Vamos fazer um exercício de imaginação – à procura de emprego


Vamos fazer um exercício que, parecendo ser de imaginação, não o é.

Vocês respondem a um anúncio de emprego que, aparentemente, é apenas mais uma oportunidade de trabalho: pedem-se colaboradores (ou técnicos) para o departamento de marketing, com conhecimentos de trabalho administrativo.

Nuns casos, trata-se de uma empresa em franca expansão a nível nacional, noutros de uma representante de uma multinacional. Em qualquer uma das situações, não é referido o nome do empregador.

Quanto vencimento, refere-se que é acima da média ou que ronda os 800 euros.

Vocês respondem e, provavelmente, ainda no mesmo dia, o empregador contacta-vos para marcar uma entrevista.

No dia e à hora marcada, vocês comparecem, num escritório como qualquer outro ou numa loja integrada num complexo residencial, onde já estão mais seis ou sete pessoas com entrevista agendada para a mesma hora que a vossa. A recepcionista/secretária (em regra, a única colaboradora da empresa que se consegue ver a olho nu) entrega-vos uma ficha para preencherem os dados pessoais e profissionais, bem como uma descrição da vossa personalidade em duas palavras.

Vocês entregam a ficha devidamente preenchida e esperam, pois a entrevista não será à hora marcada, mas sim por ordem de chegada.

Por fim, com pelo menos meia hora de atraso em relação ao combinado, um dos responsáveis da empresa chama-vos para a entrevista e, seja qual for a empresa, faz-vos as mesmas perguntas: começa por perguntar onde moram, dizem conhecer vagamente a zona, procuram saber o que mais vos atraiu no anúncio, explicam vagamente a área de actuação da empresa (algumas abrangem desde as telecomunicações até às energias renováveis e outras ficam-se apenas por um sector de actividade) e dizem-vos que se forem seleccionados serão contactados ainda no próprio dia para irem passar um dia no local de trabalho.

Por saber ficam questões de menor importância: se existe contrato, que tipo de contrato, que funções efectivamente vão exercer e em que condições e qual a remuneração.

Podem ter a certeza que, mesmo que vocês sejam o pior entrevistado da história do mercado de trabalho, vão ser contactados para passar um dia na empresa (em horário completo) para verem como ela funciona. O contacto telefónico começa, em regra, com algo que se assemelha vagamente a um anúncio de um concurso para ganhar um automóvel: parabéns, você foi seleccionado para vir passar um dia connosco.

E quando vocês dizem que não estão interessados, a decepção da recepcionista/secretária é notória mesmo ao telefone, como se ela vos estivesse a dizer que Deus em pessoa vos tinha convidado para resolver os problemas do mundo com um piscar de olhos e vocês recusassem a oportunidade.

Agora imaginem: estas empresas recebem dezenas de CV’s em resposta a estes anúncios. Se dessas dezenas, 15 pessoas aceitarem “passar o dia” a conhecer o funcionamento da empresa, são 15 de trabalho (a realizar vendas telefónicas, pois é disso que se trata) que o suposto empregador obtém sem gastos. Não conheço ninguém que tenha aceitado “passar o dia” numa empresa destas, mas certamente existirão. Mas o que eu mais gostaria de saber é se alguém foi mesmo contratado e em que condições.

Até porque, um dia ou dois depois de vocês irem à entrevista, o mesmo anúncio volta a aparecer noutra página online de emprego ou noutro jornal diário…

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