UM POUCO DE HISTÓRIA – Cidões e a Festa da Cabra e do Canhoto


UM POUCO DE HISTÓRIA – Cidões e a Festa da Cabra e do Canhoto

A propósito da Festa da Cabra e do Canhoto, aqui fica um pouco de história que ajuda a explicar a origem desta tradição transmontana.

Textos de Luís C., cedidos pela Associação Raízes Aldeia de Cidões. Um grande bem-haja!

UM POUCO DE HISTÓRIA

Em muitas aldeias de Trás-os-Montes há muitas tradições que se perdem no tempo o seu significado. Realizam-se por sempre se realizarem sem terem explicações para elas, pois sempre se fizeram.

O Halloween é uma celebração anual muito comum em vários países. Mas que celebração é essa? E onde esse evento tão peculiar teve origem? Será um tipo de culto às coisas do mal? Ou será somente a continuidade de um rito pagão antigo?
Apesar de ser um acontecimento tradicional em países como os Estados Unidos, o Reino Unido, dentre outro, em Portugal sempre se realizou mas não com esse nome. Temos também em cima de nós as tradições de muitos povos que passaram pela Península entre eles o povo Celta que na noite de 31 de Outubro acendiam grandes fogueiras na parte mais alta da sua povoação.

Esta noite tem a sua origem no milenar festival Celta de Shamhain. O Celtas, que viveram há 3000 anos e que tinham apenas 2 estações do ano: a Estação escura e a estação Clara. Ora a estação escura começa precisamente neste dia.
Este dia marcava o final do verão e das colheitas, que era seguido pelo período de Inverno extremamente frio e com dias sem sol, pequenos e longas noites. Um longo período de escuridão.

À meia-noite do dia 31 de Outubro, a celebração do Shamhain tinha início, quando se acreditava que os espíritos dos mortos voltavam para reviver na Terra. Esse espíritos causavam, além de outros danos, prejuízos nas plantações; o espantalho para afastar os espíritos das plantações tem características do Judas malhado na Semana Santa dos cristãos. Outros espíritos que vinham, ajudavam aos Druidas, sacerdotes Celtas, à premonição e leitura do futuro. Para o povo, era um grande conforto, acompanhar as profecias e orientações religiosas dos sacerdotes, pois isso os ajudava a proteger-se contra a escuridão e os perigos das trevas do Inverno.

Uma interminável lista de tipos de celebrações é atribuída ao Festival do Shamhain.

Pelo ano 43, A.C., os Romanos conquistaram a maioria dos territórios celtas. No curso de 400 anos, os Romanos impuseram regras e lei nas terras celtas; dois festivais de origem Romana foram combinados com a tradição celta da celebração do Shamhain. A primeira foi a Feralia, um dia no final de Outubro quando os Romanos tradicionalmente comemoravam a passagem da morte. O segundo festival era um dia em honra de Pomona, a Deusa das frutas e das árvores. O símbolo de pomona é a maçã e, possivelmente tenha sido absorvida pelo Festival de Shamhain o que explica a introdução da maçã, nos dias de hoje.

Por volta do ano 800 D.C., por influência do Cristianismo, isto foi ampliado para todos os mais distantes territórios celtas. No século XVII, o papa Bonifácio IV, designou o mês de Novembro, no dia 1º, como o Dia de Todos os Santos e mártires. Acredita-se que tal iniciativa teria sido a de neutralizar o sentido do Shamhain; tanto que este dia foi considerado um Dia Santo.

Esta celebração, em inglês, passou a ser chamada de All-hallows ou All-hallowmas que em inglês antigo, Alholwemesse, significava Dia de Todos os Santos; seguindo no tempo, em inglês, provavelmente, o All-hallows Eve, tenha composto a corruptela Halloween. Mais tarde, por volta de 1000 D.C., foi instituído o Dia de Finados, celebrado em alguns territórios da Gália, onde hoje estão Portugal, Espanha, Itália etc. Em alguns desses países, principalmente a Espanha e muitos países latinos de língua espanhola, celebram O Dia dos Mortos com muitas festas, espectáculos pirotécnicos, desfiles de fantasias. Na verdade o Shamhain foi desmembrado em três festas.

Após a conquista das Gálias, pelos Romanos, os vencedores cuidaram de trabalhar para apagar a cultura preexistente, como forma de desestruturar e impor a nova ordem, do dominador. Isso assegura ao vencedor, o afastamento do risco de reorganização do vencido.

A festa de Halloween, na verdade, equivale ao Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados, como foi absorvido pela Igreja Católica para apagar os vínculos pagãos, origem da festa. O dia da comemoração dos mortos para os Cristãos, era o Ano Novo, para os Celtas. Exactamente à meia-noite, hora fechada aos vivos e única hora de passagem para os seres (os mortos) que habitam noutro plano astral em busca de pedido de perdão aos vivos para, assim, alcançarem a paz.

Exactamente, como aconteceu aos druidas, proibidos das manifestações da sua cultura mas, que foi absorvida por transformações ao longo da História, na medida dos interesses de outras culturas e religiões. Mesmo hoje, nos nossos dias, distanciados dos factos Históricos ela permanece oculta por camadas de aculturações. Mas, ainda assim, resiste.

Durante três dias, os Celtas acendiam velas dentro de cabeça de abóbora para indicar o caminhos àqueles que eles acreditavam serem visitados por seus parentes e receber o perdão daqueles a quem eles haviam feito sofrer. Fica
esclarecido o significado da cabeça de abóbora iluminada por uma vela, além do significado de sabedoria (pela humildade para saber pedir perdão e como prova de vida além da vida).

