Carnaval


Carnaval em Portugal

Caretos de Podence, Macedo de Cavaleiros - Portugal

 

O Carnaval, conhecido como a época de folia por excelência, é um período de festas regidas pelo ano lunar originado na Antiguidade e que seria recuperado pelo cristianismo. Começava então no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-feira de cinzas, nas vésperas da Quaresma, sendo marcado pelo “adeus à carne” ou “carne nada vale” (a expressão que viria a dar origem ao termo “Carnaval”), celebrado com diversos festejos populares

O Carnaval dos nossos dias, festejado com desfiles e fantasias, resultou da sociedade vitoriana do século XIX, época em que se começou a replicar os modelos da cidades de Paris e Veneza.

A tradição carnavalesca é profunda um pouco por todo o território português, destacando-se os Carnavais de Podence, Ovar, Loulé, Sesimbra, Rio Maior, Torres Vedras (considerado como o mais português de Portugal)e Sines. Assinale-se ainda as festividades de Canas de Senhorim, com cerca de 400 anos e tradições únicas como os Pizões, as Paneladas, Queima do Entrudo ou o Despique.

Alguns investigadores defendem que as raízes históricas do Carnaval remontam aos bacanais e festejos similares do Império Romano, enquanto outros advogam a sua origem nas celebrações em homenagem à deusa Ísis ou ao deus Osíris, no Antigo Egipto.

Portugal exportou o Carnaval para as suas colónias, em particular, para o Brasil, na segunda década do século XVIII, embora com características muito diversas das dos carnavais europeus. De acordo com relatos da época, este era um período de “porcaria e violência”: “pelas ruas generalizava-se uma verdadeira luta em que as armas eram os ovos de gema, ou suas cascas contendo farinha ou gesso, cartuchos de pós de goma, cabaças de cera com água de cheiro, tremoços, tubos de vidro ou de cartão para soprar com violência, milho e feijão que se despejavam aos alqueires sobre as cabeças dos transeuntes.
Havia ainda as luvas com areia destinadas a cair de chofre sobre os chapéus altos ou de coco dos passantes pouco previdentes e até se jogava Entrudo com laranjas, tangerinas e mesmo com pastéis de nata ou outros bolos.”
Uma das figuras do Carnaval português são os Caretos, jovens rapazes disfarçados que correm pelas ruas das povoações, portando-se como se o “diabo andasse à solta”.

Os Caretos usam máscaras de couro ou de madeira, vestindo velhas colchas de lã transformadas em fatos às riscas com cores fortes como o verde, azul, preto, vermelho e amarelo, decorados com grandes chocalhos pendurados na cintura e guizos nos tornozelos.

A tradição dos Caretos, com raízes anteriores ao cristianismo, está associada a práticas mágicas, relacionadas com os cultos da fertilidade na agricultura.

As Cegadas são outra das tradições portuguesas, revelando-se uma oportunidade para, as pessoas, escondidas pelos disfarces de Carnaval, pregarem partidas e gozar com figuras que, nas restantes épocas do ano, são consideradas e respeitadas, nomeadamente, os membros do Governo. Nos anos 60 do século passado, as cegadas foram proibidas pelo Governo devido à crítica social e política que envolviam. Actualmente, embora se tenham caído um pouco em desuso, as cegadas podem ainda ser vistas no Sul do País, nomeadamente em Sesimbra, Ourique ou Odemira.

Para além da vertente crítica, as cegadas são também uma representação teatral feita por pequenos grupos de pessoas que representam textos humorísticos brejeiros.

 

Caretos de Lazarim, Lamego - Portugal

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