Carolina Beatriz Ângelo, Dia da Mulher


Carolina Beatriz Ângelo, Dia da Mulher

 

Carolina Beatriz Ângelo

Neste período de comemoração de 100 de vida da República em Portugal, nada mais justo do que assinalar o Dia da Mulher (a celebrar amanhã) com uma pequena lembrança à primeira mulher que votou em Portugal, a médica Carolina Beatriz Ângelo.

Carolina Beatriz Ângelo, sufragista e fundadora da Associação de Propaganda Feminista, depositou o seu voto nas urnas para a eleição da Assembleia Constituinte, em 1911, o primeiro acto eleitoral realizado após a implantação da República, e numa altura em que o direito de voto era reconhecido apenas a “cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família”.

Para que o seu voto fosse aceite, Carolina Beatriz Ângelo invocou a sua qualidade de chefe de família (que apenas era reconhecido aos homens), sendo viúva e mãe, bem como o sentido do plural da expressão ‘cidadãos portugueses’ cujo masculino se refere, ao mesmo tempo, a homens e a mulheres, conseguindo assim que o tribunal lhe reconhecesse o direito a votar. O acto de Carolina Beatriz Ângelo teve consequências levando, em 1912, à alteração da lei, que passou a especificar que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam votar.

Para além de ter sido a primeira mulher a votar em Portugal, Carolina Beatriz Ângelo foi, também, a primeira mulher a votar no quadro dos doze países europeus que vieram a constituir a União Europeia.

Filha de Viriato António Ângelo e de Emília Barreto Ângelo, Carolina Beatriz nasceu na cidade da Guarda em 1877, onde viria a frequentar o Liceu e a fazer os Preparatórios. Em Lisboa matriculou-se nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica, onde concluiu o curso em 1902. Este ano ficou igualmente marcado pelo seu casamento com o seu primo Januário Barreto, também ele médico e activista republicano.

Carolina Beatriz foi a primeira médica portuguesa que operou no hospital de S. José e viria a dedicar-se à especialidade de ginecologia. Em 1909, um anúncio publicitário adiantava que o seu consultório situava-se no número 84 da Rua Nova de Almada.
Três anos antes aderira ao ao Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes e no ano seguinte foi iniciada na Maçonaria, na Loja Humanidade, com o nome simbólico de Lígia.
Foi propagandista do Registo Civil, oradora em sessões realizadas nos Centros Escolares Republicanos e uma empenhada lutadora na campanha a favor da discussão e aprovação da Lei do Divórcio pelo Parlamento (em 1909). Refira-se ainda que Carolina Beatriz foi uma das mulheres que participou na confecção da bandeira republicana desfraldada aquando da revolução de 5 de Outubro de 1910.

Faleceu a 3 de Outubro de 1911, em Lisboa, e tal como o desejo expresso em declaração escrita, teve “enterro civil e em tudo democrata”, sendo sepultada no Cemitério dos Prazeres.

 


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