Freguesia de Vilar de Peregrinos: Vilar de Peregrinos e Cidões

HISTORIAL DA FREGUESIA DE Vilar de Peregrinos- Cidões

Orago: S. Salvador

População: 340 Habitantes

Actividades económicas: Agricultura e pecuária, construção civil, exploração florestal e pequeno comércio.

Festas e Romarias:

Cidões: – Festa da Cabra e do Canhoto ( 31 de Outubro) e N.S. da Assunção (15 de Agosto);

Vilar e Peregrinos: S. Jorge (último domingo de Agosto) e S. Salvador (6 de Agosto).

Património cultural e edificado:

Vilar dos Peregrinos – Igreja paroquial, Capela de S. Jorge, fonte de mergulho, moinho de água, cruzeiro, nicho;

Cidões- Igreja de Cidões, Fonte de Mergulho, moinho de água, nicho, ruínas de convento no monte de São Namédio, mina de água.

Outros locais de interesse turístico: Margens do rio Tuela (truta, barbo, escalo, boga, enguia, lontra, cágado) e zona de caça (Javali, Coelho, lebre e perdiz).

Gastronomia: Presunto bísaro, fumeiro (enchidos), leitão cabrito e cordeiro assados no forno, Cabra no pote, arroz doce, pão-de-ló e pudim de ovos.

Artesanato: Cestaria em verga e piorno, rendas, bordados e trabalhos em lã.

Colectividades: Comissão Fabriqueira da Igreja.

A freguesia de Vilar de Peregrinos dista 6 quilómetros da sede do Concelho e está situada na margem esquerda do rio Tuela. Ocupando uma área de12,54 quilómetros quadrados, agrega a aldeia de Cidões. No seu termo há uma mina de manganês, hoje desactivada, denominada sobral.

Quanto ao topónimo principal desta freguesia, o elemento Vilar indica um “Vilar” (fracção de uma “vila” agrária que pode ser a de Cidões, que deve ter uma existência anterior á designação actual) que será em origem um “Vilar”, dos chamados “velhos”, mas repovoado nos princípios da Nacionalidade, o que significa o mesmo que se fosse novo um tal “Vilar”, por se tratar de um núcleo de povoadores sobre si. O determinativo Peregrinos é muito posterior, indicando claramente que a povoação era local de passagem das peregrinações a Santiago de Compostela.

No “Portugal Antigo e Moderno”, o abade de Miragaia registou uma importante informação histórica sobre o assunto e sobre a freguesia: “ A igreja de Cidões, que foi freguesia, é uma humilde capela de uma só nave e com um só altar, dedicado à assunção da Virgem. Nela se vê uma formosa pia baptismal antiquíssima, de belo mármore. Foi de um convento que em tempos muito remotos existiu no monte do Franco, termo desta paróquia de Cidões, e do qual apenas restam hoje algumas paredes desmanteladas no sítio de S. Mamede, titular do pobre Convento, segundo se supõe, pois não há memória de tal convento, nem se sabe a que ordem pertencia. Os mais idosos referem que na sua mocidade ouviram dizer a diferentes anciãos que o dito Convento foi de Templários, que daqui
passaram para Valhadolid. Também consta que o dito Convento foi matriz deste povo e dos circunvizinhos, como prova a pia baptismal que se guarda nesta igreja de Cidões. Também nela há um cálice de prata e uma cruz paroquial que pela sua singeleza revelam muita antiguidade e consta terem pertencido ao mesmo convento, do qual muito provavelmente esta freguesia tomou o nome de Vilar de Peregrinos, pois os Templários costumavam ter nos seus conventos hospitais ou albergarias para os pobres e os peregrinos”.

Templo digno de nota nesta freguesia, para além da igreja matriz e da Igreja de Cidões, é a vetusta capela dedicada remotamente a S. Jorge. A sua antiguidade deve remontar à época da introdução daquele culto entre nós (século XIII). A festa em honra do mártir continua a realizar-se anualmente, sendo mesmo de grandes tradições. Em 1885, o Abade de Miragaia dizia que a festa era em 4 de Abril, “havendo por essa ocasião também feira de gado, principalmente lanígero”.

Freguesia de Vilar de Peregrinos.

Vilar de Peregrinos é uma freguesia toponimicamente muito curiosa. A actual teve origem numa outra, mais antiga, dita S. Cipriano (diminutivo de S. Cibrão, hagiotopónimo que por sua vez é corrupção de S. Cipriano). De facto, na área desta freguesia, há um lugar designado com aquele nome, onde existia uma capela hoje dita de S. Jorge. Não nos custa crer que esta capela tenha sido a paroquial primitiva, embora se trate de uma capela de S. Jorge, uma das devoções substitutas de Santiago, implantada em Portugal no tempo de Guerra da Independência. Recordamos que, aqui muito perto, em Vilarinho de Agrochão, há uma situação igual.

Chama-se hoje a freguesia Vilar de Peregrinos. Vilar, porque fragmentação de uma “villa” matriz, certamente a de S. Cibrainho; “de Peregrinos”, pois “por esta região bragançana, …, passava uma das vias mais favoráveis às
peregrinações constantes e ongínquas a Santiago de Compostela” (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira). O nome primitivo da paróquia, “Villa Sancti Cipriani”, terá sido substituído pelo actual no séc. XIII.

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