Pena de morte – Dia Mundial Contra a Pena de Morte.


Pena de morte

Hoje comemora-se o Dia Mundial Contra a Pena de Morte.

Um assunto que é e sempre será fracturante em qualquer sociedade.

Sou contra, mas não por seja politicamente correcto sê-lo.

Sou contra porque não acredito que a morte seja um castigo para quem cometeu um crime violento. Nesses casos, a morte parece-me mais uma libertação que uma penalização. Até porque é fácil de perceber que, numa democracia, a pena de morte não desincentiva a prática do crime violento. Basta olhar para os Estados Unidos e comparar o número de homicídios e violações das terras do Uncle Sam com o de países que aboliram a pena máxima. Falo, naturalmente, apenas das democracias.

A esses casos, para mim, deveriam ser aplicadas penas efectivas de prisão perpétua, contemplando trabalho em prol do bem comum ou mesmo trabalhos forçados. Advogo para o crime violento uma solução que resultasse de um cruzamento entre as cadeias que temos actualmente – com as devidas condições para uma sobrevivência digna – e os mal-afamados campos de trabalhos forçados. Ou de concentração, palavra da qual todos fogem, mas que, na realidade, não passa do mesmo.

Quando o cidadão exige justiça no caso de ser vítima, ou familiar de vítima, de um crime violento, o que exige de facto é uma vingança a coberto da lei. Reparar a perda de uma vida não é humanamente possível, mas, digam o que disserem, a vingança tem um sabor doce que não causa diabetes ser for letra de lei.

Um exemplo concreto.

Nunca o tinha feito, por um conjunto muito diversificado de razões que não vale a pena explanar aqui, mas aplaudi – no sentido literal – quando os Estados Unidos anunciaram que tinham morto bin Laden. E aplaudi com gosto. Contudo, depois de uns breves momentos de exultação, questionei-me: mas ele sofreu? Mas ele sentiu o mesmo pânico que sentiram as suas vítimas? Mas ele teve tempo de perceber que ia morrer no meio de entulho incandescente? Mas ele teve tempo de falar com quem lhe era mais querido sabendo que era a última vez que o fazia? Mas ele teve oportunidade de interiorizar que estava prestes a morrer às mãos daqueles que considerava os maiores inimigos?

Não.

Ou seja, não me senti justiçada e muito menos vingada.

Claro que sei que a única possibilidade, neste caso, era matá-lo, não haveria outra saída possível por razões políticas, logísticas, sociais e culturais. Mas parando para pensar, perante o doloroso fim das inúmeras vítimas do líder da Al-Quaeda e a prolongada agonia das respectivas famílias, a rápida morte dele sabe-me a pouco. Muito pouco.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s