Catarina Eufémia (Heróis populares portugueses 4)


Catarina Eufémia

(Heróis populares portugueses 4)

Catarina Eufémia


 

Catarina Efigénia Sabino Eufémia, filha de José Diogo Baleizão e de Maria Eufémia, nasceu na localidade de Baleizão, no distrito de Beja, a 13 de Fevereiro de 1928.

Como tantos outros da sua região, era uma ceifeira de condição humilde. Em 1946 casou com o cantoneiro António Joaquim do Carmo, o Carmona e, com vinte e seis anos de idade, Catarina, que nunca aprendeu a ler, tinha já três filhos, um dos quais de oito meses.

A 19 de Maio de 1954, no pico da ceifa do trigo, Catarina e treze outras ceifeiras decidiram reclamar um aumento de dois escudos no pagamento da jorna, dirigindo-se ao feitor da propriedade para apresentar a sua reivindicação. Descontente com a atitude das mulheres, o feitor partiu para Beja para comunicar o facto ao proprietário, Francisco Nunes (tido como um homem generoso e um patrão acessível) e chamar a guarda.

Já na propriedade, o tenente Carrajola terá questionado Catarina sobre as intenções das ceifeiras, ao que ela terá respondido que apenas queriam trabalhar, ao que o guarda retorquiu esbofeteando-a. Catarina, que segurava ao colo o seu filho mais novo, terá reagido dizendo “Já agora mate-me.” O tenente Carrajola disparou três balas contra ela, que viria a morrer pouco depois nos braços do seu patrão. A criança ficou ferida na queda.

Segundo o relatório da autópsia, a jovem ceifeira foi atingida por “três balas, à queima-roupa, pelas costas”, sendo que o cano da arma estava “encostado ao corpo da vítima”.

Receando a indignação popular, as autoridades decidiram fazer o funeral uma hora antes do que fora anunciado. Contudo, o estratagema não resultou e quando o caixão saiu a população acorreu ao local com gritos de protesto. A guarda reagiu, reprimindo as pessoas com violência.

O caixão seria então levado sob escolta da polícia para o cemitério de Quintos, de onde era natural o marido de Catarina) a dez quilómetros de Baleizão. Em 1974, os restos mortais da ceifeira foram transladados para Baleizão.

O tenente Carrajola foi transferido para Aljustrel mas nunca veio a ser julgado em tribunal, morrendo em 1964.

A 21 de Maio de 1954, o “Diário do Alentejo” relatava os acontecimentos:

“Anteontem, numa questão entre trabalhadores rurais, ocorrida numa propriedade agrícola próximo de Baleizão, e para a qual foi pedida a intervenção da G.N.R. de Beja, foi atingida a tiro Catarina Efigénia Sabino, de 28 anos, casada com António do Carmo, cantoneiro em Quintos. Conduzida ao hospital de Beja, chegou ali já cadáver. A morte foi provocada pela pistola-metralhadora do sr. Tenente Carrajola, que comandava a força da G.N.R. No momento em que foi atingida, a infeliz mulher tinha ao colo um filhinho, que ficou ferido, em resultado da queda. A Catarina Efigénia tinha mais dois filhos de tenra idade e estava em vésperas de ser novamente mãe. O funeral realizou-se ontem, saindo do hospital de Beja para o cemitério de Quintos. Centenas de pessoas vieram de Baleizão para acompanharem o préstito, verificando-se impressionantes cenas de dor e de desespero. Segundo nos consta, o oficial causador da tragédia foi mandado apresentar em Évora.”

 

 

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