Beltane, as Maias


Beltane, as Maias

Beltane, Beltain ou Bealtaine é um festival de origem celta, dedicado inicialmente ao Verão e comemorado a 1 de Maio, no hemisfério Norte, e a 1 de Novembro no Sul. Actualmente, assume-se como a Festa da Primavera. O principal objecto da celebração é a fertilidade da Terra, simbolizando a união entre as energias masculina e feminina.

Na Antiguidade, eram acesas fogueiras nos topos dos montes e nos lugares considerados sagrados, nas quais as pessoas queimavam oferendas para que o poder do fogo fosse passado aos rebanhos. Os celebrantes saltavam as fogueiras para que se enchessem das mesmas energias.

Para celebrar o o desabrochar da Primavera, com o abrir das flores, as sementes e a vida da prole eram efectuadas danças e um banquete, enquanto as localidades eram enfeitadas com coroas de flores. Muitos grupos que seguem a espiritualidade céltica ainda celebram este Festival, assim como o outro.

Em Portugal

Em Portugal, esta tradição chegou até aos nossos, sendo ainda comemorada em diferentes localidades do País e assumindo a denominação de as Maias e os Maios.

As portas e as janelas são engalanadas com giestas e em Trás-os-Montes, tal como noutras zonas interiores e ao contrário do que sucede na faixa Atlântica, existe uma prática alimentar associada à festa, na qual as castanhas são rainha da celebração. São diversas as pessoas que as guardam para esta ocasião. Até porque, diz o povo, quem não o fez, ao cruzar-se com um burro, corre o risco de ser mordido pelo bicho, tal como vaticina o adágio: quem não come castanhas no 1º de Maio, monta-o o burro. No imaginário popular, Maio é o mês dos burros.

Já o hábito de comer as castanhas secas em Maio, estará relacionado com o facto de, no primeiro dia do mês, o chefe de família ir à fonte e esconjurar ou afastar com favas pretas os espíritos (o Maio) da sua família. Este facto deu também origem à expressão “Vai à feira e traz-me as maias (as castanhas piladas)”.

As giestas são colocadas no dia anterior para que as casas estejam floridas no momento em que começa o dia, para impedir o Maio, o Carrapato ou o Burro de entrarem. Em Trás-os-Montes, além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam um menino que dizem repre­sentar o Maio-Moço e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele.

Já na região Centro, para além das giestas à porta, os rapazes vestem-se de giestas e correm as ruas a pedir o Maio. Os donativos que recebem – dinheiro e castanhas – servirão para preparar o banquete cerimonial mais significativo desta quadra festiva. A Sul, costuma-se fazer uma boneca de palha, à qual chamam a Maia. Esta é ornada de flores e à noite as moças cantam e dançam em seu redor:

O meu Maio-moço
Ele lá vem,
Vestido de verde
Que parece bem.
O meu Maio-moço
Chama-se João,
Faz-me guarda à casa
Como um capitão.

Por vezes a Maia é mesmo uma rapariguinha vestida de branco e coroas de flores na cabeça que, rodeada por um bando de jovens, vai de porta em porta pedir:

Esmolinha à Maia,
para um pandeiro;
que não tem dinheiro!

Geralmente a população colabora no peditório. Mas para aqueles que nada dão o grupo lança a seguinte tirada:

Este Maio é de lírios
E o vosso é de assobios!

No Sul do País há também o costume de a primeira refeição do dia ser composta pelo  chamado Queijinho de Maio, um bolo feito à base de figos secos, amêndoas, açúcar, erva-doce e canela, acompanhado pela aguardente de medronho. Em todas as casas se faz, pelo menos, um bolo para ser, obrigatoriamente, comido neste dia. No primeiro dia de Maio o povo pede à Virgem protecção para as sementeiras e enramalha com giestas e outras plantas, de bem-fazer, os currais do gado impedindo, assim, que o quebranto ou mau-olhado entrem.

De acordo com alguns investigadores, a origem da tradição das Maias perde-se no tempo e pode ter várias explicações. Segundo alguns, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno da qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio. Por vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares.

Esta festa, de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara “que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus…”. Ainda segundo outros, o nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.

Com o advento do cristianismo, estes rituais pagãos foram associados a festas católicas, como a da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus.

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