Camilo Castelo Branco – Heróis Populares Portugueses 24


Camilo Castelo Branco – Heróis Populares Portugueses 24

Nascido em Lisboa a 16de Março de 1825, Camilo Castelo Branco era filho natural de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, oriundo de uma família da pequena burguesia trasmontana. Contudo, perde a mãe aos dois anos e o pai aos dez e, por decisão familiar, segue para Vila Real para casa de uma tia paterna, Rita Emília.

Quando em 1839 a sua irmã Carolina, que o acompanhara para casa da tia, contrai matrimónio com futuro médico Francisco José de Azevedo, Camilo vai viver com o casal para Vilarinho da Samardã. É aqui que, através do irmão do cunhado, o Padre António de Azevedo, recebe a sua primeira formação em doutrina cristã, latim, francês e língua portuguesa.

A 18 de Agosto de 1841, com 16 anos, Camilo casa com Joaquina Pereira da França, uma camponesa originária do lugar de Friúme, no concelho de Ribeira de Pena, onde exercia as funções de amanuense. No entanto, o enlace duraria pouco. O casal chegou a ter uma filha, que viria a morrer em 1848. A esposa de Camilo morreria alguns meses antes da filha.

A seguinte dona do coração de Camilo foi Patrícia Emília, que dele teve também uma filha, Bernardina Amélia (25 de Junho de1848), seguida de Isabel Cândida Mourão, religiosa do Convento da Avé Maria, e, por fim, de Ana Plácido, que seria o amor da sua vida.

No que concerne à sua formação académica, Camilo frequentou a Escola Médico-Cirúrgica  do Porto entre 1842 e 1845. No ano seguinte ruma a Coimbra, segundo se crê para estudar Direito, embora nunca tenha iniciado o curso.

Volta então a Vila Real e em 1848 fixa-se no Porto, pretendendo trabalhar como jornalista. Em 1850, matricula-se no Seminário daquela diocese, com a intenção de se ordenar, mas a vocação esfumou-se pouco tempo depois.  

É então que conhece Ana Augusta Plácido, casada com um comerciante regressado do Brasil, Manuel Pinheiro Alves. Ana abandona o marido e foge com Camilo para Lisboa.

Do escândalo resulta a reclusão de Ana Plácido no Convento da Conceição de Braga (Julho de 1859), mas que dura pouco mais de um mês, já que a jovem foge, retomando a convivência com Camilo. Instaurado o processo por adultério, é presa na Cadeia da Relação do Porto, estabelecimento onde Camilo se entregará em Outubro de 1859, depois de vaguear pelo Minho e Trás-os-Montes.

Os dois são absolvidos, indo viver para Lisboa, onde, em 1863, nasce o filho Jorge. No ano seguinte, com a morte de Pinheiro Alves, a família instala-se em São Miguel de Ceide. Sem outros recursos, Camilo faz da pena o ganha-pão, o que se prolongará pelos seus últimos 25 anos de vida. Os filhos revelam uma pretensão para a tragédia na vida, tal como a escrita do pai: Manuel, após uma falhada aventura comercial em Angola, entrega-se aos excessos da boémia e morre em 1877; Nuno segue-lhe o exemplo, numa sucessão ininterrupta de aventuras, jogo e degradação e um casamento de escândalo; e Jorge, que começara desde cedo a revelar sinais de perturbação mental, mergulhou pouco a pouco num estado de demência irrecuperável.

Em 1858, por proposta de Alexandre Herculano, é eleito para a Academia das Ciências e em 1885 é agraciado por D. Luís com o título de visconde de Correia Botelho.

Em 1888, apesar do fogo romântico inicial se ter extinto, casa com Ana Plácido.

Atormentado pela doença e pela tristeza e sob a ameaça de cegueira, Camilo acaba por se suicidar no primeiro dia de Junho de 1890.

 Entre a sua vasta obra literária contam-se os seguintes títulos:

Anátema (1851)

Mistérios de Lisboa (1854)

A Filha do Arcediago (1854)

Livro negro de Padre Dinis (1855)

A Neta do Arcediago (1856)

Onde Está a Felicidade? (1856)

Um Homem de Brios (1856)

O Sarcófago de Inês (1856)

Lágrimas Abençoadas (1857)

Cenas da Foz (1857)

Carlota Ângela (1858)

Vingança (1858)

O Que Fazem Mulheres (1858)

O Morgado de Fafe em Lisboa (Teatro, 1861)

Doze Casamentos Felizes (1861)

O Romance de um Homem Rico (1861)

As Três Irmãs (1862)

Amor de Perdição (1862)

Memórias do Carcere (1862)

Coisas Espantosas (1862)

Coração, Cabeça e Estômago (1862)

Estrelas Funestas (1862)

Cenas Contemporâneas (1862)

Anos de Prosa (1863)

A Gratidão (incluído no volume Anos de Prosa)

O Arrependimento (incluído no volume Anos de Prosa)

Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado (1863)

O Bem e o Mal (1863)

Estrelas Propícias (1863)

Memórias de Guilherme do Amaral (1863)

Agulha em Palheiro (1863)

Amor de Salvação (1864)

A Filha do Doutor Negro (1864)

Vinte Horas de Liteira (1864)

O Esqueleto (1865)

A Sereia (1865)

A Enjeitada (1866)

O Judeu (1866)

O Olho de Vidro (1866)

A Queda dum Anjo (1866)

O Santo da Montanha (1866)

A Bruxa do Monte Córdova (1867)

A doida do Candal (1867)

Os Mistérios de Fafe (1868)

O Retrato de Ricardina (1868)

Os Brilhantes do Brasileiro (1869)

A Mulher Fatal (1870)

Livro de Consolação (1872)

A Infanta Capelista (1872) (conhecem-se apenas 3 exemplares deste romance porque D. Pedro II, imperador do Brasil, pediu a Camilo para não o publicar, uma vez que versava sobre um familiar da Família Real Portuguesa e da Família Imperial Brasileira)

O Carrasco de Victor Hugo José Alves (1872)

O Regicida (1874)

A Filha do Regicida (1875)

A Caveira da Mártir (1876)

Novelas do Minho (1875-1877)

Eusébio Macário (1879)

A Corja (1880)

A senhora Rattazzi (1880)

A Brasileira de Prazins (1882)

O Assassino de Macario

D. Antonio Alves Martins: bispo de Vizeu

Folhas Caídas

O General Carlos Ribeiro

Luiz de Camões

Sá de Miranda

Salve, Rei!

Suicida

O vinho do Porto

Voltareis ó Cristo?

Theatro comico: A Morgadinha de Val d’Amores; Entre a flauta e a Viola

A espada de Alexandre

O Condemnado: drama / Como os anjos se vingam: drama

Nas Trevas : Sonetos sentimentaes e humoristicos

O clero e o sr. Alexandre Herculano (1850)

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