Zé do Telhado (Heróis Populares Portugueses 1)


Zé do Telhado

(Heróis Populares Portugueses 1)

 

Zé do Telhado (Foto de Setúbal na Rede)

Celebrizado pela sua audácia enquanto salteador (alguns chamavam-lhe o Robin dos Bosques português por roubar aos ricos para dar aos pobres), Zé do Telhado foi um valoroso combatente militar cujos créditos foram reconhecidos. Enquanto militar, lutando pelos liberais contra os absolutistas, subsistem diversos registos e relatos da sua valentia, tendo recebido a medalha de Torre e Espada, por actos heróicos nas hostes de Sá da Bandeira, do Duque de Setúbal e na revolta da Maria da Fonte.

José Teixeira da Silva, o famoso Zé do Telhado, terá nascido a 22 de Junho de 1818 no lugar do Telhado (de onde origina o seu nome popular), aldeia de Castelões de Recesinhos, na comarca de Penafiel. Reza a lenda que era filho de um chefe de uma quadrilha de ladrões e de uma família cuja principal actividade era extorquir o alheio. De facto, quer o seu tio-avô, quer o seu pai haviam sido quadrilheiros, tal como o seu irmão mais velho.

Casado com a sua prima Ana Lentina de Campos (a boda celebrou-se a 3 de Fevereiro de 1845), Zé do Telhado entrega-se à vida militar de corpo e alma, sendo condecorado pela sua bravura. Após algum tempo, regressa para o seio da família, uma transição que contou com diversos obstáculos, nomeadamente, o facto de ter dívidas pelo não pagamento de impostos, acabando por ser expulso das Forças Armadas. Sem conseguir arranjar trabalho, restou a Zé do Telhado transformar-se no mais famoso bandoleiro de Portugal.

Com as autoridades no seu encalço por todo o País, Zé do Telhado resolveu fugir para o Brasil, escondeu-se na barca “Oliveira”, acostada no Porto. Ali estava à guarda de Ana Vitória, uma mulher que fora sua vítima mas que se tornara sua admiradora. Cabe-lhe a ela a frase lapidar que o transformou no Robin dos Bosques portugueses: existem pessoas “de bem que nunca deram às classes humildes um centésimo do que lhes deu Zé do Telhado.”

Viria a ser capturado pelas autoridades e preso na Cadeia da Relação, no Porto, onde conheceu os escritor Camilo Castelo Branco.

O seu julgamento teve início a 25 de Abril de 1859, com acusação pública em 9 de Dezembro do mesmo ano. Foi condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na costa ocidental de África e no pagamento das custas. Esta pena foi comutada pelo Tribunal da Relação do Porto em 15 anos de degredo para África, sendo publicada em Setembro de 1863.

Já em Malanje, tornou-se negociante de borracha, cera e marfim e casou com uma local, de nome Conceição, com quem veio a ter três filhos. Era conhecido entre os angolanos como o “quimuêzo”, ou seja, o homem de barbas grandes, já que as deixara crescer desde que chegara a África.

Zé do Telhado morreria de varíola em Angola em 1875, com 57 anos, sendo sepultado na aldeia de Xissa. Ainda hoje são feitas romagens à sua campa.

O Zé do Telhado é o primeiro dos heróis populares portugueses que irão aparecer por aqui. Já estão agendadas visitas da Maria da Fonte, do Geraldo sem Pavor, dos Doze de Inglaterra, da Catarina Eufémia, do Humberto Delgado, do Salgueiro Maia, da Padeira de Aljubarrota, do Aristides Sousa Mendes, do Viriato, do Zeca Afonso e do Martim Moniz. Mas a lista de convidados pode ainda crescer, por isso, agradecem-se todas as sugestões.

7 thoughts on “Zé do Telhado (Heróis Populares Portugueses 1)

  1. Na vossa lista vejo pessoas que são meritoriamente símbolos nacionais… mas são tão herois quanto eu.
    Ainda bem que não incluiram Afonso de Albuquerque porque, juntamente com os geraldos e outros do género, iriam “morrer” de vergonha.
    Eu adoro ouvir Zeca Afonso… mas porquê chamar-lhe heroi? Por ser um exilado (no meio de milhares) que cantava bem?
    Porquê herois da travessia do atlantico de avião se tivemos um Português que, de barco, deu a volta ao MUNDO?
    Em que guerra desproporcionada lutou Salgueiro Maia quando comparado com Alvares Pereira, o tal “desconhecido” que é símbolo MUNDIAL da infantaria?
    Desculpem criticar… mas a lista é um absurdo.
    Votos de boa sorte.

    • Obrigada pelo seu comentário. Claro que existirão sempre figuras que ficarão de fora desta lista. Haverá sempre alguém descontente. De qualquer forma, a lista não está acabada – nunca estará – por isso, se entender que gostaria de ver alguém em particular, é só sugerir. Quanto à denominação “heróis”, tem o valor que tem, é uma palavra como qualquer outra. Poderia ter-lhes chamado “figuras” mas não gosto, por isso escolhi heróis.
      Volte sempre, para criticar ou não.

      • Desculpem, pensei que a lista era quase definitiva.

        As minhas propostas iriam para Afonso de Albuquerque, Egas Moniz (mordomo mor de D. Afonso Henriques, não o galardoado com o prémio novel da medicina), Nuno Alvares Pereira (não como beato mas sim como herói efectivo), Miguel Corte Real, “mata milhões”, Martim Moniz, o aventureiro “Da Silva” e o Dr. Prata Soares (morto pela Pide, Nogueira da regedoura)

        Se pretendem fazer um levantamento sério, vão ter muitas horas pela frente.
        Se poder ajudar, disponham.
        Boa sorte… vão precisar.

  2. Com a excepção de Prata Soares e de Miguel Corte Real, todos os restantes já integravam a lista, mas obrigada pelas sugestões. São sempre bem-vindas.
    O próximo na “calha” deverá ser o Martim Moniz.

  3. Pingback: Heróis Populares Portugueses – Lista « Castelodasandrix's Blog

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