que é queimado na fogueira, e da sua mulher infértil, que serve de refeição a todo o público que esteja presente na festa.

Enquanto os convivas esperam pelo repasto, são servidas castanhas assadas, figos secos e nozes acompanhados com vinho de produção local, feito com uvas que crescem nas encostas do rio Tuela, e a aguardente queimada, tudo  acompanhado por “histórias de arrepiar, de outros tempos”. Não pode faltar aos convivas o ulhaque (*), uma bebida tradicional de Cidões. À volta da fogueira maior juntam-se tocadores de concertina e cantadores espontâneos cantando canções populares.

Ao longo da noite, os rapazes mais jovens roubam os vasos de flores que enfeitam as varandas e colocam-nos ao longo da rua, virando a aldeia do avesso e passeando um carro de bois que fazem chiar de forma a que ninguém durma. Em cima do carro de bois segue o Diabo, trajado a rigor, que protesta contra a morte da cabra, a sua esposa.

A população procura, com este ritual, evocar as energias renovadoras e propiciatórias do caos que caracteriza o fim e o princípio de um ciclo, o que realmente se celebra nesta noite.

No dia 1 de Novembro, após a realização da missa pelos finados e ida ao cemitério, é feito o leilão da lenha roubada, no largo da aldeia, cujos proveitos irão contribuir para a realização das próximas missas em honra dos falecidos.

A Festa da Cabra e do Canhoto tem origem na tradição celta, segundo a qual se deve acender uma grande fogueira numa clareira, na parte mais alta da localidade, para celebrar neste dia o Samhain, o fim de um ano e inicio de um novo, um ritual relacionado com a actividade agrícola, a época das colheitas. Os cristãos transformaram a data no Dia de Todos os Santos e no Dia de Finados, numa alusão supersticiosa a essa ligação.
Ainda em Trás-os-Montes, a noite é também assinalada com a presença do fogo em Argozelo, concelho de Vimioso, onde é tradicional os habitantes juntarem-se ao lume para rezar, assar castanhas e conviver, uma tradição secular. Entre as orações e o convívio bate-se com a moca na fogueira para espantar o mal e avivar o lume.

(*)ULHAQUE

Conforme referiu ao CastelodaSandrix a Associação Raízes Aldeia de Cidões, a bebida tradicional local, denominada Ulhaque é:

“Bebida celta.
Aprecie a nossa qualidade com moderação. Bebida pura e autentica, feita em Pote de aguardente, à base de bagaço e chá d`ervas, Beze dó cubo e medronhos dó rigueiral. Duplamente filtrada e armazenada em tonéis de madeira. Receita CELTA ancestral que deve ser bebida gelada. Desde a tira do bagaço do lagar até à coleta das ervas, passando pela destilação controlada no pote d`aguardente tradicional, até ao processo de armazenamento e posterior engarrafamento, todo o cuidado é pouco para produzir a melhor bebida Ulhaque, preservando a sua
inconfundível qualidade.

Receita recuperada de bebida preferida dos Celtas e mantida até aos dias de hoje. Pela sua excelente qualidade e fino sabor, é usada como esplêndido aperitivo e delicioso digestivo. Com gelo torna-se um apreciado refresco. Agora no Outono e Inverno não precisa de gelo.

Das encostas do Rio Tuela em Cidões sai este puro e delicioso néctar.”

 

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2 thoughts on “FESTA DA CABRA E DO CANHOTO

    • É uma grande verdade! Pena é que não se divulgue mais aquilo que é genuinamente português. Obrigada pelo seu comentário, Manuel.

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