Vinhais


Seguem mais dois contos da tradição popular portuguesa da região de Bragança. Para os que não sabem ou preferem achar que se trata de outra coisa, pertencem à rica tradição oral do nosso País. Eu acredito que é importante divulgá-los. Os meus avós sabem muitas como estas e eu sempre entendi isso como uma herança que, um dia, nos deixarão e não como algo mais. E já não é pouco. Claro que há quem veja nestas tradições segundos e terceiros sentidos, camuflados sabe-se lá de quê. Mas esses, e “pardon my French” podem ir à merda.

 

A alma da jovem pastora

Os antigos acreditavam que os fogos-fátuos que, em certas noites, apareciam nos cemitérios eram as almas dos defuntos que saíam a penar. E conta-se no concelho de Vinhais uma lenda sugestiva.
Próximo do lugar de Santa Cruz, era costume ver-se durante a noite, na margem do rio Tuela, uma luz a pairar, o que muito amedrontava os habitantes, levando-os a recolherem-se nas suas casas antes do anoitecer.
Diz o povo que um frade, ao passar por aqueles lados, não resistiu aos encantos de uma jovem pastora que encontrou a guardar as vacas num lameiro, e que, após abusar da sua inocência, resolveu matá-la por recear que ela o denunciasse na povoação. Acontece que, ao tentar sepultá-la na margem do rio, o corpo recusou-se a entrar na terra e desapareceu.
Por isso, o povo passou a acreditar que a luz que era vista a pairar na zona fosse a alma da jovem que andava a penar. (Santa Cruz, Vinhais, Bragança)

“O Maravilhoso Popular – Lendas, contos,mitos”, Alexandre PARAFITA, Plátano Editora, 2000

 

A alma do abade

Houve noutros tempos na aldeia de Agrochão um padre que andava sempre a dizer “ai vida, vida!”, lamentando-se por tudo e por nada. Chamavam-lhe, por isso, o “Abade vida-vida”.
Um dia morreu. E daí a algum tempo, segundo diz o povo, quem passasse à meia noite junto à sua casa, ouvia a voz do padre lá dentro, que continuava a exclamar: “Ai vida, vida!”
Esta foi razão bastante para que ninguém mais quisesse morar naquela casa. E, mesmo hoje, as pessoas evitam passar perto dela, sobretudo durante a noite. É conhecida como a “casa do abade”, e encontra-se em ruínas. O povo acredita ainda que a alma do padre continua a habitá-la. (Agrochão, Vinhais, Bragança)

“O Maravilhoso Popular – Lendas, contos,mitos”, Alexandre PARAFITA, Plátano Editora, 2000

 

 

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