Guerra santa


Guerra santa

As questões religiosas têm estado na ordem do meu dia-a-dia ultimamente. Pessoalmente, mas também de uma forma mais distanciada, graças a um idiota de um cristão (só podia ser…) egípcio que resolveu colocar no Youtube uma “pseudo-curta” de sua autoria gozando com o profeta Maomé.

Já sei, já estão todos encrespados com o que disse acima. Para os mais distraídos, não me estou a referir à pseudo-curta, mas sim aos cristãos. Claro, eu, como todos vocês, cristão e demais, também tenho um pequeno ser racista que habita dentro de mim. Descobri a sua existência há alguns anos atrás, mas achei por bem não o abortar. Encontra-se estrategicamente guardado numa caixinha.

Mas isso não quer dizer que eu resolva fazer um “um filme” a gozar com Jesus Cristo. Coitado do homem, já é tão maltratado… Trabalhos me dessem.

No fundo, no fundo, percebo a indignação islâmica e até as manifestações violentas – honrosa excepção seja feita aos que caíram vítimas das mesmas – e até a oferta de uma recompensa monetária pela cabeça do idiota. Percebo. Eu também não reagiria muito bem se um palerma decidisse insultar uma figura basilar da minha fé. Não por lhe chamar isto ou aquilo, mas pela falta de inteligência que manifesta na forma como o faz. E pela ausência de talento artístico também.

Liberdade de expressão? Não. É isso que o distingue de muitos dos cartoons sobre o islamismo que igual polémica têm provocado. Não todos, mas a maioria retrata uma realidade política e não religiosa, de forma perspicaz e contundente. Já o pseudo-filme, esse é pura libertagem.

E agora, vamos a um caso mais concreto.

O cristão, a ateia, o judeu, a muçulmana e o cientologista

O Sr. A, cristão, tem uma filha ateia que decide casar com um judeu. O Sr. A manifesta à filha o seu desagrado pelo casamento misto e, sobretudo, pela possibilidade de ter netos que nascerão no meio de um caldeirão fumegante de fés. A conversa inconveniente entre pai e filha fica entre pai e filha. Tal como a inconveniente conversa que o genro judeu tivera com a sua mãe, versando a mesma matéria.

Mais tarde, o Sr. A casa com a Sra. B, muçulmana. A filha ateia, o genro judeu e os netos, três jovens que optaram pelo budismo, não se manifestam.

Mas o Sr. C, o melhor amigo do Sr. A, fervoroso cientologista, descai-se e revela à Sra. B a conversa pretérita entre pai e filha. A Sra. B, ainda em idade fértil e ansiosa por começar uma família com o Sr. A, não gosta e chora as suas mágoas no ombro do genro judeu. Este, como seria de esperar, fica tal-qualmente insatisfeito com a atitude do Sr. A e vai lavar a sua alma junto do Sr. B que, mais uma vez se revela incapaz de guardar um segredo e desabafa com o seu melhor amigo, o Sr. A.

Resultado? Não sei, ainda estou à espera do final do combate. Ou de propostas sobre a melhor forma de promover umas tréguas.

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