Coalas em Portugal? Não, obrigada.


Coalas em Portugal? Não, obrigada.

Coalas

 

Numa altura em que os dados de organizações internacionais confirmam aquilo que todos suspeitavam ser uma verdade, que Portugal é o país europeu com maior número de fogos florestais (e não se tratam de comparações relativas, ou seja, dimensão do território versus número de sinistros), o Governo planeia permitir uma quase liberalização da plantação de eucaliptos.

Percebe-se o interesse económico da medida mas percebe-se também que beneficia apenas uma única indústria, enquanto prejudica a agricultura – da qual o Executivo faz bandeira, de papel, naturalmente -, as potencialidades dos projectos de ecoturismo, as restantes indústrias que vivem dos mais diversificados tipos de madeira, as populações que vivem junto à floresta e, last but definitely not least, o meio ambiente.

Talvez o Governo esteja a ponderar a possibilidade de introduzir do ecossistema português o tão luso coala, conhecido apreciador das aromáticas folhas de eucalipto. Concordo que se trata de um animal simpático – talvez um pouco menos simpático quando percebem de que se alimentam os bebés coalas… -, mas que deve permanecer na Austrália e nos zoos.

Esclareça-se que não vejo o eucalipto como uma espécie maldita. Contudo, as suas necessidades de água são pouco concordantes com o clima, fauna e flora portugueses, facto que deverá estar relacionado com a sua origem austral, suspeito.

Já quanto a medidas que permitiriam reduzir o número de incêndios florestais, como a introdução de pequenos pomares – a combustão das árvores de fruto é bastante mais lenta que a de espécimes florestais -, a criação de clareiras e caminhos, a limpeza das matas e a instituição da efectiva penalização para quem não o faz, o regresso da agricultura – que não só esculpe e cria barreiras à progressão do fogo, como também devolve a presença humana a zonas agora deixadas ao abandono, logo, aumenta a vigilância – ou a reflorestação com árvores de dificultam o avanço do fogo – com a ramagem mais alta e que não favoreçam tanto o aparecimento de vegetação parasita no solo… Quanto a essas medidas, nada. Continuamos à espera que arda Portugal inteiro e gastar recursos humanos e financeiros a combater os incêndios, a ajudar quem perdeu tudo pelo caminho das chamas e a investigar quem foi o pirómano que lançou o fósforo.

Teremos, mais uma vez, que esperar que por tragédias anunciadas que vão por além da extinção do sinistro e mostram a sua pior face meses mais tarde. Claro, a desertificação – climática – do território e o impacto manifestamente agravado das condições meteorológicas nas regiões mais afectadas. Se não, veremos o que poderá fazer a Natureza quando voltar a chover nas zonas ardidas este ano, nomeadamente, na Madeira.

Afinal, é expectável e desejável que a chuva regresse ao arquipélago, depois de mais de nove meses de seca. Porém, o que será possível fazer para que a água, agora sem barreiras naturais, destruídas pelos recentes fogos, e resvalando num solo cuja camada superficial é constituída por detritos e cinza? Será possível travar a sua força perante uma território que geomorficamente favorece a sua fácil progressão, mas ao qual a Natureza se encarregou de criar pequenos diques naturais, como a vegetação e o tipo de solo?

Gosto pouco de ser ave agoirenta, mas parece-me ser uma colcha de Penélope.

Ou talvez a resposta seja a plantação intensiva de eucaliptos, quem sabe… É conhecida a facilidade com que os bombeiros australianos combatem os seus incêndios florestais ao longo das vastas manchas de eucaliptos. E é também por isso que por lá diversas organizações, governamentais e não governamentais, que cuidam dos simpáticos coalas queimados pelos incêndios.

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