O Primeiro-Ministro, o ministro, o Pastel de Nata e os três mil empregos por mês, entre outras coisas


O Primeiro-Ministro, o ministro, o Pastel de Nata e os três mil empregos por mês, entre outras coisas

Hoje resolvi dar ao Ministro da Economia e ao Primeiro-Ministro (perdão, o vice do Miguel Relvas) o privilégio de aparecerem no meu blogue. Não merecem ser agraciados com tal louvor, é certo, mas de quando em vez é preciso dar alguma atenção aos mais desprovidos de intelectualidade e bom senso. Afinal, até a Bíblia diz que são “bem-aventurados os pobres de espírito”.

É verdade que isto é um pouco como falar de uma empresa ou de um produto que não cumprem os requisitos de qualidade para servirem os consumidores. Queixamo-nos com toda a razão mas para o fazermos, vemo-nos obrigados a fazer-lhe publicidade. Acontece.

Bom, feitas as notas prévias, aqui vai.

Para quem ainda não tinha percebido – e incluo-me nesse grupo -, ontem Portugal descobriu que o Obama transmontano mais famoso de Massamá (pergunto-me que mal fizeram os habitantes de Massamá para terem que viver na mesma localidade que ele) tem sentido de humor.

Num evento onde se promovem os produtos nacionais, Passos Coelho lançou uma tirada graciosa ao amor que Álvaro Santos Pereira tem pelos pastéis de nata, sugerindo aos jornalistas que o ministro da Economia era a pessoa indicada para falar daquela afamada e apreciada especialidade da gastronomia nacional.

Contudo, e ao contrário do Passos Coelho, o titular da pasta da Economia, cujo físico evidencia claramente a sua preferência obsessiva por pastéis de nata (e por outras guloseimas, adivinha-se sem se precisar de bola de cristal ou da Maia), não tem qualquer sentido de humor. Nem de marketing, político ou de produto.

À graçola do Primeiro-Ministro respondeu Santos Pereira que era ainda demasiado cedo para deglutir tal bomba energética, como classificou o pastel de nata. Ou seja, não só não teve presença de espírito para responder à letra ao seu superior hierárquico, que não teria resistido caso estivessem a discutir cachupas, como foi incapaz de brindar a assistência com o prazer de o ver promover a doçaria portuguesa como um membro do Governo deveria fazer: engolindo de enfiada meia dúzia de pastéis de nata.

Alguém me sugeriu que incluísse no blogue um comentário ao recente anúncio do Governo sobre a possibilidade de criar três mil empregos por mês com a “ajuda” (?) das agências de trabalho temporário.

Achei bem e por isso aqui está o meu comentário. Breve, prometo, mas esclarecedor.

Idiotice. Mentira. Tacharia. Gozação (português do Brasil). Liricismo.

Podia continuar, mas não me apetece. O que me apetece mesmo dizer ao Governo é que vá a um determinado sítio que quase todos os portugueses conhecem bem mas que a boa educação (o cinismo) me impede de nomear aqui. Mas, subitamente, percebi que as carreiras da Carris para lá já devem ter sido suprimidas e que os barcos da Transtejo também não são alternativa.

Só mais uma coisinha.

Ao que se aventa por aí, a visita do Presidente da República à Escola António Arroio foi cancelada por existir o risco do Chefe de Estado ser atingido por ovos.

Não percebo. Os alunos – e certamente, muitos professores – estavam apenas a querer contribuir para a despensa do Cavaco, procurando diminuir as suas dificuldades financeiras.

De qualquer forma, acho um desperdício estragar comida. Seja com quem for e qual for a razão. É um crime. Se for com um político, é também pecado. Capital.

NOTAS FINAIS

Adoro os dias de nevoeiro. Adoro, adoro, adoro, apesar de perturbarem a minha saúde ao ponto de me limitarem a qualidade de vida.

Mas não consigo resistir ao ar cinemático que paira no ar quando o nevoeiro cobre uma cidade. Como se, de repente, vindos não sei de onde, aparecessem todos os seres que passamos a vida a desejar que apareçam.

Chega de Primaveras extemporâneas. Não gosto deles nem na altura certa.

Muito menos fora de época. As abelhas estão desorientadas, as flores vão morrer mais cedo e os morangos vão entrar em breve numa fase de cuidados paliativos. O que é que isto tem de bom ou de bonito?

P.S. – A troika acabou de aprovar uma nova tranche do empréstimo a Portugal. Que bom, mais uma vez aumentamos a nossa dívida.

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2 thoughts on “O Primeiro-Ministro, o ministro, o Pastel de Nata e os três mil empregos por mês, entre outras coisas

  1. De acordo com um jornal da nossa praça, são, ao certo, mais de três mil empregos. Fiquei igualmente animada pela possibilidade de vir finalmente a ser acompanhada por um gestor de carreira. Devo dizer, no entanto, que ficaria mais satisfeita se me fizessem chegar alguém do mundo do espectáculo. Além do que me parece que mais de três mil empregos por mês só em sistema de alterne mensal. O que vai criar, digamos, alguma confusão na cabeça das pessoas.

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