Cristo nas redes sociais? Certamente que sim.


Cristo nas redes sociais? Certamente que sim.

De passagem, li hoje num diário português uma entrevista a alguém sobre as redes sociais.

O trabalho tinha um título atraente que dizia qualquer coisa como isto: “Jesus estaria nas redes sociais”.

Concordo.

Acho que Cristo  (prefiro recorrer ao segundo nome da figura mais marcante do catolicismo, pois o primeiro soa-me sempre às vozes das crianças na catequese) teria um alegre perfil no Facebook, cheio de imagens convidativas ao sonho e de frases alusivas à enorme importância das pequenas coisas da vida. De vez quando, enviaria um convite para um evento online dedicado à introspeção. Por alturas do Natal, o perfil de Cristo estaria repleto de imagens de presépios de todo o mundo.

Se seria amiga facebookiana dele? Se ele me convidasse, talvez.

Mas de certeza que Cristo também não passaria ao lado do Twitter, até porque, se ele vivesse fisicamente nestes tempos que correm, estaria nos Estados Unidos, bandas por onde cidadão que se preze passa o tempo a twittar. Teria orações para todas as horas em apenas 140 caracteres que milhares de seguidores – voluntários e não daqueles que são conseguidos com uma aplicação própria para o efeito – seguiriam, passem o pleonasmo, religiosamente. Claro, só podia ser religiosamente.

Seria sua seguidora na rede do passarinho? Só se ele me seguisse a mim.

E um canal no Youtube, dedicado às canções do frei Hermano da Câmara e dos padres Luís Borga (tenho que admitir que o verso “põe a mão na mão do teu Senhor da Galileia” é uma extraordinária tirada de marketing musical) e Marcelo, intercalados por videoclips – telediscos, para os mais terra-a-terra – com bonitas imagens de paraísos na Terra e músicas que não passam de pobres tentativas de melopeias.

Talvez eu espreitasse de vez em quando para conhecer as novidades musicais mais abençoadas da Terra. E dos céus, naturalmente.

O que não faltaria a Cristo, com toda a certeza, era um blogue. Interventivo e implacável contra os vendilhões do Templo. E onde muitos dos posts seriam desabafos do género “vão pentear macacos e deixem de fazer coisas em Meu nome!”.

Seria sua seguidora, certamente.

 

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